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Assim como o Dharma (que, no caso, se refere ao conjunto de ensinamentos e tradições do budismo para alcançar a iluminação) é apenas a ferramenta (jangada) feita com elementos banais, que muitos tomariam como lixo, muito do próprio ensinamento (no seu caráter individual, como as parábolas) pode ser encarado pela mesma ótica: elementos banais, costumeiros, que são transformados pelo autor em um ensinamento transcendente. Muitos Mestres (reais ou não) nos presentearam com belas parábolas, tais como Krishna, Osho, Mirdad, "O profeta" de Gibran e Zaratustra. Mas, na minha opinião, o maior alquimista de todos, aquele que melhor pegou os elementos circundantes (cenários, objetos, gestos, palavras e respostas) e os transformou em ouro, foi Jesus. Seus ensinamentos são de uma simplicidade que cativa os mais simples, e profundidade que encanta os estudiosos. Sua "jangada" pode parecer tosca à primeira vista. Fraca e balouçante ao sabor da correnteza, sua construção é tão pouco ortodoxa que muitos não aceitam embarcar nela, embora queiram atravessar o rio. Mas sua trama, se analisada de perto, é tão delicada e ao mesmo tempo tão forte (como a teia de aranha) que esta jangada permanece ativa até os dias atuais.