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JUNG: SUPERIORIDADE MORAL
sex, 29 de maio, 2009
 


    Carter Burwell - Millers Crossing (Acid mix)
Voltei a ler o livro "Psicologia e religião oriental", de Carl Jung, onde ele comenta o Livro Tibetano dos Mortos, entre outros escritos orientais. Mais uma vez seu pensamento se coaduna com o meu, e trata da questão abordada no post Conhecer e trilhar o caminho.

Nos comentários, Jung mostra a impressionante semelhança dos conceitos tibetanos com os conceitos analíticos (desenvolvidos pelo mesmo, sem conhecimento prévio do texto oriental). O que os tibetanos chamam de "espírito" é a psique, "espírito pessoal" é o inconsciente pessoal, enquanto que o "espírito único" é o inconsciente. Isto posto, fica mais fácil apreciar a sabedoria dos antigos, quando diz "Como o espírito único provém do vazio e não tem fundamentos, o espírito pessoal é vazio como o céu. (...) Todas as manifestações são, na realidade, nossas próprias representações, surgidas espontaneamente no espírito". Um belo conselho psicológico ao buscador.

Jung observa que, no Livro Tibetano dos Mortos, o Dharma (a Lei, a Verdade, a direção) não pode existir "senão no espírito". Atribui-se, assim, ao inconsciente todas aquelas virtudes que o Ocidente atribui a Deus. E mostra que o fenômeno da compensação espontânea, que escapa do controle humano, está plenamente de acordo com a expressão "graça" ou "vontade de Deus". Jung chega à conclusão de que isso nos mostra que a introspecção é a única fonte de informação e de direção espirituais.

Outra seção analisada é a que define o espírito como livre da mácula e do mal, e "não associado ao bem". Jung lembra das palavras de Nietzsche: "seiscentos pés para além do bem e do mal". E desenvolve: "Mas as consequências de uma afirmação como esta em geral são ignoradas pelos adeptos da sabedoria oriental. Podemos admirar esta sublime indiferença moral, enquanto estamos instalados em nossas casas, certos dos favores dos deuses. Mas acaso podemos conciliar uma tal atitude com o nosso temperamento e a nossa história, que aqui não entram em linha de conta? Acredito que não. Todos quanto se dedicam à ioga deverão dar provas de sua indiferença moral, não só na posição de quem pratica o mal, mas até mesmo, e em muito maior proporção, na posição de quem o sofre. Como bem sabem os psicólogos, o conflito moral não pode ser resolvido simplesmente com uma declaração de superioridade que toca as raias da desumanidade. Presenciamos, em nossos dias, os exemplos apavorantes do que seja a superioridade do super-homem em relação aos princípios morais. Mas duvido que a libertação oriental, tanto do vício como da virtude, esteja ligada a uma substituição, sob todos os aspectos, de forma que o iogue seja conduzido, para além deste mundo, a um estado de inofensividade tanto ativo, como passivo. Mas suspeito de que qualquer tentativa de desligamento por parte do europeu signifique unicamente a libertação das considerações morais. Por isto, quem quer que se inicie na ioga, deverá estar consciente das amplas e profundas consequências de sua atitude, senão sua aventura espiritual resultará em mero passatempo sem sentido".


Ler em espanhol (por Teresa)


 
Internacional, Psicologia - publicado às 6:32 PM 56 comentários
UFO EM GRAVATÁ
ter, 26 de maio, 2009
 


Desde minha última brincadeira, em outubro, que não tenho visto mais nada no céu, nem satélite, então não pude deixar que eu podia estar na lista negra do Comandante Ashtar Sheran. Ou uma maré de azar. Mas o fato é que domingo (24) fui agraciado com dois avistamentos interessantes, que podem ou ter uma explicação lógica e plausível... ou não. O primeiro foi no Janga, às 17:40, mais ou menos, enquanto conversava com minha mãe sobre uma futura construção. Quando me viro pra falar onde vão ficar as janelas, dou de cara com uma luz amarela no céu, magnitude no mínimo -1, que muito rapidamente começou a ficar pequena e desaparecer, aparentemente num ponto fixo. Olhando no site Heavens Above, vi que pelo menos três satélites se encaixam tanto no horário, quanto na direção, mas não no brilho (nem de perto), enquanto que o único Iridium flare foi às 18:40, então acho que posso especular com uma certa margem de segurança que isso tem uma chance de 60% de ser um OVNI, e 40% de ser um satélite secreto (ainda que numa posição fixa).

O segundo avistamento foi aproximadamente às 19:15h, quando cheguei em casa (em Boa Viagem, perto do aeroporto do Recife). Fui ao banheiro e, enquanto estava lá, fiquei olhando pela janela (um ato reflexo para mim, já que gosto de olhar o céu sempre que posso) uma estrela acima de um prédio, em posição fixa e magnitude 0.60, por aí. Voltei minha atenção pra o banheiro por alguns segundos (5 seg, no máximo), depois pra janela de novo, e a tal estrela não estava mais lá. Tomei um susto, e pensei primeiro na explicação mais racional: uma nuvem está entre eu e a estrela. Então fui cuidar da minha vida, e 10 min. depois resolvi voltar pra olhar. Nada de nuvens. Dava pra ver algumas estrelas por perto, bem menores. Mas o mais interessante vem agora: 5 minutos depois decola uma avião-patrulha, provavelmente da guarda costeira, com uma luz estroboscópica tipo polícia. Pensei: se ele seguir pro local, quer dizer que aí tem coisa. Só que ele decola tomando a direção oposta... Decepção, pensei. Aí então ele se vira e segue EXATAMENTE para o local onde estava a "estrela". YES! Considerando os fatos, e que não é a primeira vez que vejo coisas perto desse aeroporto, então acho que possso muito bem especular com uma certa margem de segurança de que isso tem uma chance de 70% de ser um OVNI, e 30% de ser um avião numa manobra muito, muito, mas muito bizarra... ou, quem sabe, uma Supernova.

O terceiro caso não foi um avistamento meu, mas do irmão de um colega. O melhor é que o relato dele não deixa dúvidas de que foram OVNIs, e o melhor ainda é que foi filmado.

O caso aconteceu em Gravatá, um município de Pernambuco, no dia 07/03/09. De início, a companheira do irmão dele viu um objeto muito luminoso num lajedo. O irmão (que vou chamar de Márcio) tirou algumas fotos, e quando estava filmando a bateria descarregou. 20 min. mais tarde, pegam o carro para voltar para Recife. Eles erram o caminho na volta, se perdem, e então o carro parou de funcionar. Quando isso aconteceu, Márcio notou uma luz maior mais à frente. Ele então desceu do carro (um Fiat Uno) e começou a filmar no celular motorola V-3, que tem câmera VGA. Ao todo foram quatro objetos observados, por volta das 18:30 (faixa de horário em que eu mais vejo os OVNIs no Janga).

No carro estavam Márcio, sua companheira, a mãe dele e um senhor de idade. A mãe dele disse que o carro parecia iluminado por dentro por uma luz azulada. Márcio filmou os objetos próximo ao pneu dianteiro esquerdo, filmando pra cima, na frente do carro. Havia algumas luzes dessa cor vermelho/alaranjado se movendo bem próximo a eles, e pode-se ver uma delas passando bem em frente à câmera, aos 21 segundos, que faz até um "lens flare" (efeito de reflexo de luz no visor). Márcio disse que a luz não poderia ser da lanterna traseira do carro, pois ele estava na frente do carro. Após as luzes irem embora o carro voltou a pegar.

Os mais desconfiados podem dizer que isso pode ser qualquer coisa, e que poderia ser feito com postes de luz, luzes de carro, etc (e poderia, mesmo). Mas o interessante aqui é dar um crédito à história (e eu dou pois eu sei que "eles" existem e estão por aí) e analisar as imagens, especialmente por conta das manchas vermelhas, que podem indicar uma interferência eletromagnética no sensor da câmera.

O fato é que a Ufologia é um hobby (ou profissão) ingrato, porque, por mais que você tenha uma evidência visual, com testemunhas, com registro fotográfico e em vídeo, SEMPRE vai haver descofiança (e com razão) por conta da falta de conhecimento do que SEJAM os UFOs (que resulta em falta de parâmetros para análise). Então até mesmo provas materiais, como um pedaço de metal, poderiam ser explicado como qualquer outra coisa, por não sabermos sobre o QUE se estuda na Ufologia (o próprio nome já demonstra a dificuldade: estudo dos objetos voadores não-identificados).


 
Ufologia - publicado às 11:53 PM 103 comentários
DIA DA TOALHA E DO ORGULHO NERD
seg, 25 de maio, 2009
 


Aaah, adoro o cheiro de Napalm pela manhã... O dia hoje está mais belo e flamejante, não só por causa do Napalm, mas porque comemoramos o Dia do orgulho Nerd, que teve origem na Espanha em 2006, em lembrança a première do primeiro filme da série Star Wars, em 1977.

Como se não bastasse, hoje também é comemorado o Dia da toalha, uma homenagem dos fãs do ex-integrante do Monty Python e autor da série "O Guia do Mochileiro das Galáxias", Douglas Adams. A data foi escolhida em 2001, por ocorrer 2 semanas após a morte do mesmo.


Enter the Nerd Dragon!

Neste dia todo Nerd que é Nerd sai de casa com sua toalha nas costas, pois nunca se sabe se você vai ser atacado por uma besta voraz de Traal... Eis o que o Guia do Mochileiro das Galáxias diz sobre toalhas:

A toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você - estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoalvemente limpa.


Até o Papa, que está se tornando um geek, se rendeu às comemorações; e aí está ele, com sua toalha fashion. Há rumores de que o próximo passo é canonizar Douglas Adams

Para o Dia do orgulho Nerd foi criado um manifesto, que inclui a seguinte lista de direitos e deveres dos Nerds:

Direitos:
O direito de ser ainda mais nerd.
O direito de não sair de casa.
O direto de não ter um par romântico e de ser virgem. (lembre-se: é um direito, não um dever)
O direito de não gostar de futebol ou de qualquer outro esporte.
O direito de se associar a outros nerds.
O direito de ter poucos (ou nenhum) amigo.
O direito de ter tantos amigos nerds quanto quiser.
O direito de não ter que estar "no estilo".
O direito ao sobrepeso (ou subpeso) e de ter problemas de vista.
O direito de expressar sua nerdice.
O direito de dominar o mundo.

Deveres:
Ser nerd, não importa o quê.
Tentar ser mais nerd do que qualquer um.
Se há uma discussão sobre um assunto nerd, você tem que dar sua opinião.
Guardar todo e qualquer objeto nerd que você tenha.
Fazer todo o possível para exibir seus objetos nerds como se fosse um "museu da nerdice".
Não ser um nerd genérico. Você tem que ser especialista em algo.
Assistir a qualquer filme nerd na noite de estréia e comprar qualquer livro nerd antes de todo mundo.
Esperar na fila em toda noite de estréia. Se puder ir fantasiado, ou pelo menos com uma camisa relacionada ao tema, melhor ainda.
Não perder seu tempo em nada que não seja relacionado à nerdice.
Tentar dominar o mundo! (algo que eu tento desde 2004)


 
Geral - publicado às 12:00 PM 110 comentários
NADA DE COITADINHO
qua, 20 de maio, 2009
 


Extraído do Jornal Espírita de Setembro de 2007

Nascido em Ituiutaba (MG)a vida do médium Jerônimo Mendonça (1939-1989) foi um exemplo de superação de limites. Totalmente paralítico há mais de trinta anos, sem mover nem o pescoço, cego há mais de vinte anos, com artrite reumatóide que lhe dava dores terríveis no peito e em todo o corpo, era levado por mãos amigas pelo Brasil afora, para proferir palestras. Foi tão grande o seu exemplo que foi apelidado "O Gigante Deitado" pelos amigos e pela imprensa.

Houve uma época, em meados de 1960, quando ainda enxergava, que Jerônimo quase desencarnou. Uma hemorragia acentuada, das vias urinárias, o acometeu. Estava internado num hospital de Ituiutaba quando o médico, amigo, chamou seus companheiros espíritas que ali estavam e lhes disse que o caso não tinha solução. A hemorragia não cedia e ele ia desencarnar.

- Doutor, será que podemos pelo menos levá-lo até Uberaba, para despedir-se de Chico Xavier? Eles são muitos amigos.
- Só se for de avião. De carro ele morre no meio do caminho.

Um de seus amigos tinha avião. Levaram-no para Uberaba. O lençol que o cobria era branco. Quando chegaram a Uberaba, estava vermelho, tinto de sangue. Chegaram à Comunhão Espírita, onde o Chico trabalhava então. Naquela hora ele não estava, participava de trabalho de peregrinação, visita fraterna, levando o pão e o evangelho aos pobres e doentes.

Ao chegar, vendo o amigo vermelho de sangue disse o Chico:
- Olha só quem está nos visitando! O Jerônimo! Está parecendo uma rosa vermelha! Vamos todos dar uma beijo nessa rosa, mas com muito cuidado para ela não "despetalar".

Um a um os companheiros passavam e lhe davam um suave beijo no rosto. Ele sentia a vibração da energia fluídica que recebia em cada beijo. Finalmente, Chico deu-lhe um beijo, colocando a mão no seu abdome, permanecendo assim por alguns minutos. Era a sensação de um choque de alta voltagem saindo da mão de Chico, o que Jerônimo percebeu. A hemorragia parou.

Ele que, fraco, havia ido ali se despedir, para desencarnar, acabou fazendo a explanação evangélica, a pedido de Chico, e em seguida veio a explicação:
- Você sabe o porquê desta hemorragia, Jerônimo?
- Não, Chico.
- Foi porque você aceitou o "coitadinho". Coitadinho do Jerônimo, coitadinho... Você desenvolveu a autopiedade. Começou a ter dó de você mesmo. Isso gerou um processo destrutivo. O seu pensamento negativo fluidicamente interferiu no seu corpo físico, gerando a lesão. Doravante, Jerônimo, vença o coitadinho. Tenha bom ânimo, alegre-se, cante, brinque, para que os outros não sintam piedade de você.

Ele seguiu o conselho. A partir de então, após as palestras, ele cantava e contava histórias hilariantes sobre as suas dificuldades. A maioria das pessoas esquecia, nestes momentos, que ele era cego e paralítico. Tornava-se igual aos sadios.

Sobreviveu quase trinta anos após a hemorragia "fatal". Venceu o "coitadinho".

Que essa história nos seja um exemplo, para que nos momentos difíceis tenhamos bom ânimo, vencendo a nossa tendência natural de autopiedade e esmorecimento.


 
Espiritismo - publicado às 3:14 PM 54 comentários
CONHECER E TRILHAR O CAMINHO
dom, 17 de maio, 2009
 


    Ben Selvin Orchestra - Happy Days Are Here Again
Sempre fui muito impaciente pra obter conhecimento. Seja na escola, quando o professor começa ensinando um assunto e chega numa parte que diz: "isso aqui vocês verão mais à frente" e segue adiante, ou nas religiões, quando na escola dominical resolvem ensinar um Jesus for dummies para as crianças, e quando chega na parte espinhosa (como "quem e porque mataram Jesus") disfarçam de qualquer jeito. Detesto que me mandem fazer alguma coisa, qualquer coisa, sem que eu saiba exatamente o que estou fazendo e qual o objetivo, os riscos, etc. Certa vez fui colocado pra mexer uma panela de cocada, e não tinha a menor idéia do PRA QUE devia mexer, ou seja, a dinâmica da coisa. Acontece que não mexi na velocidade correta, a cocada esquentou mais do que devia, e, saltando pra fora da panela, caiu um pouco em minha perna, o suficiente pra ficar marcado até hoje. Na Ordem Rosacruz se sucedeu a mesma coisa: Tinha vários rituais, e eu não sabia pra que servia, e ficava curioso, mas só saberia do significado correto nos níveis mais avançados. Meu pai dizia que é para que a pessoa amadureça juntamente com os ensinamentos, pra que não haja uma disparidade entre o que você já sabe e o que terá pra aprender. Funcionava também como uma proteção contra aventureiros, pessoas interessadas apenas no conhecimento sem ter a disciplina adequada. A parte do aventureiro eu concordei de imediato. De fato, quando você abre tudo o que você sabe pra quem não está REALMENTE buscando, corre o risco de ser ridicularizado, chamado de doido, ou, por outro lado, de arrogante, de sabe-tudo, de sr. fodão. Já a parte do amadurecimento eu não concordei, talvez baseado na minha própria experiência, onde eu me achava mais maduro com 12 anos do que a maioria dos adultos que conhecia. Mas só agora, que já cruzei o cabo da boa esperança, em que o peso da idade faz-me curvar os ombros cansados, reconheço a importância da dosagem do alimento espiritual.

Ando cada vez mais horrorizado com o predomínio da idéia de "cada cabeça, uma sentença", que tanto inspira nossos deputados a abandonarem a ética em favor da pilantragem (mas que não é crime, segundo eles). Assim como eles, muitos jovens (e não tão jovens) buscam "inspiração" no esoterismo pra criar seus próprios códigos de conduta, desvinculados da realidade e do bem-comum. Primeiro a pessoa cria sua idéia de mundo, e ela geralmente reflete apenas seus desejos imediatos, carências, frustrações, coisas assim. Para que ela seja funcional (ou seja, não parecer uma maluquice inventada) basta agregar conteúdos que alimentem essa idéia. Os conteúdos não precisam ser profundos, pode ser um filme, um artigo, um pedaço extraído de uma religião em um contexto específico. A finalidade é apenas dar um verniz de cultura à sua elucubração, pra poder convencer outras pessoas.

Acho que já cheguei bem perto disso. Há alguns anos, fui chamado pra pontuar com comentários (enquanto era exibido) o filme Matrix. Com a evolução da idéia, fui chamado pra uma palestra, já usando a idéia mais abrangente de "Matrix", como é utilizada no site. Acho que foi aí, ao coletar os assuntos dentro de um "codex", que vislumbrei o potencial pra um livro e pra um pensamento estruturado onde eu podia inserir o que eu quisesse... Devido a 90% do conteúdo ser de domínio público (ou seja, fazer parte da cultura esotérica conhecida) eu poderia introduzir nos outros 10%, se quisesse, minhas especulações, desejos, viagens, enfim, minha concepção de mundo que, aliada aos outros assuntos "conceituados", viraria "fato". Seria incorporado ao rol de conhecimentos daquele grupo de pessoas, que passaria para outros, e outros, e ainda mais gente, se eu fizesse um livro! Felizmente nunca tive a tentação de fazer isso, mas fico muito doído quando vejo gente fazendo, em vários campos de conhecimento. E cada vez mais gente cai no conto do pacote-fechado. Allan Kardec já dizia: "Mais vale rejeitar 99 verdades do que aceitar uma mentira". Mas, mesmo entre espíritas, o que vejo é credulidade ou intransigência desmedida.

Notem que em dois parágrafos trabalho com dois extremos: gente que picota tudo pra justificar uma idéia, e gente que fecha pacote com algo recebido/concebido por outrem. E a virtude do discernimento não está em nenhum dos dois. O primeiro grupo ACHA que sabe o que está fazendo. Conhecem muito de muitas coisas, mas não viveram essas coisas da forma como elas se originaram. Uma coisa é você pegar ensinamentos cabalísticos pela internet, outra completamente diferente é receber esses ensinamentos dentro de um contexto e modo de vida judaico. Ou, pra usar a alegoria pop de Matrix, "Conhecer o caminho não é mesma coisa que trilhar o caminho".

Há aqueles que aprendem sobre a Lei de causa e efeito e acham que isto lhes basta. Acreditam que podem fazer qualquer coisa, desde que não sintam culpa, afinal, segundo eles, quando há culpa a própria pessoa se pune (afinal, ela é Deus). Mas a culpa (ou não-culpa) não exime a pessoa da responsabilidade pelos seus atos. Um serial killer não sente culpa alguma pelo que faz, mas isso não o exime da responsabilidade e das consequências de seus atos, como Dexter pode muito bem nos ensinar. Esses novos magos acreditam-se executores da Lei Divina. Apego/medo/dúvida precisam ser eliminados pra o mago ser forte. Não deve haver hesitação. Parecem esquecer da velha máxima "quem vive pela espada, morre pela espada". Ou "o escândalo é necessário, mas ai de quem der o escândalo". Ou algo mais recente, como "quem arranca o pedaço da orelha do outro, vai levar uma martelada na cabeça". Para eles, hesitação ou dúvida é sinal de fraqueza. Ou você é um conhecedor e operador da Lei ou é gado, como todo o resto, sendo levado com o rebanho que, de certa forma, é descartável.

Esse pensamento não é novo. Na verdade é bem antigo, e já causou problemas à nível mundial. O conhecemos por nazi-fascismo, mas essa é só uma vertente desse tipo de pensamento, que se esconde atrás de nomes como ciência, filosofia, e - por que não? - esoterismo. Vejamos um resumo do que estava circulando na zeitgeist do começo do séc XX:

- Na ciência tivemos a recente descoberta da penicilina, em 1928, e que representava o poder do homem contra as bactérias, que por tabela estavam associadas à imundície, pestes, parasitas e doenças infecciosas, que eram grandes causadoras de mortandade. Ainda dentro do conceito "científico" vigente na época, tivemos como expoente jurídico-criminal o italiano Cesare Lombroso e seu estudo sobre delinquência, onde ele associa ao "criminoso nato" características biológicas, físicas e psico-sociais que o distingue dos demais indivíduos. Lombroso (que era judeu) vinculou cada etnia a uma tipologia criminosa específica. Em "O delito, suas causas e seus remédios" Lombroso descreveu os comportamentos delituosos de árabes, beduínos, de certos índios e ciganos em termos que, atualmente, implicariam julgamento de caráter racial. E ainda acrescentou que a criminalidade específica aos judeus era a usura, a calúnia e a falsidade, aliadas à pequena ocorrência de assassinatos e delitos passionais.

Na Alemanha, os médicos adeptos do iluminismo inventaram a biocracia, ou seja, a arte de governar os povos pelas ciências da vida. Hostis à religião, que segundo eles afastava os homens com falsos preceitos morais, queriam combater todas as formas de "degenerescência" ligadas ao capitalismo. Haviam imaginado a utopia do "homem novo", e foram imitados por comunistas e fundadores do sionismo. Favoráveis ao controle da procriação e à liberdade das mulheres, esses médicos elaboraram um programa eugenista pelo qual incitavam a população a se purificar através de casamentos controlados medicamente. Hoje sabe-se que a classe médica alemã era a profissão que tinha o maior número de pessoas filiadas ao partido nazista.

Todo esse pensamento teve como ponto de partida os estudos de Charles Darwin, que em "A Origem das Espécies" colocou em foco a importância da hereditariedade e da seleção natural no desenvolvimento de todos os seres vivos. Obviamente, não se pode culpar Darwin pelo uso que fizeram de seu trabalho, mas o resultado é que a ciência (ou pseudo-ciência) assumiu o papel de Deus e os operadores da ciência assumiram o papel de seus assessores. Pessoas passaram a ser julgadas não pelo conteúdo moral ou espiritual, mas sim pela sua carga genética e aspecto exterior. Tal idéia envenenou até mesmo o mundo das artes, e na Alemanha a arte moderna foi considerada "arte degenerada", com a propaganda nazista traçando um paralelo da aparente "feiúra" das obras com fotos de pessoas deformadas e doentes mentais. Para eles, a única arte deveria ser o ideal grego, com formas perfeitas e linhas clássicas. Tal como os quadros, as pessoas "feias" por terem problemas físicos foram primeiro esterelizadas, e, posteriormente, mortas na surdina. Mendigos, loucos e inválidos seguiram o mesmo destino, e posteriomente pessoas com câncer ou turbeculose.

- No esoterismo tivemos larga influência do livro "A doutrina secreta", de Helena Blavatsky. Escrito em 1888, foi apenas no século XX que se tornou popular e influente, tendo como leitores personalidades como Albert Einstein, Mahatma Gandhi, Thomas Edison, Bernard Shaw, Aldous Huxley, entre outros. Nele, Blavatsky alega que a raça humana é dividida em sete sub-espécies, todas derivadas da raça ariana (que é a mais poderosa e inteligente sobre todas as sub-espécies). Tal raça seria a dos atlantes, mas sem os poderes de semi-deuses (No contexto do livro, por ariano pode-se entender a formação do homem atual a partir do berço indiano Aryavarta). E nessa linhagem de sub-espécies aparece como inferior a raça semítica, ou seja, os egípcios e os judeus (Com relação aos semitas, particularmente os árabes, diz que são "espiritualmente degenerados").

"Assim irá a raça humana, raça após raça, cumprir seu ciclo de peregrinação. Climas irão - e já começam - a mudar, e a cada ano solar irá caindo uma sub-raça, mas apenas para gerar uma raça superior no ciclo ascendente; enquanto uma série de outros grupos menos favorecidos - as falhas da natureza - irão, como alguns homens individuais, desaparecer da família humana sem deixar traços"
(Helena Blavatsky; "A doutrina secreta" vol II, pág 446)

"A doutrina secreta" influenciou fortemente Guido von List e a Sociedade Thule, que por sua vez forjaram a parte "espiritual" da doutrina nazista, conhecida como Ariosofia.

"Qualquer pessoa que interpretar o Nacional Socialismo simplesmente como um movimento político prova que nada sabe a respeito do mesmo. Ele é mais do que uma religião; é a determinação de criar um novo homem... Toda a força da criação será concentrada numa nova espécie... [a qual] vai sobrepujar infinitamente o homem moderno... Vocês entendem agora a profunda significação do nosso Movimento Nacional Socialista?"
(Adolf Hitler; "Hitler Speaks", p. 147)

Até mesmo Allan Kardec, distorcendo o que lhes disseram os espíritos, no texto intitulado "Frenologia Espiritualista e Espírita: Perfectibilidade da Raça Negra" ele procura demonstrar que a raça negra é inferior pelo fato dela abrigar espíritos imperfeitos, considerando-se a supremacia do espírito sobre o corpo. Kardec conclui que a raça negra, enquanto etnia, jamais atingiria os níveis de perfeição moral das raças caucásicas (européias, portanto a raça mais evoluída, na teoria Eurocêntrica, em voga na época). Somente pela reencarnação e pelas leis do progresso poderiam os Espíritos encarnados na raça negra chegar, segundo ele, ao mesmo nível da caucásica.

Todas estas idéias foram apropriadas pelos nazistas de forma brilhante, manipulando as massas para seus ideais. Documentários alemães da época mostravam judeus na Europa Oriental mal-vestidos, pobres, sujos e afirmava-se que, "ao contrário da aparência dos ocidentalizados judeus alemães, esta era a verdadeira face dos judeus, prontos para eliminar a Alemanha". Segundo os nazistas, os judeus, como os ratos, também transmitiam doenças (no caso, deixando doente a alma alemã), se multiplicavam rapidamente e não traziam nada de bom. Tão longe foi a associação dos judeus com os parasitas que o mesmo produto usado em detetização, o Zyclon-b, acabou sendo utilizado nas câmaras de gás.

Quando o expurgo em massa de judeus começou, a maioria dos desinformados da população alemã achava que a população judia estava sendo realocada para a PQP, ou seja, pro leste, pra bem longe das vistas deles. O que fariam com eles não era um problema do cidadão de bem, achavam. Apenas se preocuparam quando tufos de cabelos humanos, vindos das chaminés dos crematórios, iam parar nas ruas e nas casas das tradicionais famílias germânicas. Mas isso era contornável. Afinal, pensavam, por que se importar com esse tipo de gente? Quando tudo isso foi feito, eles JÁ conservavam o pensamento corrente da época, de que havia uma superioridade natural, de que o mais forte sobrevive, e isso apenas foi institucionalizado: "O governo cuida do problema por mim, não preciso sujar minhas mãos de sangue. Sou inocente". Então achar que o partido nazista era só um punhado de malucos no poder é no mínimo um desrespeito com milhões e milhões de vítimas da guerra. Era um movimento organizado (e muito bem organizado) de diversos povos no sentido de dividir o mundo para o benefício de "escolhidos", segundo a lei "natural" do mais forte. Lula, se estivesse vivo na época, diria que "isso não é crime", afinal, quem fazia as leis da Alemanha eram os nazistas, e uma coisa tão abstrata e decadente como a ética não era levada em consideração naquele tempo... e ainda hoje.

As pessoas não se horrorizavam com isso porque tudo foi implantado lentamente na cabeça delas, ou seja, foi criada uma cultura de massa, e agora vejo que está sendo criada uma cultura "esotérica" de péssima qualidade, de livre acesso (o que é bom) mas sem os mecanismos de outrora (como o uso de simbologia para mascarar certas coisas) que impediam às mentes sem discernimento o acesso a certos ensinamentos para os quais elas não estão preparadas. Assim, as informações entram numa mente sem maturidade, e são replicadas (muitas vezes de forma distorcida e fora de contexto) como algo natural.

Se antes tínhamos estudos "cientificos" e "espirituais" que "atestavam" a superioridade de algumas raças, hoje temos uma condição onde uma casta de pessoas escolhidas apenas por fazerem parte de um grupo, crença, pertencentes a uma geração especial, ou ligadas a grupos ufológicos, etc estão (na mente delas) assumindo as rédeas da humanidade, ou pelo menos fundando as bases de uma nova humanidade. Antes fosse um projeto de educação social, pra eliminar as grandes desigualdades existentes em nosso país, mas infelizmente é tudo pra o ser humano continuar a sentir-se importante e continuar a dizer "eu detenho algo que você não tem, por isso sou melhor do que você". Essas pessoas se dizem "buscadoras", mas tudo o que elas buscam em termos de espiritualidade é pra continuar alimentando seu ego, e não seu espírito. A pessoa que se alimenta de forma saudável, buscando o crescimento espiritual, pode muito bem dizer "isso aqui não como" ao se deparar com certos alimentos, e calmamente colocá-lo do lado do prato pra comer o resto. Já a pessoa que se "ego-alimenta" vai se sentir particularmente ofendida e provavelmente se defrontará com quem serviu o alimento, porque pra ela aquilo é um ultraje: "Como ousa me servir isso? Você sabe quem EU SOU?"

Então, não duvido que possa surgir nas fileiras esotéricas um novo partido nazista. Não configurado como partido, nem alinhado com o nazi-fascismo, mas com as idéias que alimentaram essa geração, de intolerância com o fraco/diferente e superioridade de uns "escolhidos" que devem liderar a humanidade a um novo patamar, tudo inserido dentro de uma ou várias doutrinas fechadas, mas baseadas num amálgama de várias correntes de pensamento que conseguirão, mediante afinidade, vender muitas mentiras às mentes despreparadas. Então vocês, que me lêem, estejam atentos a estes sinais e espalhem discernimento, para que o fundamentalismo não ressurja, escondido no meio de powerpoints de anjinhos.


Ler em espanhol (por Teresa)


Referência: Sujando a memória de Allende;
Documentário "Arquitetura da destruição";
Racismo e espiritismo;
The Occult History of the Third Reich (documentário em 4 partes)


 
Internacional, Pensamentos - publicado às 1:42 AM 118 comentários
CRIANÇAS PRODÍGIO
qua, 13 de maio, 2009
 


Após a entrada no novo milênio, estranhas manifestações acontecem ao redor do mundo, de crianças com poderes fora do normal. São os MUTANTES PSIÔNICOS! O que poderia parecer roteiro de novela da Record ou da série Heroes é algo que está sendo levado à serio nos meios esotéricos.

Por isso vou colocar partes dos textos que recebi (obrigado, José!) aliado a uma breve pesquisa que mostra coisas que nem sempre as pessoas mais empolgadas com esse assunto querem ver ou saber.


Crianças especiais, descobrindo seu poder ao redor do mundo, após um eclipse, ajudarão a salvar a humanidade de seu catastrófico destino...


AKRIT JASWAL

Nasceu em 23/04/1993, numa família pobre Rajput da cidade de Himachal Pradesh, na Índia. Desde a sua infância Akrit demonstrou habilidades incomuns: começou a falar no 10° mês de idade; aos 2 anos de idade começou a escrever e a ler apenas olhando as páginas dos livros; aos 5 anos começou a ler livros de poesia e peças de Shakespeare; depois desenvolveu uma paixão precoce por livros de medicina, anatomia e cirurgia.

Os professores da sua aldeia descobriram que Akrit possuía a formidável capacidade de memória fotográfica, jamais esquecia nada e possuía uma voracidade fantástica em aprender cada vez mais. Aos 6 anos, fazia discursos altamente complexos sobre temas de Medicina, Biologia e Cirurgia, e debatia com médicos adultos qualquer tipo de tema ligado à Ciência Médica. Ele memorizou de cabeça dezenas de tratados médicos de medicina, anatomia, fisiologia e cirurgia, que são difíceis de ler até mesmo para os Especialistas veteranos destas áreas. Akrit solicitou e obteve uma autorização especial para acompanhar e assistir às cirurgias feitas no Hospital de Himachal.

Aos 7 anos de idade tornou-se o cirurgião mais jovem do mundo, quando a família de uma menina da sua aldeia solicitou a sua ajuda para realizar uma cirurgia. A Menina havia sofrido um acidente e queimado os dedos, que acabaram colando uns nos outros; Akrit apiedou-se da menina e realizou uma cirurgia extremamente bem-sucedida, que foi filmada e surpreendeu os médicos de todo o Mundo.

Tornou-se uma celebridade em toda a Índia, e foi convidado pelo Governo hindu para estudar na Universidade Punjab aos 11 anos de idade, em 2004.

Akrit logo demonstrou outros poderes, como o dom de Curar as pessoas apenas colocando as mãos sobre os seus ferimentos, que ele diagnostica instantaneamente as causas, graças à sua Memória Fotográfica, que identifica os sintomas psicobiofísicos de qualquer enfermidade, apenas olhando de relance os pacientes.

Hoje, ele é estudante da Universidade de Harvard, nos EUA, onde está no 2º ano de um curso de Bacharelado em Zoologia e Botânica; ao mesmo tempo continua com seus estudos autodidáticos sobre Medicina e outras áreas da Saúde.

O Sonho de Akrit é encontrar a cura definitiva para o Câncer e a AIDS, pois ele declara em suas palestras que já possui milhares de idéias extremamente criativas para a renovação completa da Medicina atual e para o Tratamento do Câncer.


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Geral, Holismo - publicado às 8:52 PM 97 comentários
PAZ
dom, 10 de maio, 2009
 


    Trilha sonora recomendada:
Hoje quero falar de Paz. Paz é uma idéia abstrata que permeia a cultura de todos nós. Está entranhada em nosso inconsciente como uma idéia de bom, de harmonia, de tolerância, mesmo quando está vinculada a Pax Romana ou outra paz provocada pelas armas (a idéia evocativa não deve ser confundida com a realidade que fazem dela). A palavra Paz é derivada do latim Pax = Absentia Belli, que pode ser traduzido como a ausência de violência ou guerra.

Isso pode evoca uma idéia de passividade, mas Paz não é inação, como mostrou Gandhi ao mobilizar um país de forma pacífica, através da filosofia do Ahimsa (não-violência). Gandhi definiu a manifestação do Ahimsa assim:

A não-violência não consiste em renunciar a toda luta real contra o mal. A não-violência, tal como eu a concebo, empreende uma campanha mais ativa contra o mal que a Lei do Talião, cuja natureza mesma traz como resultado o desenvolvimento da perversidade. Eu levanto, frente ao imoral, uma oposição mental e, por conseguinte, moral. Trato de amolecer a espada do tirano, não cruzando-a com um aço mais afiado, mas defraudando sua esperança ao não oferecer resistência física alguma. Ele encontrará em mim uma resistência da alma, que escapará de seu assalto. Essa resistência primeiramente o cegará e em seguida o obrigará a dobrar-se. E o fato de dobrar-se não humilhará o agressor, mas o dignificará... O Ahimsa não é somente um estado negativo que consiste em não fazer o mal, mas também um estado positivo que consiste em amar, em fazer o bem a todos, inclusive a quem faz o mal. O Ahimsa não é coisa tão fácil. É mais fácil dançar sobre uma corda que sobre o fio da Ahimsa.

Também na cultura judaica, o termo hebraico Shalom, traduzido como "paz", também tem um significado que nos remete a ação. Shalom deriva de um radical que, conforme sua maneira de ser empregado, pode significar o fato de completar ou concluir um trabalho, por exemplo, completar a construção de uma casa (1Rs 9.25); o ato de restabelecer as coisas em seu antigo estado, em sua integridade, por exemplo, "apaziguar" um credor ao pagar o débito de uma transação comercial (Ex 21.34) ou cumprir os votos a Deus (Sl 50.14).

Se queremos uma cultura de paz, é preciso, antes de tudo, ATITUDE para cultivar a paz em nós mesmos, expandindo assim para nossas ações, para nossa família, para nosso círculo de influência, para nosso trabalho, para nossa comunidade... vocês entenderam, né? Não dá pra pular etapas. De que adianta ler todos os dias coisas esotéricas de qualidade, com mensagens de paz, amor, compreensão, idealismo e filosofia, se quando no dia em que o autor resolve pirar o cabeção você se desestabiliza e exige enraivecido o seu "pão nosso de cada dia", que o mantém artificialmente "em paz"? Corre o risco de ficar com a ambiguidade da garotinha da foto, que tem o olhar infantil mais assustador desde a criancinha de "Cemitério Maldito".

Nunca poderemos implantar com sucesso utopias espiritualistas ou sociais, como a anarquia, enquanto formos apenas reflexo dos velhos modelos (e bota velho nisso!). A Briba diz "Não se põe vinho novo em jarro velho". Precisamos primeiro nos tornar o novo, para que haja o novo! "Seja a mudança que você quer ver no mundo", já dizia o Mahatma. Como podemos perceber, não estamos neste mar de incompreensão e turbulência por falta de avisos. As mais diversas religiões dão ênfase a uma certa mensagem que, se aplicada no dia-a-dia, transformaria todas as relações sociais. Uma regra de conduta, que é chamada a "regra de ouro":


HINDUÍSMO:

Não faças aos demais aquilo que não queres que seja feito a ti; e deseja também para o próximo aquilo que desejas e aspiras para ti mesmo. Esse é todo o Dharma, atenta bem para isso
(Mahabharata, apud. Rost, p.20; Campbell, p.52)


JUDAÍSMO:

Não faças a outrem o que abominas que se faça a ti. Eis toda a Torá. O resto é comentário
(Hillel, apud. Shclesinger & Porto, p.26; Rost, p.69)

Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor
(Levítico 19:18)


ZOROASTRISMO:

Aquilo que é bom para qualquer um e para todos, para quem quer que seja - isso é bom para mim... O que julgo bom para mim mesmo, deverei desejar para todos. Só a Lei Universal é a verdadeira Lei
(Gathas, apud. Rost, p. 56)


BUDISMO:

Todos temem o sofrimento, e todos amam a vida. Recorda que tu também és igual a todos; faze de ti próprio a medida dos demais e, assim, abstém-te de causar-lhes dor
(Dhammapada, apud. Rost, p.39)


CRISTIANISMO:

Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, porque isto é a Lei e os Profetas
(Mateus 7:12)

O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei
(João 15:12)


ISLAMISMO:

Nenhum de vós é um verdadeiro crente a menos que deseje para seu irmão aquilo que deseja para si mesmo
(Hadith, apud. Rost, p. 103; Campbell, p.54)


FÉ BAHÁ'Í:

Ó Filho do Homem! ...se teus olhos estiverem volvidos para justiça, escolhe tu para teu próximo o que para ti próprio escolhes. Bem-aventurado quem prefere seu irmão a si próprio... tal homem figura entre o povo de Bahá'í
(Palavras do Paraíso; "Terceira" e "Décima" folhas do Paraíso)


WICCA:

Tudo o que você faz, seja positivo ou negativo, retorna para você três vezes mais
(Lei trina)


CONFUCIONISMO:

Não ordene a outros aquilo que você não quer que seja ordenado a você
(Anacletos 15:23)


JAINISMO:

Na felicidade e no sofrimento, na alegria e na tristeza, respeite todas as criaturas assim como respeita a si mesmo
(Lord Mahavir 24º Tirthankara)


ÍNDIOS NORTE-AMERICANOS:

Respeito por toda a vida é a fundação
(A grande lei da paz)


SIKHISMO:

Não esteja alienado dos outros, pois Deus mora em todos os corações
(Sri Guru Granth Sahib)


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O problema é que nem sempre sabemos nos colocar no lugar do outro. Quando muito, achamos que o outro tem de pensar e agir como a gente, e não como um ser autônomo que teve suas próprias experiências e visão de mundo. Então interpretam mal a regra de ouro, achando que devem EMPURRAR aos outros aquilo que "funcionou" com você. Até mesmo remédios que salvam a vida de um podem matar outro! Há ainda outras máxima, presente também em diversas religiões, que nos exorta a retribuir o mal com o bem:

HINDUÍSMO:

Mesmo quando fordes ofendidos devereis falar amavelmente, e quando fordes insultados, respondeis com uma benção.

ZOROASTRISMO:

Responde sempre à maldade com a gentileza, e à perversidade com bondade.

JUDAÍSMO:

Se aquele que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer, e se tiver sede, dá-lhe água para beber.

BUDISMO:

O homem vence o ódio pelo amor; triunfa sobre o mal por meio do bem; subjuga o ávaro por meio da generosidade e o mentiroso por meio da verdade.

CRISTIANISMO:

Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos difamam.

ISLAMISMO:

Afastai o mal com o bem e, eis!, aquele que te era inimigo converter-se-á em amigo amoroso.

FÉ BAHÁ'Í:

Deveis mostrar ternura e amor a todo ser humano, mesmo vossos inimigos, e a todos dar acolhida com sincera amizade, com alegria e benevolência.


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Fazendo assim, você permanece em equilíbrio consigo mesmo e com o Cosmo/Deus, e é essa união com algo maior que faz a Força.

ISLAMISMO:

Alá soprou na alma humana o seu próprio espírito (...) dando vida a esse corpo e conferindo um lugar privilegiado na criação. Só que a alma humana esqueceu da sua origem. Compreendemos que a grande carência humana, esse vazio que permeia todo ser humano que sai em busca de um sentido para sua vida, é fruto da desconexão com essa origem divina
(Muhammad Ragip, representante da ordem sufi Halveti Al-Jerrahi)

BUDISMO:

Então, Buda fala sobre a vida - a vida de todos nós - usando o exemplo da carroça que tem seu eixo fora de alinhamento. Ele diz que nossas vidas estão fora de equilíbrio. E é esse desequilíbrio que leva ao sofrimento
(Rodney Downey, representante do Zen coreano)

CRISTIANISMO:

Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim
(João 15:4)


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No jogo Actraiser há uma cena que representa a descoberta da música. Composta em homenagem a um desconhecido encontrado morto no deserto, os aldeões entregaram a música como uma oferenda (Sasagemono, em japonês) a Deus, citando que ela possui misteriosos poderes, como acalmar o coração dos homens e suavizar suas dores. Fiquei imaginando o compositor do jogo, Yuzo Koshiro, com a incubência de criar A música primordial, que represente não só UMA música, mas a descoberta da música.

Num súbito momento de inspiração, o compositor sonha com uma singela melodia, cujas notas simples vão sendo trabalhadas em um violão. Logo, o piano possibilita a ele expandir no campo musical, desenvolvendo uma base sólida por onde as notas primárias possam desfilar. Posteriomente, a música é transferida para uma nova mídia, a eletrônica, onde novas possibilidades passam a ser exploradas, como a inserção de um coro angelical e a beleza de uma flauta. Então, o que era uma simples melodia oculta numa só mente passa a ser o guia de toda uma orquestra, quando mais de 50 pessoas se juntam para realizar cada uma seu trabalho (Shalom) - diferente dos demais e ainda assim em harmonia - para alcançar um resultado de pura beleza que é, de fato, uma oferenda (Sasagemono) de paz.


Ler em espanhol (por Teresa)


Referência: Ahimsa;
Shalom


 
Holismo, Internacional - publicado às 10:09 AM 78 comentários