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Agora vamos à parte que interessa: O I Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas. Por uma questão do destino o Simpósio ocorreu dentro do bairro da Liberdade, justamente a primeira coisa que eu pensava quando alguém falava "viagem a São Paulo". E tivemos a honra de ficar hospedados no Nikkey Palace Hotel. Yeah. PALACE. Não sei quantas estrelas tem, mas eu daria 5 facinho, pois o quarto era gigante. A maioria dos hóspedes era de japoneses, o povo nas ruas todos orientais, e com isso me senti otimamente bem, quase em outro país (ALGUNS podem não acreditar, mas meu nick original - AcidZero - vem do avião de caça japonês Zero, devido ao meu fascínio pela cultura - e determinação - japonesa).
Chegamos um dia antes, pra poder já acordar e ir pro Simpósio, que ocorreu no salão do hotel (com capacidade pra umas 300 pessoas, acho). Mas o destino, esse ingrato, resolveu pregar uma peça na gente: o despertador do celular, que vinha funcionando otimamente bem no seu irritante trabalho de nos acordar, resolveu falhar JUSTO no dia de abertura do Simpósio! Parece desculpa esfarrapada (acho que ninguém acreditou quando a gente disse) mas foi isso. O surpreendente é COMO a gente foi acordado: por um bando de japoneses ensandecidos. Explico, quer dizer, não explico porque não sei explicar como isso aconteceu, mas posso dizer que acordei sobressaltado com batidas na porta, cada vez mais altas, e um barulho gutural horrível de uma turba de alienígenas gritando coisas incompreensíveis. Tudo o que pude fazer foi berrar "tem gente", ao que o som cessou e foram embora. Demorou um pouco até eu recuperar a calma e lembrar que estávamos num hotel com japoneses - que quando resolvem falar alto, mesmo que de brincadeira, mais parece o som do inferno - mas aí olhei a hora e mal pude acreditar: estávamos 1:20 atrasados!
Corremos para o Simpósio e ainda pude pegar meia hora da excelente palestra de Marcelo Del Debbio: A Kabbalah e os deuses de todas as Mitologias. Na parte que peguei o Del Debbio estava mostrando a Árvore da Vida com suas esferas e saía destrinchando cada energia (representada nas esferas) com os respectivos deuses de cada cultura, todos eles "sinalizadores" de um caminho de ascenção espiritual que se integrava perfeitamente não só com a minha palestra mas a de vários outros que vieram após ele.
Após ele tivemos Cynthia Maria Carpigiani com Florais e Ervas Mágicas. A parte que mais me interessou - por minha mãe ser veterinária e ter presenciado sacrifício de animais - foi sem dúvida o uso de florais em bichos! Primeiro que não tem aquela baboseira de dizer que o bicho ficou influenciado psicologicamente e que o floral é só um placebo, e segundo que os resultados foram excepcionais, documentados minunciosamente (foi tirado de uma tese acadêmica) e com vídeos! Um cachorro com sinomose, que mal conseguia andar (pois tinha o sistema nervoso totalmente atacado, com espasmos) e já desenganado (o sacrifício era a alternativa mais "humana") recuperou-se em 15 dias com uma certa combinação de floral (que eu até gostaria de saber qual é) e um novo vídeo mostrava ele andando razoavelmente normal e abanando o rabo de alegria. Mostrou também um gato-do-mato, criado em cativeiro (e "demente" por conta disso) recuperar seus reflexos felinos com floral, e fotos com hipopótamos e girafas tomando floral. Ah, e um estudo aqui em pernambuco mostrou que ratos que tiveram ferimentos tratados apenas com floral cicatrizaram MUITO mais rápido do que um grupo de controle, que foi tratado apenas com água.

Depois do almoço tivemos uma mesa redonda com as Ordens Iniciáticas no Brasil. Foi extremamente didático conhecer o que cada Ordem faz (muitas delas ligadas à Maçonaria) e quais as origens e diferenças. De quebra aprendi uma piada legal sobre a Maçonaria e uma explicação sobre um negócio que me incomodava nessa Ordem: as medalhas e a ostentação. Segundo o Sr. Carlos Brasílio Conte, elas são na verdade "quinquilharias espirituais", "pedras de tropeço", verdadeiros testes para o iniciado quanto mais ele avança. Achei massa a idéia, e pude conversar com ele após a palestra e perceber que, embora em tese seja isso, em muitas lojas há desvirtuamentos e as quinquilharias acabam servindo apenas pra bajulação, ostentação e "poder".

Aí tivemos a grande revelação do Simpósio, o cara mais inteligente, charmoso e (por que não dizer?) bonito, EU, com a palestra Jung e o ocultismo na grande mídia. Como a minha palestra era a única a não usar Powerpoint (e sim o navegador web) e ter som, tivemos uns pequenos problemas de adaptação. O ponteiro que controla a mudança de slides não funcionava com o navegador, e o som teve de ser providenciado com um microfone junto ao laptop. Em alguns slides o enquadramento ficou cortado por conta do zoom do projetor, mas aí é culpa minha, que esqueci de botar a palestra no laptop pra eles testarem tudo antes. Mas nada disso atrapalhou a palestra, que transcorreu absolutamente bem. Por algum motivo não fiquei nervoso, tive apenas alguns segundos de branco lá pelo meio da palestra, mas estar com a versão escrita me auxiliou (como o assunto envolvia muita teoria, eu não podia falar tudo simplesmente de cabeça, arriscando passar uma informação errada ou incompleta). Todos gostaram, e o mais importante: Eu gostei da minha participação (ao contrário da MTV, onde me achei péssimo).
Tivemos depois o Frater Goya com a palestra Como cultivar a energia vital usando o trabalho de energia (QiGong). Muito didática, com diagramas e um assunto muito profundo e interessante que exigia um pouco mais de tempo pra uma melhor exposição. O que ficou gravado na minha mente foi a forma de se proteger de vampirismo, que é botando a ponta da língua no céu da boca (lá no fundo, com a língua enrolada), pra criar um circuito de energia que protege o fluxo de irrigação para os órgãos principais.

Para encerrar a noite tivemos o presidente da associação Sirius Gaia (que organizou o Simpósio) Fernando Maiorino, falando sobre Umbanda natural. Foi uma excelente palestra onde ele desmistificou a Umbanda, lembrou-nos que ela é o único sistema magístico brasileiro (de origens africanas, claro, mas desenvolvido aqui no Brasil) e contou-nos como o grupo procurou resgatar a essência da Umbanda ao lidar com as suas energias primordiais (água, pedreiras, fogo) que acabavam esquecidas sob o manto antropormorfista que acomete a todos os cultos, ordens ou religiões (adoramos símbolos, e ao adorá-los acabamos esquecendo o que está por trás dele). Na Umbanda natural o guia é um orientador no seu auto-conhecimento, e não solucionador de problema. A parte mais fascinante foi descobrir que a pipoca na Umbanda simboliza o mesmo que o Lótus na cultura hindu: o Ser material (semente) que precisa passar pelas vicissitudes da vida (fogo / lama) para fazer brotar sua pureza espiritual (a "flor de pipoca" / flor de lótus) imaculada.
E assim terminou o primeiro dia do Simpósio. Continuem sintonizados no Saindo da Matrix para acompanhar a emocionante conclusão desta saga!

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