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ANARQUISMO (parte 3)
qui, 30 de abril, 2009
 


Resumo do resumo do texto de George Woodcock

Durante um breve período que infestou a história do anarquismo, alguns indivíduos isolados praticaram o assassinato de personagens simbólicos, para chamar atenção à injustiça. Durante a década de 1890, foram vítimas um rei da Itália, um presidente da França, um presidente dos Estados Unidos, uma imperatriz da Áustria e um primeiro-ministro espanhol. A maioria dos anarquistas nada tinha a ver com tais atos e consideravam-no com sentimentos variados, até que muitos reagiram horrorizados - como o novelista anarquista francês, Octave Mirabeau - quando Emill Henry jogou uma bomba num café, matando pessoas inocentes. Disse Mirabeau:

Um inimigo mortal do anarquismo não poderia agir com mais perfeição que Henry quando jogou sua inexplicável bomba no meio de pessoas pacíficas e anônimas. Henry diz, afirma e declara que é um anarquista. É possível. Todo partido tem seus criminosos e seus idiotas, porque todo partido tem seus homens.



    Tudo o que eu queria era ser livre como uma borboleta. The hiiiiiiills are alive with the sound of muuuusic...
O terrorismo morreu rapidamente como método anarquista, exceto na Espanha e na Rússia, onde todos os métodos políticos têm sido tradicionalmente violentos. Apenas alguns anarquistas o praticaram, e pensar que o anarquista é um homem com uma bomba é o mesmo que considerar um católico como um dinamitador por causa de Guy Fawkes. Os movimentos são manifestados através das ações dos indivíduos, mas devemos distinguir uma pessoa de sua idéia, e a idéia do anarquismo nunca foi invalidada pelo extremismo de fanáticos.

O anarquismo recuperou-se rapidamente dos danos causados pelos terroristas. No final do século teve sua fase de grande influência no desenvolvimento de um movimento de criação de uniões livres de sindicatos. O movimento se autodenominou anarco-sindicalismo. Sua idéia essencial era que os sindicatos deviam ser considerados não apenas instrumentos para conseguir melhores salários, mas agentes de transformação da sociedade. Os sindicatos estariam em constante luta pela mudança da sociedade através do método clássico da greve geral, tomando e administrando os meios de produção durante a revolução, para formar a infra-estrutura da nova sociedade.


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Filosofia, Política - publicado às 2:16 PM 41 comentários
ANARQUISMO (parte 2)
seg, 27 de abril, 2009
 


Resumo do resumo do texto de George Woodcock

O gigantismo e a impersonalidade do Estado moderno são rejeitados pelo anarquismo. Os anarquistas querem criar um companheirismo entre indivíduos e eliminar o distanciamento entre os homens e o início das atividades sociais necessárias. Portanto, longe de pregar o colapso da sociedade com a destruição do Estado, os anarquistas querem reforçar os laços e os valores sociais através do fortalecimento das relações comunitárias nos níveis mais básicos. Sua idéia é reverter a pirâmide do poder, representada pelo Estado. Entendem que a responsabilidade começa entre indivíduos e pequenos grupos, e não da autoridade que desce do céu político pela escada da burocracia. Ninguém pode avaliar melhor essas necessidades do que aqueles que as sentem.

Aqui deve-se fazer um parênteses e determinar a diferença vital entre anarquistas e marxistas, pelo menos da forma como os marxistas têm atuado. Por causa da teoria de Marx, do domínio do fato econômico na exploração do homem pelo homem, seus seguidores tendem a ignorar as características vitais de outras formas de poder. Como resultado, eles não apenas elaboraram a teoria da ditadura do proletariado, mas também provaram sua invalidade deixando que a ditadura se tornasse um mesquinho governo partidário em todos os países comunistas. Ao ignorar os processos do poder, os revolucionários que se diziam seguidores de Marx destruíram a liberdade com tanta eficácia como qualquer bando de generais sul-americanos.

Os anarquistas têm a irônica vantagem sobre os marxistas de nunca haverem estabelecido uma sociedade livre de acordo com seus ideais, a não ser por pouco tempo e em áreas restritas e, portanto, não podem ser acusados de falhas na sua evolução.


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Filosofia, Internacional, Política - publicado às 1:04 PM 62 comentários
ANARQUISMO (parte 1)
sex, 24 de abril, 2009
 


Considerando o rumo dos debates nos comentários, resolvi que é um momento propício pra um post sobre o anarquismo. Fiz, então, um resumo do resumo do texto de George Woodcock, feito em 2007, que traz um ponto de vista interessante desta forma de pensamento, que muitas vezes (se não todas) é associada a vandalismo, desorganização e coisas negativas.


Anarquismo – o inimigo do rei e do Estado ainda vive

Há uma grande confusão em torno da palavra anarquismo. Muitas vezes a anarquia é considerada como um equivalente do caos e o anarquista é tido na melhor das hipóteses como um niilista, um homem que abandonou todos os princípios e, às vezes, até confundido com um terrorista inconseqüente. Muitos anarquistas foram homens com princípios desenvolvidos; uma restrita minoria realizou atos de violência que, em termos de destruição, nunca chegaram a competir com os líderes militares do passado ou com os cientistas nucleares de hoje.

A origem da palavra anarquismo envolve uma dupla raiz grega: archon, que significa governante, e o prefixo an, que indica sem. Portanto, anarquia significa estar ou viver sem governo. Por conseqüência, anarquismo é a doutrina que prega que o Estado é a fonte da maior parte de nossos problemas sociais, e que existem formas alternativas viáveis de organização voluntária. E, por definição, o anarquista é o indivíduo que se propõe a criar uma sociedade sem Estado.

Rejeitando o Estado, o anarquista autêntico não está rejeitando a idéia da existência da sociedade; ao contrário, sua visão da sociedade como uma entidade viva se intensifica quando ele considera a abolição do Estado. Na sua opinião, a estrutura piramidal imposta pelo Estado, com um poder que vem de cima para baixo, só poderá ser substituída se a sociedade tornar-se uma rede de relações voluntárias. Ele acredita que a liberdade só pode ser conservada pelo desejo de cooperar e pela realidade da comunidade.


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Filosofia, Internacional, Política - publicado às 4:39 PM 81 comentários
UMBANDA
qua, 15 de abril, 2009
 


Na batalha que se processa no mundo invisível, eles são os "soldados do front". São eles que estão mais perto vibracionalmente de nós, e os que podem ser vistos mais facilmente. São eles que dão um reforço energético em nossa aura, nos limpam de "mau-olhado" e botam obsessor pra correr. Prestam auxílio da forma que podem, às vezes do único jeito que sabem (ou devem) fazer (usando cigarro, bebida, símbolos ou fogo) mas com muito mais desprendimento e boa vontade do que muitos terapeutas por aí. Mesmo os espíritos mais elevados precisam dos humildes servidores da Umbanda pra trabalhar com as energias mais densas, pois, devido a alta freqüência em que os seres mais elevados estão, não podem atuar diretamente na matéria mais densa (que pra nós ainda é invisível, como as energias liberadas por trabalhos de macumba, miasmas mentais, etc). Em retribuição, os espíritos de luz ensinam e orientam os irmãos mais endurecidos para que ascendam e assumam postos de trabalho em planos mais elevados, SE o quiserem (dando oportunidade a outro mais necessitado de trabalhar nas faixas inferiores).

Aprendi que a Umbanda é dividida em 7 vertentes, e que só uma delas (a Quimbanda, ou Kiumbanda) usa sangue. E que o exu é, entre outras coisas, a "tropa de choque" do terreiro, que cuida da segurança dos participantes. Muitos ainda são espíritos recém-saídos do mundo animal, tanto é que muitos não falam, e por isso que têm uma forte energia anímica que a maioria dos médiuns mal consegue controlar. Por não ter ainda discernimento, podem acabar sendo grosseiros e até fazendo o mal, se forem induzidos a isso, mas em essência não são ruins. Os exus que trabalham na Quimbanda são chamados exu de Quimbas (ou Kimbas), que são os tais que dizem ser diabo e fazer o mal.

Mas, pra que serve a umbanda na espiritualidade? De forma simplista, vou tentar responder, mesmo sem conhecer muito da Umbanda: Sempre irão existir espíritos de pessoas que não querem ascender de imediato (e talvez nem possam). Ficam rondando pelos bares, pelas ruas, vampirizando, assediando, tomando uma pinga... Aí então o espírito acaba descobrindo um terreiro de umbanda. É interessante pro nível evolutivo dele, pois pode ganhar garrafas de bebida (não vai precisar mendigar em bares) em despachos de encruzilhada, galinha (eles tiram a essência, como se comessem) e vela (não sei porque, mas muitos espíritos ADORAM vela acesa... alguém sabe?). Mas ele não pode ir chegando e incorporando (afinal, tem toda uma diretoria do "lado de lá", com seguranças na porta - os exús - e hierarquia) então ele pede pros donos do terreiro pra trabalhar ali, geralmente começa como "office boy", fazendo serviços simples, e depois vai pegando experiência com os espíritos que ali trabalham há mais tempo. Dependendo do tipo de entidade que preside os trabalhos dos terreiros daquela Umbanda, pode aprender tanto trabalhos bons quanto ruins. Mesmo que seja ruim, isso já é uma evolução pro espírito, que já não vai estar vagabundeando pela rua. E não pára por aí. Com a continuidade do aprendizado e das experiências pelas quais ele passa nesse trabalho, o espírito irá desenvolvendo o altruísmo, que é o fato de ajudar pelo ajudar, sem recompensas. Ele passa a AMAR o que faz, e tudo o que se faz com amor mexe com a pessoa. Um belo dia se critica se o que ele faz é certo. Ele vai percebendo que não precisa de despachos e/ou oferendas pra ser útil, e nisso seu corpo espiritual vai evoluindo juntamente com sua mente, a ponto de não precisar mais de matéria densificada pra satisfazer seus desejos (aprende a se alimentar de luz, das plantas, da energia que é doada espontaneamente pelas pessoas agradecidas...). Acaba se aproximando dos espíritos de hierarquia superior, que dirigem os trabalhos da Umbanda, e é relocado para outras funções. Vai pra uma escola onde aprende outras formas de magia, desta vez usando luz, elementos da natureza renováveis - como água e plantas - e acaba se tornando um espírito de luz, podendo até, caso queira, dirigir outros terreiros de Umbanda e dar a outros espíritos que estiverem perdidos na erraticidade da "vida após a vida" a mesma oportunidade que ele um dia teve.

O que me fez falar sobre isso foi a leitura do texto do misterioso Sheik Al Kaparra (nick legal!) que trata justamente da desmistificação da AUM+BANDA (é assim que ele chama), mostrando que a magia com que essas entidades trabalham tem raízes no Tibet e na Índia. Deixo o aviso de que, pra quem está numa linha de Umbanda, textos acima, ou o do Al Kaparra trarão distorções, diferenças e até mesmo contradições. Mas a idéia aqui é apresentar uma visão mais ampla, prática e despojada, e que vocês aperfeiçoem seus estudos, procurando se informar melhor à respeito desta doutrina (como tudo, aliás, nesse blog).


Ler em espanhol (por Teresa)


Links: Diferença entre Candomblé e Umbanda;
Umbanda sem medo;
Centro espiritualista Caboclo Pery;
Templo de Umbanda Vozes de Aruanda;
Blog Orun Ananda


 
Espiritismo, Internacional, Metafísica - publicado às 7:09 PM 183 comentários
MAPA ASTRAL
qui, 9 de abril, 2009
 


    Trilha sonora recomendada:
Confessso que não acreditava muito nesse negócio de mapa astral. O pensamento comum é "como um alinhamento de planetas pode influir em quem você é??". Bem, talvez não influa diretamente, mas de alguma forma o mapa parece apontar características bem fortes nas pessoas. Se o signo (genérico pra caramba) já consegue descrever razoavelmente bem a personalidade da maioria, então o mapa pode ser muito, mas muito mais detalhado.

Eu já fiz uns desses mapas astrais gratuitos e automáticos que tem na internet, e só reforçou minha descrença no método. Primeiro que eles não conseguiarm nem se decidir qual planeta era meu regente, depois que as descrições das influências planetárias eram bem chulé, não tinham nada a ver comigo.

Até que, por um golpe de sorte, consegui um mapa numerológico com Yubertson, do site Universo Simbólico, e toda a minha descrença veio por água abaixo. Eu, que prezo tanto pela minha privacidade, me senti nu e sem-graça, ali nas quase 30 páginas que ele me deu. Tinha coisa lá que só eu sabia, e coisa que só vim a conhecer em mim mesmo após tratamento psiquiátrico, enfim, pra não ficar paranóico achando que ele gravava escondido minhas sessões, achei melhor dar o braço a torcer e acreditar que a pessoa pode sim estar "ancorada" em algo que pode ser visto, seja através do nome, seja através dos astros.

Interessante que, se eu não tivesse trabalhado o auto-conhecimento na psicóloga, talvez não me identificasse em algumas partes, pois temos a tendência a esconder coisas de nós mesmos, ou não perceber o óbvio. Mas então, como funciona isso?

Com a palavra, Yub:

Não existe esse lance que o senso comum apregoa: "influência dos astros", no sentido deles enviarem vibrações para nós que nos influenciam. A chave para essas artes está no SIMBOLISMO. Os símbolos (numerológicos, astrológicos e tarológicos) nos REPRESENTAM - e não nos influenciam. Eles, por analogia, REVELAM tendências, facetas, reações, atitudes, aspirações, oportunidades, desafios e aprendizados da gente. É como um espelho. Lemos no REFLEXO desses símbolos a nós mesmos e o nosso momento.

O mesmo ocorre com nossos sonhos. Por meio do simbolismo deles, temos acesso a nós mesmos. Esses SIMBOLISMOS nos REFLETEM de maneira exata. E nos auxilia no processo de autoconhecimento. Compreendemos nosso jeito de ser, as fases que vivemos e o que temos condições de realizar na vida a partir dessas linguagens SIMBÓLICAS (astrologia, numerologia, tarot, sonhos).

Uma pessoa que entende POSTURA CORPORAL, por exemplo, só de bater o olho no nosso modo de andar, gesticular e se comportar - fisicamente falando -, já descreve a nossa personalidade e o nosso momento. Ao saber de algum sintoma que estamos manifestando, tais pessoas já associam com determinadas atitudes que merecem ser conscientizadas e melhor trabalhadas, porque tais gestos e posturas refletem a nossa personalidade e como estamos reagindo aos ciclos atuais de nossa vida.

Mas o post foi mesmo pra anunciar um evento que não se vê todo dia: Se você quer fazer um mapa astral detalhado, de graça e ainda fazer caridade, a oportunidade bate à sua porta: O site Teoria da conspiração, do Marcelo Del Debbio, está fazendo mapas astrológicos (e sigilos pessoais) em troca de doações de Cestas Básicas para entidades beneficentes de SUA escolha!! Então, o que você está esperando? Mais informações clicando no link do site.


 
Holismo - publicado às 3:19 PM 76 comentários
GHOST IN THE SHELL
qui, 2 de abril, 2009
 



Suécia, 1640. Numa viagem de navio à Suécia, a tripulação foi informada de que o filósofo francês René Descartes viajava com sua filha Francine, mas até então ninguém a vira à bordo. Desconfiados e atemorizados durante uma violenta tempestade, os supersticiosos marinheiros vão em busca de Descartes e sua filha, mas no aposento deles só encontram tudo revirado e, dentro de um baú, uma boneca como nunca haviam visto, totalmente articulada, feita com partes de metal e engrenagens de relógio. Temendo ser uma arte diabólica, o capitão manda jogá-la no mar.

Descartes havia construído um simulacro de sua filha, após a morte da mesma, aos 5 anos de idade. Tratava a boneca como "Ma fille Francine", possivelmente sem distinção entre ela e sua falecida filha, bem de acordo com sua filosofia explicitada em seu livro "Tratado do Homem", onde o Homem é máquina, pois o Homem possui um corpo capaz de movimento resultante do engenho divino, enquanto um autômato possui um corpo capaz de movimento resultante do engenho humano. Seja qual for a relação entre Descartes e a boneca, 6 meses após a "segunda morte" de sua filha, Descartes vem a falecer.

Japão, 2008. O professor Hiroshi Ishiguro coloca sensores em sua boca e começa a falar num microfone. Na sala ao lado seu robô - Geminoid HI-1, uma cópia dele mesmo cujo corpo se move e respira de forma autônoma - imita os mesmos movimentos labiais, com a voz do verdadeiro professor saindo pela boca da máquina. A idéia de Ishiburo é desenvolver um andróide perfeito, que simule não só a aparência como a "presença humana", aquilo que nos faz ter a certeza de se estar olhando uma coisa viva, e não um boneco. Para isso, é preciso desenvolver uma "alma" para o robô.

O Japão é o lugar ideal para este projeto, pois o Xintoísmo, a religião mais próxima do povo japonês (mais que o budismo), que trata da relação do homem com o espírito, que está em toda parte (na Lua, no rio, na montanha, nas pedras). Baseado nisso, Ishiguro afirma que "assim como não distinguimos entre humanos e pedras, não fazemos distinção entre humanos e robôs".

De fato, o jornalista canadense Timothy N. Hornyak testemunhou em seu livro "Loving the Machine: The Art and Science of Japanese Robots" que, quando os robôs industriais foram introduzidos nas fábricas, eles foram recepcionados com rituais xintoístas e considerados parte integrante do quadro de funcionários. Masahiro Mori, autor do livro "The Buddha in the Robot", acredita que robôs podem ter natureza búdica, ou seja, são Budas em potencial. Isso quando os seres humanos têm uma relação íntima com as coisas que eles criam: "Se você faz algo com afinco, seu coração estará naquilo que você está fazendo. Então o robô será uma exteriorização do seu Eu, assim como um filho, e, sendo assim, o robô também será seu filho".

Ishiguro agora planeja desenvolver um robô com mais sensores e cordas vocais, para que ele aprenda movimentos e sons através de estímulos externos, assim como uma criança faz.

Japão, 2009. Um sistema capaz de mover um robô com o pensamento foi apresentado pelas companhias japonesas Honda e Shimadzu. A tecnologia permite que as mensagens cerebrais sejam transmitidas por meio de uma máquina acoplada na cabeça de um homem.

Ásia, em um futuro não muito distante. Implantes biônicos substituem músculos e carne. Pessoas inteiras, feitas de partes robôs, são a evolução natural da espécie. Controlados pela mente humana, a única coisa que os diferencia é o GHOST, o fantasma, a alma que habita a carcaça metálica. E é questionado se até mesmo ela, a alma, pode ser algo "irreal", manufaturado. Surge então a notícia de que um hacker está invadindo carcaças e, possivelmente, almas, controlando-as para seus propósitos.

Esse é o roteiro do Anime japonês "Ghost in the Shell" (que vou abreviar pra GITS). Lançado em 1995, se tornou objeto de culto no meio cinematográfico, aclamado por Spielberg e influenciando o visual do filme The Matrix (que anteontem completou 10 anos de existência). Pode ser considerado o sucessor espiritual de Blade Runner, tanto no conteúdo como no visual, e leva adiante a discussão em torno da relação homem x máquina.

A vida é como um nó que nasce dentro do fluxo de informações. Como uma espécie de vida que carrega o DNA como seu sistema de memória, o Homem ganha sua individualidade das memórias que ele carrega. Enquanto memórias possam ser o mesmo que fantasia, é por estas memórias que a humanidade existe. Quando os computadores tornaram possível externalizar memórias, você deveria ter considerado todas as implicações disto.

No Japão GITS não fez muito sucesso, talvez pelo seu estilo contemplativo e trama levemente confusa. Seja como for, GITS tem seu mérito pelo visual primoroso e conteúdo filosófico que, entretanto, não é nada comparado à sua continuação: "Ghost in the Shell: Innocence". Com ajuda maciça da computação gráfica, o diretor/escritor Mamoru Oshii conseguiu o que pra mim é o mais bonito anime de todos os tempos, com uma dose cavalar de referências e citações filosóficas, e nos levando a repensar o tempo todo a relação real x artificial, criador x criatura, citando, inclusive, a história de Descartes acima.

A essência da vida é a informação transmitida dos genes. Sociedade e cultura são nada mais que sistemas gigantes de memórias. A cidade é só um enorme dispositivo de memória externa.


Ghost in the Shell 1 completo, legendado


Tristeza pela morte de um pássaro, mas não pela morte de um peixe. Felizes aqueles que têm voz
(Saito Ryokuu)


Referência: Japan’s robots stride into future;
Spielberg fará Ghost in the shell em 3-D;
Descartes e sua concepção de homem


 
Cinema - publicado às 3:19 PM 63 comentários