Saindo da Matrix

  • .
  • <<A ARTE DA SUBLIMAÇÃO  Página principal  GIBRAN: DA AMIZADE>>

    • Categorias

      • 5 estrelas
      • Budismo
      • Ciência
      • Cinema
      • Cristianismo
      • Espiritismo
      • Filosofia
      • Geral
      • Hinduísmo
      • Holismo
      • Internacional
      • Judaísmo
      • Metafísica
      • Pensamentos
      • Política
      • Psicologia
      • Sufismo
      • Taoísmo
      • Ufologia
    • Arquivos

      Página inicial

      Últimos comentários


    • A ARTE DA SUBLIMAÇÃO (parte 2)

      sex, 17 de julho, 2009

      Por Caio Garrido



      O ser humano é dotado de uma série de potencialidades que se desdobram da possibilidade e exclusividade única e inequívoca de se obter prazer via sexualidade. É verdade que o conceito de sexualidade para Freud tem uma conotação ampla, e não podemos nos enganar ou fantasiar sobre isso de maneira inapropriada. O próprio ato de comer pode ser considerado algo vinculado à sexualidade. Mas devemos refletir sobre o assunto e nos perguntar se não é algo profundo pensar se somos somente obra de um instinto de vida interessado apenas em nos propagar, nos remetendo sempre à necessidade sexual, como se qualquer outro prazer ou ato fosse apenas uma benesse disponível "substitutiva" para mitigar o instinto e as pulsões sexuais sempre presentes.

      Segundo o psicanalista Luís Fernando Scozzafave (blog Sinapse Oculta) "A Pulsão sexual não apenas vai ser dirigida para a reprodução e para o ato sexual em si. Há a dinâmica de: 1- Encontrar o 'alvo' , 2- Descarregar a energia (Libido) 3- Repouso". Então essa libido, ora descarregada, ora não, encontra modos de se veicular através de outros meios.

      É certo que muitas de nossas ações são investidas de libido, de um certo teor vindo da sexualidade. É tudo de alguma forma erótico, um instinto de Eros. A arte é de alguma forma erótica também.

      No tocante à fantasia criadora dita por Jung, quando exprimida através da arte, pode assumir uma variada gama de possibilidades. Aí vem uma pergunta difícil: O que pode ser considerado "Arte"?

      O móvel rústico de seu quarto pode ser uma obra de arte. A invenção da roda pode ser arte. Até mesmo o modo que o vendedor de biju no trânsito arranjou para atrair seu cliente pode também pode ser arte. Isso é subjetivo. Bocato, um grande trombonista brasileiro disse uma vez de forma humilde: "Um dia espero estar fazendo arte".

      A Arte não se restringe na sua "arte final", no seu "objeto" idealizado final. Vejamos por exemplo um belo edifício moderno projetado por um arquiteto, junto ao seu engenheiro responsável. A capacidade do engenheiro fazer complexos cálculos com parâmetros extremamente racionais pode ser a fundação para uma obra de arte. Energia sublimada pelo arquiteto em sua criação, e o prédio, em seu acabamento, lapidado pela tinta misturada pelo auxiliar de manutenção, é tudo um processo. A arte ou atividade dita "sublimada" é um processo em que toda a civilização e cultura está envolvida. Apesar disso, muito se discute o valor da arte na contemporaneidade. Talvez porque há de se temer seus conteúdos. Dizem que ela, em suas diversas expressões (música, obras, ciência, literatura, pintura, poesia, etc) é supérflua, isto é, que não existe para nossa sobrevivência. É certo que, para sobrevivermos - e bem - talvez precisemos de muito além de pão. Precisamos de pão e circo. Nossos "instintos" nos obrigam... Nós precisamos de sexo, carinho, amizade, sermos reconhecidos entre nossos pares, precisamos de descanso, de deslumbramento, e de surpresa. (Nosso cérebro é comprometido com a possibilidade de existência de surpresas, é inato ao ser humano essa necessidade).

      Difunde-se a superfluidade da arte. Mas eu me pergunto se o verdadeiro sentido que podemos dar à vida é o de que somos todos "artistas" de alguma forma.

      No nível sutil da vida, o que ocorre quase sempre é uma procura inexpurgável de se encontrar um outro, de se relacionar com o outro. De fazermos da vida um algo compartilhado. O trabalho, como algo aferrado somente à subsistência, vira algo morno com sintomas de podridão. É preciso algo mais. E algo mais movimenta o homem em seus desejos. O vínculo ora desejado, ora rejeitado, tem como padrão a imensa necessidade de estarmos unidos, mesmo quando achamos que estamos sós.

      Voltando à sublimação, os prazeres ou capacidades na vida podem ser mais simples do que se imagina. A capacidade de ver, enxergar, ouvir e pensar já pode ser considerada em seu princípio um ato sublimado ou sublimatório.

      A energia instintiva para a realização da pulsão sexual é limitada em um determinado período de tempo e espaço; sendo assim, a energia psíquica é direcionada para várias atividades humanas. No fundo, a Arte tem uma conotação sexual. Tem, não porque seja usada como substituto da pulsão sexual... Tem conotação "sexual" porque tem o objetivo de atingir o outro. Faz parte do instinto de Eros, é erótico... Seria um "Nú Artístico"... Desnudar-se para o outro ver. Ou pode até ser auto-erótico, se a arte ficar restrita ao olhar do criador.

      Sendo o objetivo deste texto o de apenas refletir sobre o assunto, não convém chegar a conclusões finais, ou saturar os conceitos em construção. Seguindo a pergunta inicial proposta aqui no início desta exposição, acho que todos nós "sublimamos" de alguma forma. Alguns mais, outros menos. Para finalizar, não podemos deixar de citar alguns tremendos "sublimadores": Shakespeare, Beethoven, Paul McCartney, Fernando Pessoa, Buda, Gandhi, Ayrton Senna, Freud, Jung, etc, etc, etc...


      Parte 1




      Gostou? Vote no Saindo da Matrix para o Top Blog 2010
      Tweet
      Psicologia - publicado às 2:51 PM 15 comentários