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2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO
sáb, 29 de agosto, 2009
 


O filme 2001: Uma Odisséia no Espaço é um marco do cinema em muitos aspectos: visual, artístico, filosófico, cinematográfico, publicitário, sociológico, etc. Para muitos críticos é considerado um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos. E sua fama não é à toa. Escrito, dirigido e produzido durante 5 anos por Stanley Kubrick, 2001 foi lançado em abril de 1968, a tempo de predatar em mais de um 1 ano a ida do Homem à Lua com o máximo de fidelidade possível (não há som das naves, já que o som não se propaga no espaço). Foi baseado nas obras de Arthur C. Clarke, The Sentinel e 2001: A Space Odyssey, esta última escrita simultaneamente às filmagens: Enquanto Kubrick trabalhava em cima do roteiro, Clarke escrevia o livro, com ambos trocando idéias e opiniões durante o trabalho.

Kubrick foi uma influência para os mais famosos diretores, entre eles Martin Scorsese, Steven Spielberg e Ridley Scott. Diz-se que Spielberg passou muitas horas assistindo 2001 enquanto filmava "Contatos Imediatos do 3º grau". James Cameron chama 2001 de "um filme que não deveria funcionar, mas funciona". Star Wars tem elementos chupados diretamente de 2001, como a plataforma de chegada da Estrela da Morte, as naves meio sujas (como se tivessem sido usadas realmente), a cápsula de fuga dos andróides, a respiração amplificada de Darth Vader e a abertura com o cruzador imperial enchendo a tela, que nos remete diretamente à primeira aparição da nave espacial Discovery.




EFEITOS ESPECIAIS

Numa era onde não existia computadores pra fazer efeitos visuais, os cineastas tinham de suar a camisa fazendo efeitos ópticos com truques de múltipla exposição no negativo. Kubrick se envolveu diretamente nesses efeitos, mas o gênio por trás deles foi Douglas Trumbull, tanto que foi ele quem levou o Oscar de Melhores Efeitos Especiais de 1968. Foi o único Oscar que o filme 2001 ganhou (concorria também a Melhor Direção de Arte, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Diretor).

Com tempo e dinheiro ao seu dispor, Kubrick sempre foi perfeccionista na busca da melhor imagem possível, e no caso dos efeitos ópticos ele foi ao extremo de fazer as exposições no negativo ORIGINAL, tendo alguns negativos levado mais de um ano na geladeira pra ser exposto novamente, o que significa que um errinho e lá se vai 1 ano perdido. O resultado é uma imagem brilhante, inclusive para os padrões de hoje.


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5 estrelas, Cinema - publicado às 2:52 AM 59 comentários
GIBRAN: DO CONHECIMENTO E DO ENSINO
qua, 26 de agosto, 2009
 


    Renaissance - Carpet of the Sun
Por Gibran Khalil Gibran (livro "O profeta")

E um homem disse: "Fala-nos do conhecimento de si próprio."
E ele respondeu, dizendo:
"Vosso coração conhece em silêncio os segredos dos dias e das noites;
Mas vossos ouvidos anseiam por ouvir o que vosso coração sabe.
Desejais conhecer em palavras aquilo que sempre conhecestes em pensamento.

Quereis tocar com os dedos o corpo nu de vossos sonhos. E é bom que o desejeis.

A nascente secreta de vossa alma precisa brotar e correr, murmurando para o mar;
E o tesouro de vossas profundezas ilimitadas precisa revelar-se a vossos olhos.
Mas não useis balanças para pesar vossos tesouros desconhecidos;
E não procureis explorar as profundidades de vosso conhecimento com uma vara ou uma sonda,
Porque o Eu é um mar sem limites e sem medidas.

Não digais: 'encontrei a verdade.' Dizei de preferência 'Encontrei uma verdade.'
Não digais: 'Encontrei o caminho da alma.' Dizei de preferência: 'Encontrei a alma andando em meu caminho.'
Porque a alma anda por todos os caminhos.
A alma não marcha em linha reta nem cresce como um junco.
A alma desabrocha, qual um lótus de inúmeras pétalas."


Então, um professor disse: "Fala-nos do ensino."
E ele respondeu, dizendo:
"Homem algum poderá revelar-vos senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento.
O mestre que caminha à sombra do templo, rodeado de discípulos, não dá de sua sabedoria, mas sim de sua fé e de sua ternura.
Se ele for verdadeiramente sábio, não vos convidará a entrar na mansão de seu saber, mas vos conduzirá antes ao limiar de vossa própria mente.

O astrônomo poderá falar-vos de sua compreensão do espaço, mas não vos poderá dar a sua compreensão.
O músico poderá cantar para vós o ritmo que existe em todo o universo, mas não vos poderá dar o ouvido que capta a melodia, nem a voz que a repete.
E o versado na ciência dos números poderá falar-vos do mundo dos pesos e das medidas, mas não vos poderá levar até lá.

Porque a visão de um homem não empresta suas asas a outro homem.

E assim como cada um de vós se mantém isolado na consciência de Deus, assim cada um deve ter sua própria compreensão de Deus e sua própria interpretação das coisas da terra."


 
Holismo, Sufismo - publicado às 11:51 PM 18 comentários
POR TRÁS DA GRIPE SUÍNA
qui, 13 de agosto, 2009
 


Quando o vírus da gripe suína H1N1 se espalhou pelo mundo, aparece uma droga que promete resolver a questão, o agora famoso Tamiflu. Quem detém a patente e comercialização desse remédio? Os laboratórios Roche e a empresa Gilead Sciences. E quem é o chefão da Gilead? Nada menos que Donald Rumsfeld, ex-secretário de Defesa do governo Bush, um dos ideários da invasão do Iraque.

Em 2005, quando a mídia pulava feito pipoca divulgando o "pânico" mundial da gripe aviária (H5N1), a administração Bush determinou a vacinação de todos os soldados que se encontravam fora do país. O próprio Rumsfeld fez o anúncio da compra pelo governo de U$ 1 bilhão em doses do remédio. Dias depois, a Casa Branca enviou um pedido ao Congresso dos EUA para a compra de mais U$ 2 bilhões em estoques do Tamiflu. Com isso, sua venda passou de 254 milhões em 2004 para mais de 1 bilhão em 2005.

Segundo dados de abril de 2009, da Organização Mundial de Saúde, a gripe aviária matou em todo o planeta 257 pessoas. A gripe comum mata, em média 500 mil por ano. O Rumsfeld ex-diretor presidente da Gilead certamente agradeceu ao Rumsfeld então secretário de Defesa.

O Tamiflu era até 1996 propriedade da Gilead Sciences Inc., empresa que nesse ano vendeu sua patente aos laboratórios Roche, e sabe quem já foi seu presidente? O ex-secretário de defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, que ainda hoje é um dos seus principais acionistas. Enquanto se falava sobre a gripe aviária, a Gilead Sciences Inc. quis recuperar o Tamiflu, alegando que a Roche não fazia esforços suficientes para fabricá-lo e comercializá-lo. Ambas as empresas se colocaram a "negociar" e chegaram em um acordo em tempo recorde, constituído de dois comitês, um encarregado de coordenar a fabricação mundial do remédio e decidir autorizações para terceiros fabricarem, e outro para coordenar a comercialização das vendas aos mercados mais importantes, incluindo os Estados Unidos. Além do que, a Roche pagou a Gilead Sciences Inc, algumas "regalias" retroativas no valor de 62,5 milhões de dólares. Sem contar que a Gilead ficou com mais 18,2 milhões de dólares extra por vendas superiores às contabilizadas entre 2001 e 2003.

E o que Donald Rumsfeld tem com tudo isto? Absolutamente nada. Segundo o comunicado emitido no mês de outubro pelo Pentágono, o secretário de defesa dos Estados Unidos não interviu nas decisões que tomou o governo de seus amigos Bush e o vice-presidente Dick Cheney sobre as medidas preventivas adotadas para prevenir uma pandemia. O comunicado afirma que ele se absteve, que não teve nada com a decisão da administração americana em apoiar e aconselhar o uso do Tamiflu no mundo todo. E claro nós acreditamos, assim como ele assegurou solenemente que no Iraque havia armas de destruição em massa.

Além disso, seu nome já apareceu junto a uma vacinação massiva contra uma suposta gripe durante a administração de Gerald Ford, na década de 70, que teve como resultado mais de 50 mortes por causa dos efeitos colaterais. Ou quando a FDA aprovou o "aspartame", três meses após Rumsfeld incorporar-se ao gabinete de Ronald Reagan (mesmo que nos dez anos anteriores de estudos ninguém havia tomado qualquer decisão). Só alguém muito "mal intencionado" acreditaria que existiu um lobby, só porque um pouco antes de Rumsfeld entrar para o governo americano ele era presidente do laboratório fabricante do "aspartame". E creio que tampouco ele teve algo a ver na compra de milhares de Vistide, remédio adquirido em massa pelo Pentágono para evitar efeitos colaterais da Varíola, e que foi usado nos soldados antes deles embarcarem para o Iraque. É preciso dizer que o Vistide também era produto da Gilead Sciences Inc.?


Ler em espanhol (por Teresa)


Fontes: Artigo de José A. Campoy;
O homem da guerra;
A indústria do medo


 
Internacional, Política - publicado às 2:15 AM 142 comentários
JUNG: PEGANDO BUDA PRA CRISTO
ter, 11 de agosto, 2009
 


    Ravi Shankar - Vandanaa Trayee (e Guru mantra)


Na Índia encontrei-me pela primeira vez sob a influência direta de uma civilização estrangeira altamente diferenciada. O que me preocupou acima de tudo foi o problema da natureza psicológica do mal. Fiquei profundamente impressionado com a forma como esse problema se integra na vida do espírito indiano e, através desta constatação, adquiri uma nova concepção. Analogamente, conversando com os chineses cultos, sempre fiquei impressionado em ver que era possível integrar aquilo que é considerado "mal", sem por isso "passar vergonha". Entre nós, no Ocidente, não ocorre o mesmo. Para um oriental, o problema moral não parece ocupar o primeiro plano, tal como ocorre conosco. Para ele, pertinentemente, o bem e o mal são integrados na natureza e, em suma, são apenas diferenças de grau de um único e mesmo fenômeno.

Espantava-me o fato de que a espiritualidade indiana contivesse tanto o bem como o mal. O cristão aspira pelo bem e sucumbe ao mal, o indiano, pelo contrário, sente-se fora do bem e do mal, ou procura obter esse estado pela meditação ou a ioga. Neste ponto, no entanto, é que surge minha objeção: numa tal atitude, nem o bem, nem o mal têm contornos próprios e isso leva a uma certa inércia. Ninguem acredita verdadeiramente no mal, ninguém acredita verdadeiramente no bem. Bem ou mal significam, no máximo, o que é o meu bem ou o meu mal, isto é, o que me parece ser bem ou mal. Poder-se-ia dizer, paradoxalmente, que a espiritualidade indiana é desprovida tanto do mal como do bem, ou, ainda, que se acha de tal forma oprimida pelos contrários que precisa a qualquer custo do Nirdvandva, isto é, da liberação dos contrastes e das dez mil coisas.

A meta do indiano não é atingir a perfeição moral, mas sim o estado de Nirdvandva. Quer livrar-se da natureza, e por conseguinte atingir pela meditação o estado sem imagens, o estado do vazio. Eu, pelo contrário, tendo a manter-me na contemplação viva da natureza e das imagens psíquicas, não quero desembaraçar-me nem dos homens nem de mim mesmo, nem da natureza, pois tudo isso representa, a meus olhos, uma indescritível maravilha. A natureza, a alma e vida me aparecem como uma expansão do divino. O que mais poderia desejar? Para mim, o sentido supremo do ser consiste no fato de que isso é, e não o fato de que isso não é ou não é mais.

Para mim não há liberação à tout prix (a todo o custo). Não poderia desembaraçar-me de algo que não possuo, que não fiz, nem vivi. Uma liberação real só é possível se fiz o que poderia fazer, se me entreguei totalmente a isso, ou se tomei totalmente parte nisso. Se me furtar a essa participação, amputarei de algum modo a parte de minha alma que a isso corresponde. O homem que não atravessa o inferno de suas paixões também não as supera. Elas se mudam para a casa vizinha e poderão atear o fogo que atingirá sua casa sem que ele perceba. Se abandonarmos, deixarmos de lado, e de algum modo esquecermo-nos excessivamente de algo, correremos o risco de vê-lo reaparecer com uma violência redobrada.

Em Konarak (Orissa), encontrei um pandit que me guiou e instruiu por ocasião de uma visita ao templo e ao grande "Templo-carro". Da base ao cume o pagode é coberto de esculturas obscenas e refinadas. Conversamos demoradamente sobre esse fato insólito; meu guia explicou que se tratava de um meio de atingir a espiritualização. Objetei - mostrando um grupo de camponeses jovens que olhavam essas maravilhas, de boca aberta - que eles não pareciam a caminho da espiritualização, mas que se compraziam em fantasias sexuais. Ao que meu interlocutor respondeu: "Mas é justamente disso que se trata! Como poderiam eles se espiritualizar, se não realizassem primeiro o seu carma? As imagens obscenas aí estão para lembrar-lhes seu dharma (lei); de outro modo, esses inconscientes poderiam esquecê-lo!"

A colina de Sânchi representava para mim algo de central. Lá, o budismo revelou-se a mim numa nova realidade. Compreendi a vida do Buda como a realidade do si-mesmo que penetrara uma vida pessoal e a reivindicara. Para o Buda, o si-mesmo está acima de todos os deuses. Ele representa a essência da existência humana e do mundo em geral. Enquanto unus mundus, ele engloba tanto o aspecto do ser em si, como aquele que é reconhecido e sem o qual não há mundo. O Buda certamente viu e compreendeu a dignidade cosmogônica da consciência humana; por isso via nitidamente que se alguém conseguisse extinguir a luz da consciência, o mundo se afundaria no nada. O mérito imortal de Schopenhauer foi o de ter compreendido ou redescoberto esse fato.

Cristo também - como o Buda - é uma encarnação do si-mesmo, mas num sentido muito diferente. Ambos dominaram o mundo em si mesmos: o Buda, poder-se-ia dizer, mediante uma compreensão racional; o Cristo, tornando-se vítima segundo o destino; no cristianismo, o principal é sofrer, enquanto que no budismo o mais importante é contemplar e fazer. Um e outro são justos, mas no sentido hindu o homem mais completo é o Buda. Ele é uma personalidade histórica e, portanto, mais compreensível para o homem. O Cristo é, ao mesmo tempo, homem histórico e Deus, e, por conseguinte, mais dificilmente acessível. No fundo, ele sabia apenas que devia sacrificar-se, tal como lhe fora imposto do fundo de seu ser. Seu sacrifício aconteceu para ele tal como um ato do destino. Buda agiu movido pelo conhecimento, viveu sua vida e morreu em idade avançada. É provável que a atividade de Cristo, enquanto Cristo, se tenha desenrolado em pouco tempo.

Mais tarde, produziu-se no budismo a mesma transformação que no cristianismo: Buda tornou-se então a imago da realização do si-mesmo, um modelo que se imita, pois, como disse ele, todo indivíduo que vence a cadeia dos nidanas pode tornar-se um iluminado, um Buda. Acontece o mesmo com o cristianismo. Cristo é um modelo que vive em cada cristão, expressão de sua personalidade total. Mas a evolução histórica conduziu à imitatio Christi, segundo a qual o indivíduo não segue o caminho de seu próprio destino para a totalidade, mas, pelo contrário, tenta imitar o caminho que Cristo seguiu. Da mesma forma, no oriente isso conduziu a uma fiel imitação do Buda. O fato de que o Buda se tenha tornado um modelo a ser imitado era, em si, uma debilitação de sua idéia, exatamente como a imitatio Christi é uma atecipação da detenção fatal da evolução da idéia cristã. Buda, pela virtude de sua compreensão, elevava-se acima dos deuses do bramanismo; do mesmo modo, Cristo podia gritar ao judeus: "Vois sois deuses!" (João, 10:34); mas os homens foram incapazes de compreender o sentido dessas palavras. Pelo contrário: o Ocidente chamado "cristão" caminha a passos de gigante para a possibilidade de destruir o mundo, em lugar de construir um mundo novo.

Carl Gustav Jung; Memórias, sonhos e reflexões


 
Budismo, Cristianismo, Hinduísmo - publicado às 12:21 AM 30 comentários
MIRDAD: DA MORTE
sex, 7 de agosto, 2009
 


    Elomar - Cantiga do Estradar
Em março de 2004 eu estava lendo ao mesmo tempo "Espaço-tempo e além" (sobre física quântica) e "O Livro de Mirdad", e por uma questão de sincronicidade vi o mesmo tema por dois ângulos diferentes, mas assustadoramente convergentes. Por isso escrevi os dois posts em sequência, naquele ano, e repito aqui.

Por Mikhaïl Naimy

Teu pai não está morto, Himbal. Nem estão mortas ainda a sua forma e a sua sombra. Mas estão mortos, verdadeiramente mortos, os teus sentidos para a forma e a sombra alteradas de teu pai, pois há formas tão tênues e delicadas, com sombras tão atenuadas que os olhos grosseiros do homem não as podem divisar.

A sombra de um cedro na floresta não é a mesma que a de um cedro que se tornou mastro de um navio, ou pilar de um templo, ou cadafalso de uma forca. Nem é a sombra daquele cedro a mesma ao Sol e à luz das estrelas. No entanto, aquele cedro, não importa quanto haja sido transformado, vive como um cedro, embora os outros cedros da floresta já o não reconheçam mais como irmão.

Pode o bicho de seda que está sobre a folha reconhecer a irmã na crisálida que se encontra adormecida no casulo de seda? Ou pode esta reconhecer sua irmã na borboleta da seda que voa?
Podem os vapores no ar, ou as águas no mar, reconhecer como irmãos e irmãs os pingentes de gelo na caverna da montanha?
Pode a Terra reconhecer como irmão o meteoro que cai sobre ela das profundezas do Espaço?
Pode o carvalho ver-se a si mesmo na bolota?

Devido ao fato de teu pai estar agora em uma luz à qual os teus olhos não estão acostumados e em uma forma que não podes perceber, dizes que teu pai já não existe. Mas o eu material do Homem, não importa quanto haja sido modificado e para onde tenha sido transportado, sempre projeta uma sombra até que se haja dissolvido no Eu-Divino do Homem.

Um pedaço de madeira - seja ele hoje um galho verde na árvore ou uma cavilha na parede amanhã - continua a ser madeira e a mudar de forma, até que seja consumida pelo fogo que há dentro dela. Do mesmo modo o Homem continua a ser homem, quando vivo ou quando morto, até que o Deus que há nele o consuma, o que quer dizer: até que ele compreenda a sua unidade com O Único. Isso porém não se cumpre no ápice de tempo de um piscar de olhos que o homem gosta de chamar de uma vida inteira.


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5 estrelas, Sufismo - publicado às 4:15 PM 17 comentários
ESPAÇO-TEMPO E ALÉM
qua, 5 de agosto, 2009
 


Texto escrito originalmente em março de 2004. Lendo hoje em dia, pude perceber que não está tão coerente quanto eu achava que estava na época, mas ainda gosto das possibilidades que esse post levanta (só não tomem isso como uma teoria pseudo-científica, e sim um ensaio filosófico/metafísico).


Lendo o livro Espaço-tempo e além - que trata de relacionar as idéias filosóficas da humanidade com as idéias científicas do nosso tempo, e que com isso procura explicar física quântica de forma descomplicada - me vieram alguns insights que eu gostaria de compartilhar:

Em 1907 o matemático Hermann Minkowski visualizou as idéias de Einstein sobre a relatividade e representou o espaço-tempo como uma figura (acima), que batizou de "cone de luz". Ela mostra um evento isolado ocorrendo num ponto isolado do espaço-tempo. A partir desse evento, se movermos os olhos para cima, na figura, estaremos vendo as consequências futuras desse evento. Se movermos os olhos para baixo, veremos todos os eventos passados que podem ter influenciado o evento em questão (simbolicamente parece muito com a disposição das cartas do Tarot).

Faço aqui um parêntese científico pra explicar um ponto importante na análise dos cones de luz, que diz respeito à questão da causalidade. Sabemos que todo efeito tem uma causa e isso possui uma estrutura temporal que exige que a causa anteceda ao efeito. Você não pode ganhar na loteria e depois então jogar. O princípio da causalidade exige que a causa (jogar) seja realizada antes do efeito (ganhar). Dizemos então que os eventos causalmente relacionados estão dentro do cone de luz na região do futuro. Isso nos diz que um evento, para ocorrer na natureza, precisa ser tipo-tempo. Dito de outra forma, pontos cuja separação são tipo-tempo estão em comunicação. Na imagem acima, os eventos "A" e "B" (em azul) estão causalmente relacionados: veja que o evento "A" ocorre antes do evento "B" na linha temporal. Mas isso não acontece para pontos que são tipo-espaço. Nesse caso o princípio da causalidade é rompido: na região tipo-espaço você pode encontrar dois fenômenos (causa e efeito) ocorrendo no mesmo instante de tempo "t", como mostra a figura acima. Nela os pontos "A" e "B" (em preto), situados sobre o eixo X, ocorrem no mesmo instante de tempo, pois sua coordenada "t" é a mesma. Isso quer dizer que as informações emitidas por "A", por exemplo, atingem "B" instantaneamente (velocidade infinita), violando o princípio relativístico de que a maior velocidade em que uma informação pode ser transportada é a velocidade da luz. Diz-se então que, se dois pontos x e y são separados por um intervalo tipo-espaço nada que acontece em x pode ter qualquer influência causal direta sobre o que acontece em y. É por isso que nossa área de "percepção" (digamos assim) é em forma de cone, porque estamos limitados pelo "cone do tempo".

Aí começa a brincadeira. SE ficar provado que o pensamento viaja mais rápido que a luz, ele poderia (em tese) circundar essa limitação. Esse efeito é chamado de Onda quântica, e para os entusiastas da física quântica (e seus derivados new-age) é o pensamento (a consciência) que influencia o que está fora do cone (algo que está para nós como um "estado de possibilidades") e o "teleporta" pra dentro, para o que chamamos de "realidade".

Só que o inverso também pode ser verdadeiro. Imagine que não foi seu pensamento que "trouxe" o evento pra cá, mas sim você (e toda a sua realidade) que se deslocou nessa malha para o lugar onde o evento de fato JÁ É realidade (a conexão entre o ato de conhecer um evento e o próprio evento é muito, muito íntima. Então é como se as coisas que SÃO nunca deixaram de ser, e se achamos que elas mudam, na verdade somos NÓS que estamos nos mudando). Seria como uma mudança de percepção.

Dois monges discutiam a respeito da bandeira do templo, que tremulava ao vento. Um deles disse:
- A bandeira que se move.
O outro disse:
- É o vento que se move.
Trocaram ideias e não conseguiam chegar a um acordo. Então Hui-neng, o sexto patriarca, disse:
- Não é a bandeira que se move. Não é o vento que se move. É a mente dos senhores que se move.
Os dois monges ficaram perplexos.

(Koan Zen-Budista)

Então estamos mudando de universo constantemente?

Bem, pelo menos essa é a tese de Everett sobre universos paralelos, onde ele (Everett) decidiu interpretar a onda quântica não como um indicador de probabilidade de alguma coisa ocorrer, mas um indicador do que realmente ocorre. Ou seja, quando você joga uma moeda, em uma realidade ela cai com a cara virada pra cima, em outra com a coroa, e você existe em ambos os universos simultaneamente!

Então, se o pensamento/consciência pode se comunicar com essas outras possibilidades, isso explica os insights, as premonições, as sincronicidades. A pessoa estaria acessando coisas FORA do seu cone. Os espíritos podem então ser consciências que estão deslocadas desse eixo imaginário de eventos no tempo e no espaço, e com essa facilidade alguns poderiam ter acesso aos possíveis eventos passados que ocorreram (ou não) para a concretização da sua realidade atual, e também os possíveis eventos futuros.

A realidade "ordinária" que percebemos não é um universo único, e sim a harmonia de fases dos movimentos através de um número indefinido de universos. Você está surfando por múltiplos universos, e cada um deles (representado pela lâmina do desenho acima) é uma realidade com um número infinito de possibilidades (todas as coisas são possíveis, mas algumas são mais prováveis). Mas não percebemos a transição (do mesmo jeito que você não sente que está rodando junto com a Terra), afinal, sua consciência está sempre em UM ponto, que é sua realidade atual, o AQUI e AGORA.

Imagine esses cones como latas numa prateleira de supermercado. Podemos ver a fileira de latas da frente, mas apenas deduzir que há muitas outras por trás. Todos os que estão na mesma fileira (dimensão) e prateleira (eixo/frequência) estarão compartilhando a mesma ilusão de realidade (por isso não vemos fulano aparecendo e reaparecendo a cada vez que ele faz uma escolha). As fileiras de trás são como uma outra dimensão (no caso, seria a profundidade). Ao morrer (ou dormir, no caso da viagem astral ou sonhos premonitórios) estaríamos jogando nosso foco de consciência para a realidade de outras profundidades.

Leiam também o post "Mirdad: da morte", que traz a mesma perspectiva, mas aplicada de forma poética e espiritualista.


Referência: Conectando-se com o universo (Contém algumas passagens do livro "Espaço-tempo e além");
O conceito de espaço-tempo;
Blogagem coletiva: o cone de luz


 
5 estrelas, Ciência, Metafísica - publicado às 1:02 PM 50 comentários