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Após uma introdução à cosmogonia e lugares da mitologia nórdica na parte 1 de nosso post, vamos conhecer um pouco mais os personagens principais, os seres e a escatologia do povo Viking, e como eles influenciaram até os dias da semana.

Odin (ou Woden) é o deus Todo-Poderoso da mitologia nórdica. Seu nome deriva da palavra Óðr, que em norueguês arcaico significa Fúria, Excitação, mas também Poesia e Mente. Odin era o deus da sabedoria; ele atirou um de seus olhos no Poço de Mimir em troca de um gole de sabedoria; ele também se enforcou, pendurando-se na árvore cósmica Yggdrasil por 9 dias, apenas para obter o conhecimento do mundo dos mortos (e de lá nos trouxe as Runas), sendo revivido depois por magia. Odin se mantinha informado sobre os acontecimentos de toda a Terra através de seus dois corvos, Hugin (Pensamento) e Munin (Memória). A mitologia de Odin compartilha características com a do deus grego Mercúrio, e do deus celta Lugus. Nas batalhas Odin é quase sempre representado com a sua lança Gungnir na mão, com seu cavalo de oito pernas Sleipnir, com seus dois corvos e dois lobos - Geri and Freki - de cada lado. O símbolo rúnico de Odin é o Valknut, composto por três triângulos entrelaçados, que é usado até hoje como escudo do time de futebol da Alemanha.
A quarta-feira possui o nome Wednesday nos países anglo-americanos porque deriva do inglês arcaico Wodnesdæg (Dia de Woden), que por sua vez é baseado no latim "Dia de Mercúrio".
Outro dado interessante sobre Odin é que ele pode ter iniciado o folclore do Papai Noel. De acordo com Phyllis Siefker, na festa de solstício de inverno (conhecido como Yule) Odin cavalga os céus no seu cavalo Sleipnir, e as crianças enchem suas botas com cenouras, açúcar ou feno, e a deixam próximo à lareira para alimentar o cavalo em sua jornada; em agradecimento, Odin deixava doces e presentes nas botas. Diz-se que a prática sobreviveu até a cristianização dos vikings, e após isso Odin foi associado a São Nicolau. Odin também se disfarçava de andarilho, com um cajado, e nessas ocasiões usava o nome Vegtam; Tolkien admite que baseou o seu personagem Gandalf (de "O Senhor dos Anéis") nesta versão disfarçada do deus nórdico.
Frigg é a personificação do feminino no mito nórdico. Ela é a esposa de Odin, mas também atua como mãe e conselheira. Possui o poder de profetizar. Sua história carrega consigo muitas semelhanças com a de outra deusa nórdica, Freyja, que é esposa do cabeça dos Vanir, Odhr (Louco, Furioso), que por sua vez traz similaridades com Odin. O nome das duas compartilha a mesma raiz Frijjo (Amada, Dama), e estudiosos crêem que o mito delas têm origem numa remota deusa germânica do amor, que pode ser associada a deusa Vênus. Tanto que o nome sexta-feira, no inglês, é Friday porque é o "dia de Frijjo", ou seja, o Dia da Dama (taí, mulheres, vocês são homenageadas toda semana com um dia só de vocês!).
Pelas profundezas de Jötunheimr (Terra dos gigantes) passa uma das raízes principais de Yggdrasil, que termina numa Fonte que traz sabedoria e inteligência àquele que bebe de sua água. Ela era guardada por Mimir (Aquele que pensa). Embora algumas obras o coloquem como deus da sabedoria, Mimir pertencia à raça dos gigantes, e era famoso por sua inteligência e prudência. A Fonte é tão cobiçada que Odin não hesitou em trocar um de seus olhos por um pouco dessa água. Mimir foi decapitado durante a guerra entre Aesirs e Vanirs, mas Odin não se fez de rogado e passou a carregar sua cabeça pra lá e pra cá, de forma a consultá-la em momentos críticos.


Fenrir é um lobo gigante que tem dois filhos: Skoll (Traição) e Hati (O que odeia), que vivem em eterna perseguição a Sól e sua irmã Máni (Lua). É filho de Loki e irmão de Jörmungandr e Hel. Todos os deuses o temiam por conta da "Profecia dos Völva", que assevera que ele, assim como seus irmãos, iriam trazer problemas aos deuses no Ragnarök. Assim, Odin lançou Jörmungandr nas profundezas dos oceanos e enviou Hel para os subterrâneos (Niflheimr), enquanto ordenou que os Aesir tomassem conta do lobo Fenrir. Com o passar do tempo o monstro cresceu cada vez mais forte e preocupou os deuses, por isso eles pensaram em acorrentá-lo. Entretanto Fenrir era realmente temível, e ninguém o faria à força. Por isso propuseram um desafio: pediram, num misto de bajulação e troça, que o lobo testasse sua força com uma certa corrente de ferro que os deuses fizeram, chamada Leyding. Fenrir julgou que aquela corrente não estava à altura de sua força, e então deixou que os deuses o amarrassem. No primeiro chute Fenrir a quebrou. Tempos depois os deuses fizeram um segundo grilhão, duas vezes mais forte, cujo nome era Drómi. Disseram a Fenrir que, se ele quebrasse essa nova forma de engenharia, alcançaria grande fama pela sua força. Fenrir considerou que a corrente era muito forte, porém que sua força também havia aumentado desde que ele quebrou Leyding, e que ele deveria enfrentar alguns riscos se fosse pra ficar famoso. Fenrir então permitiu que eles colocassem o grilhão para, com um pouco mais de trabalho, despedaçá-lo.
Por fim Odin pediu ajuda aos anões, e eles fizeram um grilhão mágico chamado Gleipnir, que era macio como a seda e foi feito com ingredientes muito especiais.
Os deuses então levaram Fenrir para uma ilha deserta e o desafiaram a quebrar Gleipnir. Estranhando que a corrente era muito delicada, e suspeitando de uma armadilha, o lobo concorda, mas com a condição de que um dos deuses pusesse a mão em sua boca, como sinal de "boa fé" (como garantia de que, se ele não se libertasse por si só, fosse solto pelos outros). Obviamente nenhum deles se ofereceu de imediato. Percebendo o impasse, um deus se adianta para o sacrifício.
Tyr (ou Tiw) era o único deus capaz de alimentar o lobo Fenrir. Conhecido por sua coragem, ele encara o desafio (descrito acima) e enfia a mão direita entre as mandíbulas do lobo, enquanto os outros deuses o amarram com Gleipnir. Tyr já não pode soltar-se, e Fenrir inicia a tentativa de quebrar as correntes, só que dessa vez quanto mais o lobo fazia força, mais Gleipnir apertava-se em seu pescoço. Furioso, ele fechou vigorosamente suas enormes mandíbulas e decepou a mão de Tyr. Fenrir se debatia e uivava de ira por ter ficado aprisionado, e vendo isso todos riram (exceto Tyr, claro, que perdera a mão). Tyr ainda teve a oportunidade de se vingar, escorando com uma espada a boca do lobo aberta, para que ele não fizesse tanto barulho. E assim Fenrir ficou acorrentado até a chegada do fim dos tempos.
Tyr passou a ser chamado de "a sobra do Lobo", que é uma metáfora poética para designar Glória. Tyr é tão foda que na língua nórdica seu nome significa "deus", e até hoje quando o sufixo "tyr" é usado no nome de alguém, este refere-se a um deus (ex: Hangatyr é um dos nomes do Odin, e significa deus dos enforcados). Tyr também virou nome de dia da semana. Como ele foi associado ao deus romano Marte, nossa terça-feira, que é originalmente chamada dies Martius (Dia de Marte) se tornou em inglês Tiw's Day = Tuesday (Dia de Tyw).

Hel é filha de Loki com a giganta Angurboda. Sabendo quão problemática ela iria ser no futuro, Odin a enviou para Niflheimr, e deu a ela autoridade sobre os nove mundos, no sentido de abrigar os mortos. Se tornou então a personificação da morte, e seu domínio em Niflheimr passou a se chamar Helheimr (Lar de Hel), que ficou associado ao inferno após a cristianização dos nórdicos. Este inferno era simplesmente o mundo abaixo da terra para onde iam os homens depois de sua morte, mas não era um lugar de castigo (embora nem sempre fosse legal viver por lá). A metade de seu rosto era de cor clara, e a outra metade enegrecida.

Eram espíritos menores que os homens, formosos e bem formados. Viviam em sociedade e tinham reis aos quais eram muito fiéis. Eram em geral serviçais, mas às vezes podiam ser malignos. Temiam a luz solar e fugiam dos homens. Dançavam à luz da lua, e se algum homem via esta dança ficava para sempre prisioneiro da beleza das elfas, incapaz de afastar a vista.
Sua inteligência e habilidade como ferreiros e artífices eram prodigiosas, sendo capazes de construir objetos mágicos, como o martelo de Thor, e belas jóias. Fisicamente não eram formosos. Viviam sempre perto dos lugares onde havia metais preciosos. Acreditava-se que possuíam importantes tesouros ocultos nas profundezas da terra, onde viviam. O tesouro mais famoso foi o anel do rei dos Nibelungos. Siegfried se apoderou dele após vencer o anão Olberich, que o guardava.
Os gigantes estavam distribuídos por todo o mundo, como os anões. Podiam viver na terra, junto ao mar, e havia também gigantes do fogo (a quem se atribuía os fenômenos vulcânicos) e do gelo. Podiam metamorfosear-se e não hesitavam em enfrentar até mesmo alguns deuses, enquantos outros eram seus amigos ou colaboradores, como Mimir. A crença entre os germânicos em anões, gigantes, trolls e demônios subsistiu e se mesclou aos símbolos cristãos. Há lendas nas quais alguns destes gigantes inclusive se converteram ao catolicismo.
Os germânicos acreditavam que a alma era algo material, que podia falar, mover-se, agir e inclusive tomar formas distintas. Esse "outro eu espiritual" era chamado Fylgja, e ainda que permanecesse em íntima relação com o corpo, podia separar-se dele e adotar outra forma, por exemplo animal. Mas, se alguém ferisse ou matasse esse animal, a pessoa apareceria ferida ou morta em sua casa.
Os bosques para os germânicos estavam povoados de numerosos espíritos. Os que viviam nos árvores eram imaginados como seres peludos, cobertos de musgo e com a cara enrugada como a casca de um tronco. Em geral eram pacíficos e serviçais, mas se tentava prejudicá-los, tomavam a forma de insetos e molestavam (ou mandavam enfermidades para) os homens.
No centro da árvore Yggdrasil há um buraco oco, onde habitam três sábias que passam os dias a fiar em suas rocas o destino da humanidade. Essas deidades são as Nornas Urd, Verdandi e Skuld, responsáveis pelo passado, presente e futuro, respectivamente. São representadas pela anciã, a mãe (mulher madura) e a virgem. Urd é muito velha e vive olhando para trás, por sobre os ombros. Verdandi é uma mulher madura e olha sempre para o presente, e Skuld é a virgem que vive encapuzada e possui um pergaminho fechado que contém os segredos do futuro. São simbolizadas pela roda em movimento, e possuem uma tremenda semelhança com as Moiras da mitologia grega. Inspiraram também o anime "Ah! Megami-sama!".
Além da idéia de que o destino em geral era algo decidido pelas Nornas, os nórdicos/germânicos acreditavam no destino individual. E este destino seria regido pelas fadas. Ao nascer uma criança as fadas vinham à cabeceira da cama dela para cobri-la de venturas ou de desgraças, e para dar-lhe um porvir de acordo com sua própria sina já traçada. Esta idéia seguiu vigente e se instalou nos contos populares, como em "A bela adormecida".
Deus da luz, filho de Odin e de sua esposa Frigg. Era tão belo que sua presença enchia tudo de claridade. O mais sábio e amado dos Aesirs era a alegria de todos. Mas um dia começou a ter pressentimentos funestos. Sua mãe, para acalmá-lo, fez todos os seres jurarem que nenhum deles jamais faria mal contra ele, o que tornou-o invulnerável a tudo e a todos. Para demonstrar isso, os deuses, estando em uma festa, começaram a lançar-lhe todos os objetos que encontraram, inclusive suas próprias armas, sem que nada lhe fizesse dano. Loki então se transformou em mulher e perguntou a Frigg se era verdade que havia convencido todos os seres da Terra. Frigg, incauta, lhe disse que fizera jurar todos, menos uma pequena planta (visgo), que lhe pareceu tão débil que não acreditava ser necessário submetê-la a juramento. Loki saiu da sala, arrancou o visgo, e com o talo e a raiz fez uma flecha. Voltou a reunir-se com os deuses e, aproximando-se de Hod (irmão de Baldur e único dos deuses que, por ser cego, ainda não havia atirado nada), animou-o a arremessar a flecha com um arco. Hod o fez, e a débil flecha atingiu Baldur no peito, atravessando-o e deixando-o morto ali mesmo. Todos os deuses ficaram tristes e só não mataram Loki por estarem em um lugar consagrado à paz. Louca de dor, Frigg perguntou aos deuses se algum deles queria descer ao mundo dos mortos para tratar de convencer Hel (a deusa da Morte) a lhe devolver o seu filho. Hermod, também filho de Odin, desceu e Hel lhe disse que, se todos os seres do mundo estivessem de acordo que Baldur voltasse, o deixaria ir. Mas que se houvesse um só ser no mundo que se negasse, não poderia devolvê-lo. Os deuses começaram a perguntar a todo mundo, e todos os seres derramavam lágrimas por Baldur. Todos, exceto uma giganta chamada Thonkk, que vivia em uma cova. Os deuses lhe rogaram que concordasse, mas ela disse que nunca em sua vida havia recebido favor algum de Baldur, e que Hel conservasse o que tinha. A giganta sem coração era na verdade o fdp do Loki disfarçado (eu falei que esse cara não prestava!). Baldur então não pôde voltar ao mundo dos vivos. Os deuses colocaram o corpo de Baldur em seu gigantesco barco e fizeram um funeral viking. Acredita-se que ele retornará após o fim dos tempos, para governar uma nova Terra juntamente com os filhos de Thor.
Quando os deuses descobriram que a giganta era Loki eles ficaram muito putos, e acorrentaram o safado às rochas, com uma serpente acima dele. Dela caem gotas veneno em sua cabeça. A esposa de Loki, Sigyn, senta-se junto a seu marido e começa a coletar o veneno com uma taça, mas de tempos em tempos a taça enche e ela tem de esvaziá-la, o que faz com que gotas do doloroso veneno caiam em Loki. Isso causa tamanha dor que toda a terra treme com o seu grito, gerando, assim, os terremotos ocasionais. Loki liberta-se-á na época do Crepúsculo dos Deuses, para liderar demônios e gigantes numa luta contra os deuses. Este evento é equivalente ao nosso Apocalipse, e é conhecido como Ragnarök.

Essa batalha começa ao som de Giallar, a trombeta de Heimdall - o guardião da ponte Bifrost - que ecoa nos nove mundos, alertando os deuses e Heróis do perigo iminente. Numa ação furiosa dos demônios de fogo de Muspelheim, a ponte Bifrost é destruída sob os cascos dos cavalos. Os deuses Aesir, Vanir e Einherjar se unem para deter a onda de ataque na planície de Vigrid, que se estende diante do Valhala. À frente deles está Odin, empunhando sua lança, mas eis que ele - justo ele - se torna a primeira vítima dentre os deuses, encontrando a morte nas mandíbulas do temível lobo Fenrir. Furioso, seu filho Vidar corre para vingá-lo, e pisa na mandíbula inferior do lobo, jogando-o ao chão. Ele então agarra a mandíbula superior e rasga ao meio a boca da fera, matando-a instantaneamente.
Os opostos se enfrentam e se anulam. O deus Feyr morre nas mãos do gigante Surt, e Thor, que se atraca com a serpente Jörmungandr, consegue afundar o crânio do monstro com o poderoso Mjolnir, mas só consegue dar nove passos após a batalha, morrendo sufocado por conta do veneno expelido pela serpente moribunda. Loki e Heimdall matam um ao outro no campo de batalha. A Tyr cabe a tarefa de matar Garm, o cão dos infernos. A luta é feroz, e usando de toda a sua habilidade Tyr consegue, com apenas uma mão, derrotar a fera, mas à custa de muitos ferimentos, vindo a morrer logo em seguida.
Surt, o gigante de fogo, transforma todos os nove mundos num inferno de chamas, que consomem deuses, gigantes, anões, elfos e homens. A Terra afunda no oceano, e o Universo se torna um imenso braseiro. Este é o fim de um ciclo e o começo de outro. Dos restos do velho mundo surge um novo. As águas baixam e revelam novas montanhas, rios e planícies. Do grande Fresno Yggdrasil novos raios de luz virão dos céus, pois Sól conseguiu dar à luz uma filha, antes do lobo Skoll engoli-la. Os filhos dos Aesir e Vanir sobreviventes ao Ragnarök se encontrarão em conselho na planície Ida, onde antes havia Asgard. Lá estarão Vidar e Vali, os filhos de Odin, e os filhos de Thor que herdarão Mjolnir, o martelo mágico. O amado deus Baldur e seu irmão Hod retornarão de Hel e se unirão aos outros, enquanto Hoenir predirá o que irá acontecer ao novo mundo. Os filhos de Bor, Vili e Vé serão enviados aos céus para reger com os outros. Os novos regentes se reunirão e relembrarão as memórias do Ragnarök. Gimlé (ou Gimli) - descrito como o mais belo lugar da Terra - será o novo lar dos deuses, que viverão em paz e prosperidade.
Entretanto o bem e o mal não deixarão de existir, e no Hel ainda haverá uma região chamada Náströnd, a praia dos mortos, pra onde irão os assassinos e adúlteros. O dragão Nidhogg, que sobreviverá à destruição, chupará os corpos dos mortos despedaçados.
E quanto aos homens, apenas um casal sobreviverá ao Ragnarök: Líf e Lífþrasir (Vida e Remanescente), que se abrigaram dos acontecimentos no bosque Hoddmímis, e depois repovoarão a nova Terra, que será fértil e produzirá seus frutos em abundância sem necessidade de esforço ou preocupação.
E assim tudo recomeça, até que o delicado balanço das coisas seja quebrado novamente e sobrevenha um novo Ragnarök.
Referência:
O Troth;
Principais deuses da mitologia nórdica;
Panteão nórdico;
Blog de mitologia;
Mitologia germânica;
Norse Mithology, by John Lindow;
Wikipedia em inglês e português;
Livro "Runas, o alfabeto mágico dos Vikings", de Gilda Telles
Ragnarök
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