Saindo da Matrix

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    • RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE

      qua, 9 de junho, 2010

      Escolhi este vídeo porque representa de forma mais ou menos estruturada os fragmentos do que venho pensando nos últimos meses, e que não consegui transpor pro blog (ou não botaria um ateu declarado pra falar por mim num blog que é sobre religiosidade em todos os seus níveis). Mas, pensando bem, é excelente que seja um ateu, porque desconstrói a idéia de religiosidade, que é justamente o que vou abordar logo após os vídeos. Assistam, o PC Siqueira é uma figura:

      Parte 1

      Parte 2

      A crítica que faço ao argumento do PC Siqueira é que ele provavelmente não conheceu ou conviveu com um religioso "verdadeiro", pois foi muito baseado na máscara que certos religiosos usam pra esconder ou ignorar suas imperfeições, pra não ter que pensar em ser um indivíduo, apenas ser um rótulo facilmente identificável e aceito. Isso é tão velho na humanidade que foi criticado por Jesus, quando ele cita os "sepulcros caiados". É algo inerente ao homem.

      Na análise do verdadeiro religioso, vemos que em muitos casos ele escolheu sua religião não porque ela é fácil, e sim porque é desafiadora. Fácil, no caso desses, seria ir com a maré, ser um marginal, massa de manobra do que a Globo quer pra sociedade. Mas ironicamente muitos desses viram massa de manobra dos pastores, o que é triste e descaracteriza essas pessoas como verdadeiros religiosos. Isso porque, ao contrário do que o PC pensa, o religioso não tem de deixar de pensar em favor de seus dogmas: ele os aceita, após muita análise e/ou estudo. A fé é algo que surge de dentro, mas que pode ser desencandeada por fatores externos que alimentem essa confiança ao ponto de que aquilo não precisa mais ser provado por terceiros pra ser considerado Verdadeiro.

      Não há uma zona de conforto pra quem segue a religião de forma voluntária, combinando coração e mente. Isto porque todas elas - em sua essência - são um distanciamento dos nossos instintos mais primitivos, que teimam em aparecer a todo momento, e por isso elas nos exortam a amar o próximo, a ser correto em TODOS os seus atos, a respeitar ("temer") a Deus em todas as suas manifestações. Isso é andar no fio da navalha, especialmente no catolicismo, pois a "queda" é porporcional ao conhecimento e comunhão com a doutrina, e não há (pra eles) uma segunda chance (encarnação). Por isso há na literatura católica todo um "drama" dos santos em relação às suas atitudes, e uma humildade que parece exarcebada pra nós, beirando a resignação, mas é na verdade uma luta interna pra erradicar qualquer traço de mau-caratismo que possa solapar sua caminhada em direção a seu objetivo espiritual. É uma batalha sutil, proporcional ao grau de evolução do espírito (podemos ver algo semelhante em Chico Xavier).

      No mais, eu penso parecido com o PC, já que acredito que a evolução natural seja a sutilização da religiosidade. Primeiro, através das dores, que seria a destruição moral de todas as religiões em seu nível mais terreno (através de seus representantes). Isso já pode ser visto facilmente. O que permaneceria seria o "corpo espiritual" das religiões, o que faria as pessoas não deixarem de ser religiosas, mas de pertencerem a (e se orgulharem de) uma religião. O gado (que não pensa e é manipulado pelos religiosos inescrupulosos) vai chegar num ponto que se soltará do pasto, e se tornará indócil. Creio até que isto esteja acontecendo, e esteja contribuindo pra tanta iniquidade, tanto desamor, tanta falta de caráter. Mas é necessário que aconteça. Talvez até piore. Mas, como toda transição, há revoluções, involuções e evoluções. A idéia é que evoluamos pra uma ética universal, desplugada do tão maltratado rótulo "religião" (porque, se formos analisar, a religião era a ética "universal" dos povos, num tempo em que não era normal se cruzar países, que dirá continentes!!). Com a libertação das amarras, será natural que haja livre-pensadores que abracem a "técnica" católica de ética universal, com todos os seus ensinamentos, exemplos e experiência, ou a técnica muçulmana, hindu, ou mesmo atéia, e isso não fará nenhuma diferença pra quem está de fora, porque nos relacionaremos com PESSOAS, e não mais com rótulos ou egos tão inflados que se confundem com o instinto de preservação de um modo de pensar.

      Pra que isso aconteça MUITA água ainda vai ter de rolar. Mas já está rolando, dá pra ver, e só isso já me anima um pouco.




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      Holismo, Pensamentos - publicado às 7:16 PM 80 comentários