Saindo da Matrix

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    • GIBRAN: DESPEDIDA

      ter, 2 de fevereiro, 2010
      Carly Comando - Everyday

      Vós não estais encerrados em vossos corpos, nem confinados em vossas casas ou campos.
      O vosso ser habita sobre as montanhas e vagueia sobre o vento.
      Não é uma coisa que rasteja ao Sol para se aquecer, ou escava buracos na escuridão para se proteger, mas é algo livre, um espírito que envolve a terra e se move no éter.

      Se essas forem palavras vagas, nâo procurais esclarecê-las.
      Vago e nebuloso é o começo de toda as coisas, mas não o seu fim.
      E eu prefiro que vos lembreis de mim como de um começo.
      A vida, e tudo que vive, é concebido na bruma, e não no cristal.
      E quem sabe se o cristal não é a bruma em decomposição?

      Ao lembrardes de mim, gostaria que lembrassem disso:
      Aquilo em vós que parece mais fraco e perdido, é o mais forte e mais determinado.
      Não foi vosso alento que construiu e solidificou a estrutura de vossos ossos?
      E não foi o sonho que nenhum de vós lembra de ter sonhado, que construiu vossa cidade e modelado tudo o que está nela?
      Pudésseis antes ver as marés dessa respiração, deixaríeis de ver tudo o mais, e pudésseis ouvir o murmúrio do sonho, deixaríeis de ouvir qualquer outro som.
      Mas vós não vedes nem ouvis, e isso é bom.
      O véu que tolda vossos olhos será levantado pelas mãos que o teceram.
      E o barro que tapa vossos ouvidos será removido pelos dedos que o amassaram.
      E então vereis.
      Então ouvireis.
      E todavia não lamentareis ter conhecido a cegueira, nem sentireis teres sido surdos.
      Pois nesse dia conhecereis o propósito oculto de todas as coisas;
      E abençoareis as trevas como abençoais a luz.


      Adeus, povo de Orphalese.
      Este dia já se foi.
      Fecha-se sobre nós como o nenúfar sobre seu próprio amanhã.
      O que foi-nos dado aqui, nós conservaremos.
      E se não for o suficiente, mais e mais vezes estaremos juntos, e juntos estenderemos nossas mãos para o doador.
      Não esqueçais que eu voltarei para vós.
      Mais um curto momento, e minha saudade apanhará pó e espuma para outro corpo.
      Mais um curto instante, um rápido momento de descanso sobre o vento, e outra mulher me conceberá.
      Adeus para vós e para a juventude que vivi entre vós.
      Foi apenas ontem que nos encontramos em um sonho.
      Cantastes para mim em minha solidão, e eu construí, com vossa nostalgia, uma torre no céu.
      Mas agora nosso sono se foi e nosso sonho desvaneceu, e já não é o alvorecer.
      O pleno meio-dia está sobre nós, e nossa sonolência tornou-se dia pleno, e devemos nos separar.
      Se no crepúsculo da memória nos encontrarmos novamente, de novo conversaremos, e cantareis para mim uma canção mais profunda.
      E se nossas mãos se encontrarem em outro sonho, construiremos outra torre no céu.

      O profeta
      Gibran Khalil Gibran




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      Holismo, Sufismo - publicado às 12:26 AM 19 comentários