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FELIZ 2010
qui, 31 de dezembro, 2009
 



 
Geral - publicado às 7:16 PM 20 comentários
CONTROLANDO SEU AVATAR
seg, 28 de dezembro, 2009
 


    Era - Avatar

Avatar é o boneco de Deus na Terra. Do sânscrito Avatara (que significa "Descida", no sentido "do céu para a terra"), esse nome se refere a manifestação de uma deidade em nosso mundo. Há duas formas de Avatar: O direto e o indireto. Direto (sakshat) é quando o Deus aparece diretamente, seja como Vishnu, seja como o arbusto flamejante pra Moisés. Indireto (avesa) quando investe de poderes uma uma pessoa, como ocorre com Jesus, Krishna, Buda, Vasudeva, etc.

Com a popularização da Internet e suas redes sociais, passamos a usar o nome "Avatar" pra representar nossa imagem (e personalidade) online. Ao criamos um personagem para nós no Orkut, Facebook ou jogos on-line, agimos como deuses dentro de um mundo (seja ele um novo mundo social, como o Orkut, ou um mundo virtual, como The Sims) e interagimos com seus habitantes através de um veículo e suas limitações (no caso, o que esse personagem pode fazer no mundo). Estamos criando realidades e nos tornando um pouco deuses, assim como antigamente em muitas culturas o patriarca era o deus em sua casa.

Mas Avatar será conhecido de agora em diante como o filme mais imersivo e espetacular já criado para o cinema. Graças ao avanço feito na técnica de exibir imagens em 3D, James Cameron nos presenteou com um filme que vai ficar na mente de toda uma geração, assim como Star Wars ficou na mente de James Cameron. Se você nunca viu um filme em 3D, ESSE é o filme que você deve ver em primeiro lugar. Levem seus filhos, família - todos que pensam que já viram de tudo no cinema e estão confortáveis com TVs de 50 polegadas pra não ter que sair de casa e ver mais do mesmo - leve-os para serem DESAFIADOS a repensar o conceito de entretenimento, leve-os a uma experiência visual que, de tão intensa, se torna visceral. Suas crianças herdarão uma mensagem de proteção ambiental, e a luta contra a ganância humana. E ao dormir desejarão acordar em Pandora, como eu desejei.

Mas este post não é uma crítica sobre o filme. Isso eu já fiz aqui. O que venho lhes mostrar é que a proposta tecnológica do filme, a de que poderemos no futuro estar controlando o corpo de outros seres, não é tão ficção científica assim. Pra isso precisamos saber a premissa básica da história, que é: no futuro (2150), o ser humano (leia-se "grandes corporações") estará em busca de novos planetas. Não pra colonizar, não pra conhecer novas raças, mas pra explorar seus recursos naturais, como fazemos aqui na Terra. E a bola da vez é Pandora, um planeta habitado pelos Na'vis (criaturas azuis com o avanço tecnológico de nossos indígenas de outrora). Debaixo de onde eles moram há uma reserva enorme de um minério que vale bilhões para os humanos, então as corporações mandam cientistas para o planeta pra fazer amizade com os Na'vis, dentro de corpos Na'vi geneticamente modificados (os Avatares), que eles podem controlar remotamente, utilizando o pensamento.



Viagem na maionese? Não mesmo


Pierpaolo Petruzziello é um brasileiro que sofreu um acidente de carro em 2006 e perdeu a mão. Seu pai resolveu inscrevê-lo num projeto que visa utilizar uma mão biônica movimentada pelo pensamento, assim como nossa mão orgânica o é. Microeletrodos foram implantados nos músculos de Petruzziello, que transformam os sinais enviados pelo cérebro para o músculo em movimentos da mão e dedos. Pierpaolo conseguiu fazer movimentos complexos com a mão usando apenas o pensamento, como segurar uma bola com a ponta dos dedos. Notem que não há um implante real, uma ligação física entre a mão e os músculos. Os eletrodos é que captam os dados e retransmitem para a máquina. Ou seja, ele poderia movimentar a mão pela internet, se os cientistas assim o quisessem.

Apesar de ser excelente para quem perdeu a mão, traduzir a intenção de se mover para uma contração muscular exige esforço consciente. O próximo passo é desenvolver uma prótese que possa ser controlada pelo pensamento direto. E isso já está sendo desenvolvido na Universidade John's Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos. Pesquisadores gravaram a atividade cerebral de macacos enquanto eles moviam os dedos em formas diferentes. Então criaram algoritmos para decodificar esses sinais enviados pelo cérebro, identificando cada padrão específico. Conseguiram que a mão robótica se movesse como previsto em 95% dos casos. Movimentos simples, mas promissores.

Pierpaolo Petruzziello explica o processo pelo qual ele move a mão, que é um tanto quanto metafísico: "Eu fecho meus olhos e repito pra mim mesmo: minha mão existe". E ele consegue. Na verdade, segundo os cientistas ele foi o primeiro a conseguir fazer movimentos complexos com essa mão biônica. O que nos leva ao filme Avatar. Nele a criatura Na'vi que a pessoa vai controlar é "moldada" num nível genético de acordo com as características do DNA do controlador. Isso pra haver uma "resposta" das células da criatura com o pensamento do controlador. Muito viajado? Não mesmo. Cientistas já reconhecem que as moléculas do corpo são controladas por freqüências de energia vibracional, seja luz, som ou eletromagnetismo, que é o próprio pensamento. Mas já vimos isso acontecer há mais tempo ainda na mediunidade, onde supostamente um espírito (de alguém desencarnado) controla (total ou em parte) um médium (alguém encarnado e sensitivo) a longa distância (vindo de diferentes vibrações, quiçá outros mundos, se formos acreditar nos livros espíritas!) através de uma afinidade vibracional. Aprendemos muito por meio de Chico Xavier sobre a mediunidade. Há toda uma preparação do receptor, pra que ele se afinize com o espírito em um nível de pensamento/vibração. Isso pode levar anos de treinamento pra receber com clareza os "comandos" (pensamento) do espírito (Levou anos com o Chico, que foi um dos mais completos médiuns do mundo!!). Após o processo estar "otimizado" vemos uma simbiose entre o "comandante" e o "comandado". Pode até mudar o rosto, a postura, o olhar, dependendo das partes que o espírito controla. Aprendemos que todos somos médiuns, em algum nível, mas o organismo dos médiuns mais "ativos" possuem uma característica que vem sendo mapeada pelo Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, que fez tomografia computadorizada em pacientes com mediunidade "alta" e percebeu que a pineal deles possue mais cristais de apatita que o normal. É como se eles fossem um rádio ou sintonizador de melhor qualidade (leia mais aqui).

O tema tem tudo a ver (filme Avatar, medicina e espiritismo) com o que vínhamos tratando nos posts mais recentes, que é o avanço na descoberta das maravilhas da mente, do quanto ela é responsável por nosso "eu" não só a nível psíquico, mas biológico, mesmo nos menores detalhes a nível celular. E aonde está essa "mente"? Ela desafia neurocientistas a mapeá-la, eles simplesmente não podem localizar suas funções em lugares específicos no cérebro! É isso que nos diz o neurocientista paulista Miguel Nicolelis, neste vídeo. As funções do corpo não são determinadas "pela geografia", mas sim "pelas demandas que se impõem ao cérebro". "Se a pessoa perde a função visual, a função táctil se distribui para todo o córtex cerebral - inclusive para o córtex visual". Segundo o neurocientista, o cérebro tem a função de "remapear o mundo". "A plasticidade é inerente à dinâmica do cérebro, misturando múltiplas visões",

Nicolelis chefia um grupo de 30 pesquisadores no Centro de Neuroengenharia da Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA). Ele pesquisa as possibilidades de integrar o cérebro às máquinas, abrindo a possibilidade para que alguém "pense" em um lugar e uma ação seja desencadeada por um instrumento em um localidade distante. No ano passado, a equipe conseguiu fazer um robô de 80 quilos e um metro e meio de altura andar usando apenas a força do pensamento de uma macaca. Detalhe: o animal estava em um laboratório na Carolina do Norte, e o robô estava no Japão. Os experimentos são avanços na criação de uma interface entre cérebro e máquina que permita a pacientes paralisados andarem ou se movimentarem, guiando membros mecânicos apenas por meio de ondas cerebrais, e recebendo a resposta "tátil" por meio dessa mesma interface. "O nosso alcance vai mudar, no longo prazo, nossa noção de ambiente, de presença física", afirmou. "É como se houvesse uma incorporação ao corpo", afirma. Segundo ele, isso será possível por meio da interação entre as máquinas e o cérebro humano - que passaria a considerar aparelhos, mesmo que estivessem distantes, como se fossem parte do ser humano. Para isso, é preciso que o cérebro receba e "entenda" os sinais emitidos pelos aparelhos e vice-versa. Segundo ele, isso não está muito longe. "No caso de um tenista, já é como se o cérebro entendesse a raquete como uma parte do corpo", diz.

Fantástico, não?


 
Cinema - publicado às 7:57 PM 165 comentários
RESGATANDO O PAPAI NOEL
dom, 27 de dezembro, 2009
 


    Elvis Presley - Here comes Santa Claus


No Natal supostamente comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Nem sempre foi assim, é verdade, pois em outros países se comemoravam outras coisas por volta dessa data, mas pro nosso mundo ocidental a desculpa é essa pra ter o feriado. Só que, a cada geração, vamos esquecendo mais e mais este detalhe, e eu não duvido que pra muitas crianças seja apenas o "dia do Papai Noel".

Uma pena. Não por perceber o quanto a religião está "fora" de nossa sociedade, pois eu detestaria viver num Estado teocrático onde seria lembrado a cada quinze minutos que "Jesus morreu por mim", mas por perceber que a mídia, tão prestativa em nos "informar" sobre o que quer que seja (ou melhor, o que eles queiram) não nos recorda, em momento algum, do sentido original desta data. Pode-se fazer isso sem nem mesmo falar de Jesus. Quer ver?

Peguemos o Papai Noel. Ele é o símbolo máximo do Natal, queiram os cristãos ou não. E é o símbolo do capitalismo que infectou essa data, onde temos a obrigação moral de dar e receber presentes. Mas sua origem está em São Nicolau (Santa Claus, o nome em inglês do Papai Noel, é derivado do alemão Sinter Klaas, que é literalmente São Nicolau). E quem foi esse cara?

São Nicolau de Mira (também conhecido como São Nicolau de Bari) foi bispo de Mira (sul da Turquia), no século IV. Conta-se que ele era tido como acolhedor com os pobres e principalmente com as crianças carentes, sendo o primeiro santo da igreja a se preocupar com a educação e a moral tanto das crianças como de suas mães. A mais famosa destas lendas conta que uma família muito pobre não tinha como custear o "dote" para casar as suas 3 filhas. Isso significava que elas não iriam se casar nem conseguir trabalhar, e provavelmente teriam de virar prostitutas. Então no dia do aniversário de cada filha, o bispo Nicolau, à noite, jogava pela janela um saco de moedas de ouro e prata, para ajudar a pagar o referido "dote" de cada uma. Uma versão da lenda diz que na terceira vez o pai ficou escondido esperando descobrir quem era o benfeitor, mas Nicolau, já sabendo, jogou o saco de longe, vindo a cair dentro da meia que a mulher havia estendido pra secar (e daí o costume norte-americano de se colocar meia na janela, pra o Papai Noel colocar o presente).

Nicolau possui várias histórias sobre suas supostas aparições post mortem; a mais famosa foi no Natal de 1583, na Espanha, quando atendendo às orações de algumas senhoras, teria auxiliado para que nenhum pobre deixasse de receber o seu pão nessa data. Os pobres, ao serem perguntados sobre a quem lhes teria dado alimento em meio a um "tão pesado inverno", estes teriam dito que foram socorridos por "um senhor de feições muito serenas e mãos firmes". Ele é o santo padroeiro da Rússia, da Grécia e da Noruega, e padroeiro dos estudantes, marinheiros, mercadores, crianças e arqueiros (?).

Então toda essa história de desprendimento e bondade humana (que poderia inspirar muitas pessoas mundo afora) foi substituída por uma linha de produção onde elfos são escravizados no Pólo Norte (de onde não podem fugir) pra fazer presentes pra crianças de todo o mundo... mas só as que estiverem em sua lista de "boazinhas" (o que pode incluir aí favores sexuais).

Me pergunto: como seria o Natal se ele fosse comemorado por Jesus em pessoa?

Só posso imaginar, mas há uma dica de Jesus sobre celebrações no Evangelho:

Dizia mais ainda ao que o tinha convidado: "Quando deres algum jantar ou alguma ceia, não chames nem teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos que forem ricos, para que não aconteça que também eles te convidem à sua vez, e te paguem com isso; mas quando deres algum banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado, porque esses não tem com que te retribuir, mas ser-te-á isso retribuído na ressurreição dos justos". Tendo ouvido estas coisas, um dos que estavam à mesa disse para Jesus: "Bem-aventurado o que comer o pão no Reino de Deus".
(Lucas, 14: 12-15)

E Allan Kardec comenta, no "O Evangelho segundo o Espiritismo", Cap. XIII:

"Quando fizeres um banquete, disse Jesus, não convides os teus amigos, mas os pobres e os estropiados". Essas palavras, absurdas, se as tomarmos ao pé da letra, são sublimes, quando procuramos entender-lhes o espírito. Jesus não poderia ter querido dizer que, em lugar dos amigos, fosse necessário reunir à mesa os mendigos da rua. Sua linguagem era quase sempre figurada, e para os homens incapazes de compreender os tons mais delicados do pensamento, precisava usar de imagem fortes, que produzissem o efeito de cores berrantes. O fundo de seu pensamento se revela por estas palavras: "E serás bem-aventurado, porque esses não têm com o que te retribuir". O que vale dizer que não se deve fazer o bem com vistas à retribuição, mas pelo simples prazer de fazê-lo. Para tornar clara a comparação, disse: convida os pobres para o teu banquete, pois sabes que eles não podem te retribuir. E por banquete é necessário entender, não propriamente a refeição, mas a participação na abundância de que desfrutas.

Essas palavras podem também ser aplicadas em sentido mais literal. Quantos só convidam para a sua mesa os que podem, como dizem, honrá-los ou retribuir-lhes o convite? Outros, pelo contrário, ficam satisfeitos de receber parentes ou amigos menos afortunados, que todos possuem. Essa é por vezes a maneira de ajudá-los disfarçadamente. Esses, sem ir buscar os cegos e os estropiados, praticam a máxima de Jesus, se o fazem por benevolência, sem ostentação, e se sabem disfarçar o benefício com sincera cordialidade.

E quando os benefícios são pagos com a ingratidão ou o esquecimento? Será motivo para deixar de fazer o bem? Evidentemente, não; o bem deve ser sempre desinteressado. Esperar reconhecimento revela mais egoísmo que caridade. E comprazer-se na humildade do beneficiado que manifesta seu reconhecimento é prova de orgulho. Aquele que procura na Terra a recompensa do bem que fez não a receberá no céu; mas Deus levará em consideração aquele que perseverar no bem apesar da ingratidão e do esquecimento.

Ou seja, se o Natal fosse realmente uma homenagem a Jesus, dificilmente seria baseado no contrato social, ou seja, nas tradições que estabelecemos pra essa data, de dar e receber presentes dentro de um núcleo fechado (família, colegas de trabalho, escola, etc). Jesus nos mostra nessa quase párabola mais uma subversão dos costumes: se você está acostumado a dar pra receber presentes, dar festas pra permanecer no seio da sociedade, você já tem sua recompensa masturbatória, nesse círculo vicioso onde o cachorro persegue o próprio rabo (às vezes por caminhos tortuosos). Com a popularização do amigo secreto já nem nos preocupamos mais com QUEM vamos dar presentes. Descaracterizamos cada vez mais as coisas, apenas automatizamos o que nos diz a mídia: compre, compre, compre...

São Nicolau é uma fonte de inspiração por fazer o bem sem esperar reconhecimento. E isso baseado nos ensinamentos de Jesus. É esse o espírito do Papai Noel, que se deve resgatar (e resguardar) das garras do dragão do egoísmo, motivado pela mídia, pago pela indústria, que insere na mente das pessoas que você só é alguém querido e amado se puder dar e receber presentes. É o espírito do Natal que foi deturpado e deve ser resgatado.


 
Cristianismo - publicado às 4:00 PM 10 comentários
DE PONTA CABEÇA
seg, 21 de dezembro, 2009
 


De todos os chefes de Estado que visitaram o Brasil nos últimos anos, dois se destacam pelo contraste e o modo como foram (ou não) recebidos:

Um deles foi eleito numa eleição notadamente marcada por fraude (cuja extensão não pode ser medida, pois houve apenas uma recontagem parcial com grande número de votos fraudados). As forças de segurança de lá alertam que não terão "misericórdia" com os opositores, e um deles, uma mulher, foi morta em frente às câmeras por um tiro apenas por estar em meio à multidão. Várias pessoas são presas apenas por protestar, e o governo desligou o serviço de celular e a internet, para evitar a organização de mais protestos. Esse chefe de Estado é cínico, arrogante e deslavadamente mentiroso, que sustenta que um dos fatos mais chocantes e amplamente documentados da 2ª guerra (o holocausto) simplesmente não existiu, apenas porque ele assim o diz.

O outro líder é um chefe de Estado sem Estado. Pra não morrer numa invasão militar feita sem motivos pelo país vizinho, fugiu aos 15 anos para a Índia, onde está exilado. Seu povo, mesmo há 50 anos sob opressão do invasor, o tem ainda como líder espiritual. Dá a volta ao mundo pregando a paz e o diálogo, a não-violência e a democracia, e como tal sempre esteve aberto a negociações com os invasores em busca de um mínimo de autonomia e melhores condições de vida para seu povo, infelizmente sem sucesso por conta da intolerância do invasor, que sufoca qualquer expressão contrária ao regime até em seu próprio país, não hesitando em matar milhares de estudantes em um famoso protesto, há exatos 10 anos.


Qual desses líderes o presidente eleito pelo povo brasileiro recebeu de braços abertos?


Qual deles NÃO foi recebido oficialmente, e teve seu pedido de audiência solenemente ignorado pra não melindrar as relações com o país invasor (assim como Obama fez, recentemente)?


Os dois fizeram pedidos ao presidente eleito do Brasil.

Um deles, em busca de reconhecimento internacional (já que não o tem em casa), pediu apoio a sua reeleição e às suas ambições de desenvolver tecnologia nuclear (condenada veementemente pelos outros países, já que ele ameaçou "eliminar do mapa" o país vizinho).

O outro pediu para que o nosso presidente eleito democraticamente fale de "democracia e liberdade" com a cúpula chinesa: "O Brasil ganhou sua democracia, o que foi muito importante para o País. Agora, com o peso que o Brasil tem no mundo, precisa defender esse valor".

Qual desses líderes teve seu pedido prontamente atendido?

Lula volta a defender reeleição de Ahmadinejad no Irã

Ao lado de Ahmadinejad, Lula defende direito do Irã a programa nuclear pacífico

Quanto ao pedido do outro... bem...

E assim caminha a humanidade, baseada em líderes cheios de lábia, retórica e pouca ação, comprometidos com interesses vis de uma minoria, tangendo o gado até a sua extinção.


 
Política - publicado às 2:55 PM 52 comentários
PENSAMENTO PASSIVO
qui, 17 de dezembro, 2009
 


    Franka Potente - Believe

Vimos nos posts anteriores como a mente influencia nossa saúde física. Agora veremos como trabalhar a mente pra cuidar do nosso bem-estar psicológico, encarando de frente nossos monstros internos.


Por Silas Couto

O pensamento passivo é um tipo de raciocínio que vai fluindo sem o controle do Eu. É quase que um tipo involuntário de pensamento que, no entanto, nos leva a conclusões por vezes interessantes. Segundo a tipologia Junguiana, esse é o pensamento orientado pela intuição. O que o contrapõe, que é o pensamento ativo, é orientado pela sensação, controlado pelo Eu, e está estruturado e planejado em busca de uma conclusão ou resposta.

Já que o pensamento passivo é aquele que determina nossa metafísica (porque esta é algo irrefletido), é forçoso que o pensamento ativo seja submetido a ele, embora se deseje que as determinações do Eu sejam absolutas.

Por vezes um pensamento passivo, já que está fora do nosso controle, contraria certos paradigmas ou valores do Eu. Assim, se eu tenho uma visão maniqueísta baseada numa religiosidade dogmática, é provável que meus valores rejeitem certos sentimentos (a saber: raiva, ressentimento, etc.) e que meus paradigmas rejeitem certas idéias (ateísmo, outra visão religiosa, etc.).

Apesar desse funcionamento imperativo do Eu em relação ao filtro de idéias e sentimentos, podendo reprimir certos pensamentos alcançados de forma passiva, seria essencial para o desenvolvimento do indivíduo que ele seguisse o conselho de Nietzsche: Se transformar em leão, a fim de matar o dragão, que possui em suas escamas o "tu deves".

Não quero passar aqui uma idéia de que se deve abrir a mente a outras (todas as) perspectivas. Não adianta tentarmos assimilar idéias que contrariem nossa essência ou estágio, pois a idéia não passará de um conjunto de palavras sem valor (eis aí um argumento contra a disciplina). Somente seria saudável reconhecer o caráter efêmero das idéias. Nossos pensamentos, em sua maioria, nada mais são do que um reflexo de nossa identidade ou do estágio no qual no encontramos. Daí decorre que abraçar dogmaticamente alguma idéia é se prender ao passado e impedir o próprio desenvolvimento, porque os pensamentos passivos não são fixos, e é bem comum eles estarem em contradição direta. Justamente por isso o Maniqueísmo impede esse fluxo, porque tende a negar mais ou menos a metade do que recebe.

Poder-se-ia objetar que é escolha do Eu decidir se quer desenvolver-se ou não. E seria plausível tal objeção em nível filosófico. Só que, em nível psicológico, a deliberação do Eu não é assim tão poderosa quanto queremos que seja: O impulso para o desenvolvimento e o equilíbrio continua acontecendo na psique inconsciente. Sobre isso, aliás, psicólogos junguianos fazem uma relação direta entre a psicossomática e a atitude psicológica: mesmo que a escolha do indivíduo seja se fixar num paradigma e nunca mudar, seu "Inconsciente" não aceita isso, do que decorrem problemas psicossomáticos.

Sobre isso, recomendo um vídeo explicativo sobre o tema do Prof. Dr. Waldemar Magaldi:

O juízo de valor sobre uma idéia alcançada de forma passiva deveria ser sempre positivo, embora, mesmo com boa vontade, nem sempre isso seja possível, já que esse tipo de idéia flui do inconsciente com certas mensagens, que podem, por vezes, exibir conteúdos reprimidos ou que nunca foram conscientes. Assim a consciência seria expandida (no caso de o indivíduo conseguir integrar os conteúdos inconscientes à consciência) e mesmo a qualidade de vida seria melhorada (como explicado no vídeo). No entanto, quando um padrão moral toma conta da mente do indivíduo alguns símbolos são negados, e ele se mantém estagnado em seu desenvolvimento, e isso pode ser fatal. Tudo isso por uma moral que, embora possa parecer firme, é tão efêmera quando os paradigmas que vêm e vão. É de suma importância entender que nem sempre pensamentos passivos são equivalentes a algo que precede os atos. Muitas vezes (senão todas) eles são símbolos que nos ocorrem com o objetivo de expandir a consciência.

Daí decorre que se um indivíduo sonha constantemente que está matando pessoas, isso não quer dizer que ele seja um assassino, ou se ele devaneia constantemente sobre outros tipos de coisas "horríveis" isso não significa necessariamente que essas coisas se transformarão em ações: é necessário fazer uma análise pessoal e profunda. Eu recomendo um psicólogo junguiano como auxílio.

Em conclusão, o que eu gostaria de ressaltar é que as nossas idéias são muitas vezes uma busca íntima e que, portanto, não têm nenhuma relação com a busca da "verdade" (presumindo que exista uma verdade externa). Na verdade, nossos pensamentos são diretamente influenciados pelo Inconsciente. Em última análise, se fixar numa idéia é como se fixar um estágio do próprio desenvolvimento, pois as idéias em si se modificam com o desenvolvimento do indivíduo. Isso não é intelectualmente saudável, mas há quem não se importe em ter o hábito de permitir a mudança. Apesar disso, como mostrei com o vídeo, o íntimo está sempre impulsionando o indivíduo a permitir as mudanças necessárias para o seu desenvolvimento, sem as quais ele pode até mesmo adoecer. Isso deixa à cargo das pessoas uma parcela considerável de sua saúde, pois doenças psicossomáticas são fruto da atitude mental do próprio indivíduo.


 
Psicologia - publicado às 12:09 AM 13 comentários
A BIOLOGIA DO PENSAMENTO
sex, 11 de dezembro, 2009
 


    America - You can do magic
Após vermos estudos que indicam que a meditação pode ajudar a combater o vírus da AIDS, veremos agora um cientista afirmar que é a mente que modela a vida das pessoas


Por Mônica Tarantino e Eduardo Araia, para a Revista Planeta

Um respeitado pesquisador de células-tronco, o norte-americano Bruce Lipton rompeu as fronteiras da biologia tradicional ao incorporar a ela conceitos da física quântica. Idéias surgidas a partir dessa ótica, como a equivalência da membrana celular ao "cérebro" das células e o controle que o ambiente exerce sobre as células a partir de suas membranas, confirmam a íntima relação mente-corpo e indicam como podemos usar os pensamentos para assumir o controle de nossa vida. Lipton relata sua extraordinária trajetória em "A Biologia da Crença" (Ed. Butterfly), tema da entrevista a seguir.



    Em A Biologia da Crença, Lipton explica a íntima relação entre mente e corpo e o poder do pensamento na cura
PLANETA - O que é a "nova biologia" a que o senhor se refere em seu livro?
Bruce Lipton - Quando introduzi esses conceitos, em 1980, quase todos os meus colegas cientistas os consideraram inverossímeis. Mas a profunda revisão que a biologia convencional tem feito desde aquela época a leva hoje às mesmas conclusões a que cheguei 25 anos atrás. Os cientistas sabem que os genes não controlam a vida, mas a maior parte da imprensa ainda informa ao povo o contrário. As pessoas atribuem inicialmente suas deficiências e doenças a disfunções genéticas. As crenças sobre os genes levam-nas a se ver como "vítimas" da hereditariedade. Os biólogos convencionais ainda consideram que o núcleo (o componente interno da célula que contém os genes) "controla" a vida, uma idéia que enfatiza os genes como o fator primário desse controle. Já a nova biologia conclui que a membrana celular (a "pele" da célula) é a estrutura que primariamente "controla" o comportamento e a genética de um organismo. A membrana contém os interruptores moleculares que regulam as funções de uma célula em resposta a sinais do ambiente. Para exemplificar: um interruptor de luz pode ser usado para ligá-la ou desligá-la. O interruptor "controla" a luz? Não, já que ele é controlado pela pessoa que o aciona. Um interruptor de membrana é análogo a um interruptor de luz quando liga ou desliga uma função celular, ou a leitura de um gene - mas ele é, de fato, ativado por um sinal do ambiente. A nova biologia enfatiza o ambiente como o controle primordial na biologia.

Sua teoria também está relacionada à física quântica...
Pela medicina convencional, os "mecanismos" físicos que controlam a biologia se baseiam na mecânica newtoniana, a qual enfatiza o reino material (átomos e moléculas). Já a nova biologia considera que os mecanismos da célula são controlados pela mecânica quântica. Ela se concentra no papel das forças de energia invisíveis que formam, coletivamente, campos integrados e interdependentes. Para a mecânica quântica, as forças invisíveis em movimento nos campos são os fatores fundamentais que modelam a matéria. Os cientistas também reconhecem que as moléculas do corpo são controladas por freqüências de energia vibracional, de forma que a luz, o som e outras energias eletromagnéticas influenciam profundamente todas as funções da vida. Entre as forças energéticas que controlam a vida estão os campos eletromagnéticos gerados pela mente. Na biologia convencional, a ação da mente não é incorporada à compreensão da vida. Por isso, é uma surpresa a medicina reconhecer que o efeito placebo responde por pelo menos um terço das curas médicas, incluindo cirurgias. Ele ocorre quando alguém sara devido à sua crença de que um remédio ou procedimento médico vai curá-lo, mesmo se o medicamento for uma pílula de açúcar ou o procedimento for uma impostura. A nova biologia ressalta o papel da mente como o fator primordial a influenciar a saúde. Nessa realidade, uma vez que controlamos nossos pensamentos, tornamo-nos mestres de nossa vida, e não vítimas dos genes.

Em que a nova biologia difere do darwinismo?
Ela frisa que a evolução não é conduzida pelos mecanismos sublinhados na biologia darwiniana. A teoria de Darwin oferece dois passos básicos para explicar como a evolução ocorreu:
1) mutação aleatória, a crença de que as mutações genéticas são randômicas e não influenciadas pelo meio ambiente - a evolução é conduzida por "acidentes";
2) seleção natural, na qual a natureza elimina os organismos mais fracos numa "luta" pela existência, na qual há vencedores e perdedores.
Novas descobertas oferecem uma imagem diferente. Em 1988, uma pesquisa revelou que, quando estressados, os organismos têm mecanismos de adaptação molecular para selecionar genes e alterar seu código genético. Ou seja, eles podem mudar sua genética em resposta a experiências ambientais. Outros estudos mostram que a biosfera (todos os animais e plantas) é uma gigantesca comunidade integrada que se baseia em uma cooperação das espécies. A natureza não se importa com indivíduos numa espécie, mas com o que a espécie como um todo está fazendo para o ambiente.
Segundo a nova biologia, a evolução:
1) não é um acidente;
2) baseia-se em cooperação.
Uma teoria mais recente sobre o tema ressaltaria a natureza da harmonia e da comunidade como uma força motriz por trás da evolução.


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Ciência - publicado às 1:04 AM 72 comentários
MEDITAÇÃO DESACELERA O AVANÇO DA AIDS
sáb, 5 de dezembro, 2009
 


A meditação pode brecar o avanço da Aids depois de apenas algumas semanas de prática, talvez por ter influência no sistema imunológico do paciente, afirmaram pesquisadores norte-americanos da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

As células CD4 T ou, mais tecnicamente, linfócitos CD4+ T, são os "cérebros" do sistema imunológico, coordenando sua atividade quando o corpo se encontra sob ataque. Elas são também as células que são atacadas pelo HIV, o devastador vírus que causa a AIDS e que já infectou perto de 40 milhões de pessoas ao redor do mundo. O vírus lentamente destrói as células CD4 T, enfraquecendo o sistema imunológico.

Mas o sistema imunológico dos pacientes portadores de HIV/AIDS se depara também com um outro inimigo - o estresse, que pode acelerar o declínio das células CD4 T.

Agora, pesquisadores da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, anunciaram que a prática da meditação da consciência plena parou o declínio das células CD4 T em pacientes HIV-positivos sofrendo de estresse, diminuindo a progressão da doença. O estudo acaba de ser disponibilizado na edição online do jornal médico Brain, Behavior, and Immunity.

Meditação da consciência plena

A meditação da consciência plena é a prática budista de induzir uma consciência aberta e receptiva ao momento presente, evitando pensar no passado ou se preocupar com o futuro. Acredita-se que ela reduza o estresse e melhore a saúde em pacientes sofrendo de diversas doenças. "Este estudo oferece a primeira indicação de que lidar com o estresse por meio do treinamento da meditação da consciência plena pode ter um impacto direto em desacelerar a progressão do HIV," diz o coordenador do estudo, David Creswell. "O programa da consciência plena é um tratamento em grupo e de baixo custo, e se a descoberta inicial for replicada em amostras maiores, é possível que esses treinamentos possam ser utilizados como um poderoso tratamento complementar para os doentes pelo HIV, juntamente com as outras medicações."

Quanto mais meditação, melhores os resultados

Creswell ressalta também que os pesquisadores descobriram uma relação "dose-resposta" entre as sessões de meditação e as células CD4 T, significando que, segundo ele, "quanto maior o número de sessões de meditação que as pessoas participaram, maior é o nível das células CD4 T na conclusão da pesquisa". Os pesquisadores também ficaram entusiasmados porque os efeitos globais das células CD4 T permaneceram mesmo depois do controle de vários fatores que poderiam ter influenciado nos resultados do estudo. Mais notavelmente, eles descobriram efeitos protetores equivalentes para os participantes estando eles sujeitos ou não a medicações anti-retrovirais para o HIV. Mesmo participantes tomando medicações contra o HIV apresentaram o efeito de manutenção das células CD4 T depois das sessões de meditação da mente alerta, diz Creswell. A equipe examinou 67 adultos HIV-positivos da área de Los Angeles, 48 dos quais realizaram algum tipo de meditação. A maior parte deles tendia a conviver com rotinas bastante estressantes, afirmou Creswell. "A maioria dos participantes do estudo era do sexo masculino, afro-americanos, homossexuais e desempregados e não estavam tomando remédios anti-retrovirais".

Há evidências vindas de outros estudos que mostram que programas comportamentais de tratamento do estresse podem estacionar o declínio do HIV em pessoas HIV-positivas, acrescenta Creswell. E, embora tenha havido um aumento exponencial no interesse pela prática da meditação da consciência plena no ocidente ao longo dos últimos 10 anos, disse ele, este é o primeiro estudo que demonstra um efeito protetor do treinamento da meditação da mente alerta contra o HIV. A fim de entender os benefícios à saúde da meditação da consciência plena, Creswell e seus colegas estão agora examinando os mecanismos por meio dos quais a meditação reduz o estresse, utilizando imagens do cérebro, genética e medições do sistema imunológico. "Dados os benefícios da meditação sobre a redução do estresse, estas descobertas indicam que ela pode ter um efeito protetor da saúde não apenas em pessoas com HIV, mas em sujeitos que sofrem de estresse diário," diz Creswell.


Ler em espanhol (por Teresa)


Fontes:
Diário da Saúde;
Teorema blog


 
Budismo, Ciência, Internacional - publicado às 12:08 AM 49 comentários
FASCISMO ETERNO
ter, 1 de dezembro, 2009
 


O blog "PÁGINA DO E" colocou um texto enorme do escritor italiano Umberto Eco, produzido originalmente para uma conferência proferida na Universidade Columbia, em abril de 1995, numa celebração da liberação da Europa. No texto completo, que pode ser lido lá no blog, Eco fala de suas lembranças de menino, que cresceu sob o fascismo de Benito Mussolini, e é muito interessante pra quem gosta de 2ª guerra mundial. Já na segunda parte, que está logo abaixo, ele apresenta uma lista de características que julga típicas daquilo que chama de "Ur-Fascismo", ou "fascismo eterno" - e que continua, segundo ele, a ser uma ameaça nos dias de hoje. Prestem atenção e vejam se não reconhecem características de um certo governo e uma certa religião:


O fascismo não era uma ideologia monolítica, mas antes uma colagem de diversas idéias políticas e filosóficas, uma colméia de contradições. É possível conceber um movimento totalitário que consiga juntar monarquia e revolução, exército real e milícia pessoal de Mussolini, os privilégios concedidos à Igreja e uma educação estatal que exaltava a violência e o livre mercado? O partido fascista nasceu proclamando sua nova ordem revolucionária, mas era financiado pelos proprietários de terras mais conservadores, que esperavam uma contra-revolução. O fascismo do começo era republicano e sobreviveu durante vinte anos proclamando sua lealdade à família real, permitindo que um "duce" puxasse as cordinhas de um "rei", a quem ofereceu até o título de "imperador". Mas quando, em 1943, o rei despediu Mussolini, o partido reapareceu dois meses depois, com a ajuda dos alemães, sob a bandeira de uma república "social", reciclando sua velha partitura revolucionária, enriquecida de acentuações quase jacobinas.

A despeito dessa confusão, considero possível indicar uma lista de características típicas daquilo que eu gostaria de chamar de "Ur-Fascismo", ou "fascismo eterno". Tais características não podem ser reunidas em um sistema; muitas se contradizem entre si e são típicas de outras formas de despotismo ou fanatismo. Mas é suficiente que uma delas se apresente para fazer com que se forme uma nebulosa fascista.

1. A primeira característica de um Ur-Fascismo é o culto da tradição. O tradicionalismo é mais velho que o fascismo. Não somente foi típico do pensamento contra-reformista católico depois da Revolução Francesa, mas nasceu no final da idade helenística como uma reação ao racionalismo grego clássico.

Na bacia do Mediterrâneo, povos de religiões diversas (todas aceitas com indulgência pelo Panteon romano) começaram a sonhar com uma revelação recebida na aurora da história humana. Essa revelação permaneceu longo tempo escondida sob o véu de línguas então esquecidas. Havia sido confiada aos hieróglifos egípcios, às runas dos celtas, aos textos sacros, ainda desconhecidos, das religiões asiáticas.

Essa nova cultura tinha que ser sincretista. "Sincretismo" não é somente, como indicam os dicionários, a combinação de formas diversas de crenças ou práticas. Uma combinação assim deve tolerar contradições. Todas as mensagens originais contêm um germe de sabedoria e, quando parecem dizer coisas diferentes ou incompatíveis, é apenas porque todas aludem, alegoricamente, a alguma verdade primitiva.

Como consequência, não pode existir avanço do saber. A verdade já foi anunciada de uma vez por todas, e só podemos continuar a interpretar sua obscura mensagem. É suficiente observar o ideário de qualquer movimento fascista para encontrar os principais pensadores tradicionalistas. A gnose nazista nutria-se de elementos tradicionalistas, sincretistas ocultos. A mais importante fonte teórica da nova direita italiana Julius Evola, misturava o Graal com os Protocolos dos Sábios de Sião, a alquimia com o Sacro Império Romano. O próprio fato de que, para demonstrar sua abertura mental, a direita italiana tenha recentemente ampliado seu ideário juntando De Maistre, Guenon e Gramsci é uma prova evidente de sincretismo.

Se remexerem nas prateleiras que nas livrarias americanas trazem a indicação "New Age", irão encontrar até mesmo Santo Agostinho e, que eu saiba, ele não era fascista. Mas o próprio fato de juntar Santo Agostinho e Stonehenge, isto é um sintoma de Ur-Fascismo.

2. O tradicionalismo implica a recusa da modernidade. Tanto os fascistas como os nazistas adoravam a tecnologia, enquanto os tradicionalistas em geral recusam a tecnologia como negação dos valores espirituais tradicionais. Contudo, embora o nazismo tivesse orgulho de seus sucessos industriais, seu elogio da modernidade era apenas o aspecto superficial de uma ideologia baseada no "sangue" e na "terra" (Blut und Boden). A recusa do mundo moderno era camuflada como condenação do modo de vida capitalista, mas referia-se principalmente à rejeição do espírito de 1789 (ou 1776, obviamente). O iluminismo, a idade da Razão eram vistos como o início da depravação moderna. Nesse sentido, o Ur-Fascismo pode ser definido como "irracionalismo".


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Política - publicado às 6:22 PM 30 comentários