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Jesus, certamente, não era um apreciador do ócio ou do jeitinho brasileiro. Procurou se acercar daqueles que trabalhavam, e nas áreas menos prestigiadas, como pescadores e coletores de impostos (sendo, ele mesmo, um carpinteiro). Mas ele sabia da necessidade de reservar momentos para o material e o espiritual, como já vimos no milagre dos pães, onde a multidão que estava lá para ouvi-lo (alimento espiritual) em dado momento precisou de alimento material, e ele, em vez de acatar a sugestão dos apóstolos e mandá-los pra casa, resolveu alimentá-los com o pouco que tinha (que virou muito).
Então, quando Jesus repreendeu (docemente) Marta, não foi por ela estar trabalhando enquanto ele pregava, e sim pela entrega a um trabalho que a deixava "ansiosa e perturbada", nas palavras do mesmo. E ainda mais porque ela foi repreender a irmã - que tinha naquele momento outras prioridades - pra que fizesse o mesmo trabalho que ela! Quantas vezes não inventamos de tomar um fardo (supostamente) mais pesado do que podemos carregar e acabamos por envolver outras pessoas (sem consultar) no carregamento dele?
O Dr. Inácio Ferreira certa vez perguntou sobre o significado dessa passagem bíblica pra Chico Xavier, sobre o que poderia ser essa coisa "tão pouca e tão necessária". Chico respondeu: "É o Amor!"
Certamente... com Amor, nenhum fardo é pesado demais, nenhum caminho é inquietante, e nada do que fizeres terá sido em vão.