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Os judeus vinham especificamente pra Pernambuco por conta da colonização holandesa, que era tolerante com a religião alheia (ao contrário da portuguesa, que era dominada pelos interesses da Igreja Católica) especialmente porque isso era bom para os negócios. Isso atraiu os judeus portugueses (sefardins) e alguns poucos migrados da Polônia e da Alemanha (askenazins), que logo vieram tentar a sorte em terras do Nordeste do Brasil ou, como anunciavam eles, na Terra do Açúcar. O Recife de então transformou-se numa verdadeira Torre de Babel. As suas ruas, praças, templos e bodegas foram tomadas por holandeses, noruegueses, belgas, flamengos, ingleses, alemães, escoceses, dinamarqueses e judeus; Uma verdadeira metrópole, que, se tivesse continuado assim por uns 100 anos, a "São Paulo" do Brasil provavelmente seria Recife.
Só que, quando os holandeses foram expulsos de Pernambuco (com a ajuda de Nossa Senhora), os portugueses fizeram um cerco aos judeus, que, sem comida, tiveram apenas 3 meses pra vender tudo o que tinham e partir em alguns navios. Parte foi para a Holanda, parte pro Caribe e parte foi pra Nova Amsterdã, onde ajudaram a fundar (com suor e sangue) a cidade de Nova York (a base do que seriam os Estados Unidos das Américas).
Os judeus que ficaram foram convertidos à força, e adotaram novos nomes para poder permanecer na América Lusitana, onde o fanatismo religioso era menor, tanto pelo relaxamento dos costumes, como pela necessidade de proteger a colonização. Apesar dessa liberalidade relativa, contudo, a Inquisição não seguia um traçado retilíneo, apresentando sempre marchas e contra-marchas. Desse modo, jamais deixou de estender seus olhos e garras à colônia hebraica brasileira, tendo enviado mais de 500 pessoas a Portugal, e punindo até mesmo gente da Igreja que intercedesse por judeus, como fez com o Padre Antônio Vieira.
Mas esse preâmbulo é só pra ilustrar que vida de judeu não era fácil (mesmo num lugar oficialmente tolerante), mas esse povo nunca perdeu a alegria de viver. Me contaram no festival que consta na tradição judaica que a única coisa que Deus vai lhe cobrar "lá em cima" são as oportunidades que você teve pra se alegrar e não o fez.
Deve ser por isso que os judeus têm tantas festas religiosas ("nossa" Páscoa, inclusive). E a música mais conhecida é a Nagila Hava, que significa Alegremo-nos.
O hassidismo, movimento judaico mais recente que data do século XVIII, ressalta a alegria da onipresença de Deus. Reconhece a presença de Deus nas mais triviais atividades do corpo, a louvação a Deus aparece nas cerimônias sacras e também nas atividades "profanas" como as refeições, o sono, a união sexual, o canto e a dança. Crêem que a intenção ao praticar o ato é o mais importante, e se em suas atividades a pessoa visar o devekut o resultado será o êxtase. Denominam esta prática de yeridah le-tsorehk aliyah, a descida com finalidade de ascensão.
Referência:
Fundaj.gov.br