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SIMULACRO E SIMULAÇÃO
seg, 21 de abril, 2008
 


No livro "Symbolic Exchange and Death" Jean Baudrillard argumenta que as sociedades ocidentais foram submetidas a uma "precessão dos simulacros", onde temos o original e as três ordens de simulacros:

A imitação;
A produção, a cópia mecânica;
E, por fim, a terceira fase do simulacro: a simulação, onde interagimos com representações/símbolos/imagens/ícones, achando que é o original.

Esses pensadores franceses são um saco. Deixam qualquer um deprimido. Às vezes fico pensando se as mulheres francesas são frígidas, pois os homens franceses geralmente aparecem pro mundo amargurados, mal-humorados e pessimistas, fazendo protesto por qualquer coisa. Mas, no fim do dia, tenho de dar razão a gente como Baudrillard ou Foucault: eles têm uma visão de mundo que é válida, não sendo a única, mas tristemente válida. Aí me dá vontade de cortar os pulsos com minha prestobarba, como fazem os emos. Aliás, esse post só começou por causa dos Emos.

Me explico: estava a contemplar o mega-confronto entre emos e punks no México, que só não chegaram às vias de fato pois os Hare Krishnas estragaram tudo com sua alegria e música festiva, botando as duas facções pra correr. A vida às vezes consegue ser mais bizarra que o final de Banzé no Oeste.

Vejamos os Emos: Eles são desajustados, ninguém os entende por serem tão sensíveis; "esse mundo não é pra mim, por isso vou viver à margem da sociedade, isolado. Mas ei, aqueles caras que cantam são legais! Pensam como eu! E no shopping, há dezenas como eu! O mesmo cabelo com chapinha, o mesmo olhar de tristeza! Puxa, não estou sozinho! Na internet há centenas, milhares! Gente que me entende!!! Então por que raios continuo alimentando a idéia de que estou triste e só?"

Assisti nesse fim-de-semana à peça teatral de Pinóquio. O que mais me chamou a atenção foram os movimento do ator principal. Para representar os movimentos do boneco, ele usou todo um gestual que, de tão estranho e inumano, era gracioso, como um balé. Pensei no quão difícil deve ter sido para o ator fazer todos aqueles movimentos nas pontas dos pés, para fingir um desequilíbrio que, para sua execução, exige um equilíbrio ímpar.

Atores... gente que finge ser outra pessoa, ou, no caso de Pinóquio, um símbolo. Ao menos ELES estão cientes disso.

Vejamos agora os punks: Eram pessoas que se vestiam como queriam, lá por Londres. Eles não pretendiam criar moda, apenas serem eles mesmos. Não existia um padrão punk, um estereótipo. Mas aí surge o furacão Sex Pistols, com um Sid Vicious que JÁ se vestia daquele jeito normalmente (não foi produção), e as pessoas pensaram: Ei, esse é meu ideal! E a partir daí o "movimento punk" (símbolo) nasceu, quando o Punk (original) em si morreu, ou desapareceu. E as pessoas preferiram o símbolo ao original, e o perpetuaram através de rituais (moda, gíria, relações sociais, etc) como qualquer outra cultura de massa. O Dado Dolabella falou que o João Gordo "traiu o movimento", mas o movimento não pára, ele está, como o nome diz, em movimento. O João Gordo é praticamente a Ana Maria Braga da MTV, e está sendo mais punk agora - se vendendo desbragadamente em programas ridículos - do que no Ratos de Porão. O que ele faz agora é PUNK, no sentido mais grotesco da palavra (eu mesmo não tenho estômago nem pra assistir aquilo, que dirá fazer).

Punks e Emos são aberrações da Matrix que foram rapidamente assimiladas pelo sistema. Eles não estão à margem da sociedade: são entretenimento da sociedade. São o chantily do bolo, o "algo a mais". Eu não vejo nenhum problema nisso, afinal gosto de diversidade, mas esses movimentos insistem em se dizer "outsiders", e aí entra a incongruência, o reforço do simulacro, a "mão que balança o berço".

Vejamos os Rappers: Não duvido que Eminem seja uma autêntico motherfucker e que tenha tido uma vida difícil e quebre minha cara só por eu olhar atravessado pra ele, mas o fato é que ele foi o instrumento principal nas mãos da mídia (ou Matrix) pra assimilar (e diluir) o "movimento rapper". O resultado (símbolo) vemos todo dia nas rádios e MTV (pimp my ride, gostosas rebolando na frente de caras com "attitude", e o exemplo mais grotesco de todos de distorção do original: Vanilla Ice).

O sistema fez isso com os Hippies: os caras estavam criando uma revolução de idéias, de sentimentos, que viria (em uma geração) a demolir o poder estabelecido de forma natural. O que fizeram? Incentivo ao ódio, incentivo às drogas, e aí, nesse terreno, o poder estabelecido sabe como lidar com você. Foi isso que John Lennon percebeu antes de qualquer um e criticou na sua própria geração (vide a letra de Revolution). Esse é o "Segredo" de quem controla a Matrix: distorcer o original até ele perder as origens. Pra isso vale tudo, até mesmo potencializar as características que eles pretendem, no futuro, combater. Estereotiparam o hippie com aquelas roupas e imagens de gente suja e drogada (isso era só uma faceta dos hippies de San Francisco, mas ficou representando todo o movimento até hoje), que só quer saber de música e arte (afastando-os da imagem política, que era o começo de tudo), com a idéia "essa é a liberdade que queríamos", e o que aconteceu? A próxima geração foi de Yuppies, ex-hippies que se tornaram cínicos para com seus ideais porque se renderam ao sistema em troca de dinheiro e prestígio, mas que continuaram presos às drogas, o que os faz ter a falsa sensação de poder (e não perceber quem de fato segura os fios do "boneco"). Ou seja: domados. Sistema 1 x 0 Liberdade.

Só pra não perder o gancho, o mesmo sistema de controle foi e está sendo aplicado nas religiões: O Islamismo está sendo caricaturizado através dos ícones, e os islâmicos mais radicais estão caindo como um patinho (pela falta de um líder espiritual, a grande nação islâmica que - quero crer - é pacifista faz um silêncio vergonhoso perante a mídia), o budismo está sendo caricaturizado, mas o Dalai Lama habilmente está conseguindo se desvencilhar. Quanto a Jesus... bem, nós perdemos há muito o Jesus original, e ganhamos um símbolo dele na cruz. Tivemos algumas belas imitações (1ª fase do simulacro), acabamos por consumir a reprodução em massa (e indiscriminada) desse símbolo (2ª fase), e agora já tomamos o símbolo/ícone pelo original (3ª fase do simulacro). Um "case" de sucesso. E, como diria Constantino, "In hoc signo vinces" (sob este símbolo vencerás).


Referência: Estereótipo influi no sucesso e no fracasso, diz estudo


 
Holismo, Pensamentos - publicado às 4:07 AM 246 comentários
A DURA VIDA DOS ANJOS
dom, 13 de abril, 2008
 


Estava comentando com minha psicóloga sobre meu problema com autoridade. Pais, professores, chefes, policiais, o governo chinês, qualquer coisa que tente impor moral. Falava que, na minha experiência, as pessoas que estavam abaixo da hierarquia, mas muito próximas de onde emana o poder, conseguiam ser mais intolerantes e mente-fechada que o próprio "poder". Foi aí que eu tive um insight: será que nos livros religiosos não se deu a mesma coisa?

Aí entram os anjos. Eles são mensageiros, como o nome já diz, mas, pra nós que estamos acostumados a hierarquias de grandes empresas (e eu acredito que o planeta Terra seja uma grande empresa) poderíamos denominá-los de "advogados". Afinal, eles ficam lá pelas nuvens, tocando harpas, e de vez em quando recebem a ordem do Barbudão e diz "quero que faça isso" ou "vai lá e dá um jeito nessa confusão lá entre os humanos" e lá vai o anjo, P da vida por ter de deixar seu Reino Angelical e ir visitar de novo aquela raça de quase símios, e detona na gente! Os anjos estariam mais pra os motherfuckers do filme Dogma do que pra os desenhos da renascença. Senão, como explicar a história de Lúcifer? Seria um anjo com transtorno bipolar, pra sair da bondade absoluta pra maldade absoluta? Na minha opinião os anjos têm de lidar com a parte suja do negócio, e por isso sofrem de problemas psicológicos por conta da pressão... Vejam o caso de Iblis, o "diabo" muçulmano. Allah deu uma ordem para que os Anjos se curvassem perante Adão (ou, se preferirmos, a raça humana). Iblis recusou-se, e isto acarretou a sua queda. Lúcifer foi na mesma onda: "Por que o Chefe trata melhor aos humanos do que a nós?" E aí foi demitido...

Deus não quer saber dos detalhes: ele tem galáxias e mais galáxias pra cuidar. É capaz até dele ter mesmo um braço-direito permanentemente aqui na Terra, tipo um Secretário-Geral, pra cuidar de tudo, e só os pepinos mais complicados é que Ele fica sabendo por alto. E aí o Big Boss tem idéias, como "vamos implementar uma religião aqui no Oriente Médio, que eles já estão em condições de absorver um pouco mais de espiritualidade". Aí cobra do Secretário-Geral, que vai fazer uma reunião com toda a diretoria pra resolver como será a melhor maneira de conseguir passar alguns preceitos pra aquele povo que, até o momento, está enchendo a cara, cheio de deuses (cada um com suas "leis") e se matando a troco de banana.

Na cultura judaica temos toda uma hierarquia de anjos, que seria o organograma da "empresa":

1. Haioth Hakodesh - Serafins
2. Ophanim - Querubins
3. Aralim - Tronos
4. Hashemalim - Dominações
5. Sheraphim - Virtudes
6. Malakhim - Potestades
7. Elohim - Principados
8. Beni-Elohim - Arcanjos
9. Kherubim - Anjos

Quem você acha que vai ter de fazer o trabalho sujo de botar moral naquele povo? QUEM? Os Kherubim, popularmente conhecidos como "Anjos", é claro! E aí despacharam um anjo pra tratar com Moisés, mas aí ele percebe que sua mensagem não surtirá efeito naquele povo a menos que venha da "boca" do próprio Deus, com direito a show pirotécnico e tudo mais! E assim tivemos os 10 mandamentos, com um Yaveh bastante "disponível" naquela época, dando instruções a Moisés por meio da Arca da Aliança.

Tempos depois desce Gabriel (conhecido no Islã como Djibril), que vai passar a mensagem de Deus pra Maomé (Muhammad) codificar o Corão. Aliás, no Corão vemos o Gabriel rememorando os acontecimentos com Moisés, e ele falando de Deus sempre no plural (como o Deus de Israel fala em Gênesis). Ora, se tivemos um mensageiro (ou vários, quem sabe?) pra falar com os muçulmanos, por que não pode ter sido assim com os judeus? Aliás, há uma teoria interessante sobre Yaveh na série de livros A saga dos Capelinos, de Albert Paul Dahoui, em que ele seria na verdade um Capelino, tão orgulhoso e feroz quanto os outros que estavam encarnados na Terra, mas com moral para comandá-los e disposição para redimi-los, de acordo com as orientações do Alto.

Mas, de acordo com minha teoria, houve uma falha de comunicação entre o presidente e o advogado. É como se um diretor de escola disesse pros professores "eduque essas crianças da melhor maneira possível", e quando a informação chegasse no zelador fosse: "mantenha esses pirralhos na linha, custe o que custar. O diretor não quer bagunça por aqui".

Se a única ferramenta que você tem é um martelo, você tende a tratar tudo como se fosse um prego
(Abraham Maslow)

Isso nos leva à uma extensão da minha teoria, onde já não tratamos mais dos anjos, mas sim de quem leva o puxão de orelha dos anjos: O profeta! Uma vez submetidos à "panela de pressão" que é ser investido da responsabilidade de levar adiante, aqui na Terra, a mensagem de Deus, e ser cobrado por um anjo sem muita paciência (investido da "autoridade" de um Deus vingativo), o que acontece? Endurecimento, claro! Por isso que essas religiões têm mais proibições do que tudo, todas com seus devidos castigos ou penalidades. Moisés já desceu do Monte Sinai botando quente no povo que adorava o bezerro de ouro. Maomé também não amoleceu diante dos opositores.

Mas existiu um profeta que fugiu radicalmente deste conceito: Jesus. Ele aparentemente foi o único que pôde driblar a burocracia da "empresa Terra" e conversar com o presidente cara a cara. E percebeu que Ele era um cara legal, cheio de idéias, e que só queria implementar coisas para o nosso próprio bem, sem muito apego ao COMO fazer. E Jesus, impressionado com a conversa, pensou: "Cara, eu tenho de contar isso pro pessoal da Terra". E contou. Como era um anti-burocrata, passou a chamar o presidente de "papai", sem papas na língua. E detestava os aproveitadores, que se diziam "assim" com o presidente (enquanto na verdade mal o conheciam) pra dar ordens nos outros e "carteirada" pra entrar de graça nos cinemas e nas festas. E questionou toda a lógica daquela época com frases como "Qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?". Isso era virar o conceito de autoridade da época de cabeça pra baixo. Assim, ele foi execrado pela hierarquia estabelecida aqui na Terra, mesmo.

A ironia é que, uma vez assassinado o cara mais desenrolado em termos de religião que o mundo já viu, surgiu um advogado (que era da concorrência mas mudou de lado) que, segundo ele, tinha uma procuração pra falar em nome de Jesus(®). Aí então surgiram as proibições mil, as penalidades, e o retorno da hierarquia, que descambou em mais burocracia...


Ler em espanhol (por Teresa)


 
5 estrelas, Cristianismo, Holismo, Internacional - publicado às 6:55 PM 216 comentários
MEMÓRIA CELULAR
qua, 9 de abril, 2008
 


Semana passada, um americano que havia recebido há 13 anos o coração de um suicida em um transplante se matou da mesma forma que seu doador. Além do que, 1 ano depois do transplante, ele já havia procurado a família do doador para agradecer pelo órgão e acabou se envolvendo (e casando!) com a viúva do antigo dono do coração!

Isso nos dá realmente o que pensar. Afinal, não é o primeiro caso.

"Nunca vou esquecer o dia em que recebi aquele telefonema. Eu fui a primeira pessoa a quem mamãe ligou. Ela me disse: como é que ele foi capaz de se matar? Fizemos uma reunião de família e meu irmão falou: vamos doar todos os órgãos dele", conta a irmã do jovem Howie.

O fígado de Howie foi doado para Debbie Véga. "Naquele dia eu estava muito doente, e podia até ter entrado em coma se não tivesse recebido aquele fígado a tempo", diz Debbie.

A história ocorreu nos Estados Unidos. A operação foi um sucesso, mas logo depois coisas estranhas começaram a acontecer com a mulher que recebeu o fígado no transplante:
- "Dois dias depois do transplante, eu pedi ao meu marido: compre amendoim, compre salgadinho de queijo para mim. Só que eu nunca gostei de comer isso. Passei três ou quatro meses comendo essas coisas, sem parar. Aí comecei a fantasiar: será que era isso que o doador gostava de comer?"

Debbie voltou ao hospital para tentar conseguir informações sobre o doador. Ela perguntou a uma enfermeira: é um homem? Uma mulher? A enfermeira respondeu: é um garoto. Só disse isso. Houve outra mudança nos hábitos de Debbie depois do transplante: ela começou a praticar luta. Ela pensou: será que o doador gostava de lutar? Dois anos depois da operação, ela finalmente conheceu a família do doador. As irmãs do jovem confirmaram: sim, ele gostava de lutar, e dava chutes iguais ao dela.
- "Parece que é ele usando o corpo dela. É como se ele quisesse provar a todo mundo que continua vivo", diz a irmã.

Casos como esse são pesquisados pelo doutor Gary Schwartz, um professor de medicina da Universidade do Arizona. Ele diz:
- "Explicações meramente biológicas são insuficientes para entender esses fatos bizarros. Essas memórias dos transplantados sugerem a possibilidade de continuidade da consciência mesmo depois da morte".
Os céticos dizem que essas memórias são simples coincidências, ou talvez efeitos colaterais dos medicamentos que os pacientes devem tomar depois da cirurgia. Mas como explicar uma outra história contada por Debbie?
- "Assim que acordei da cirurgia, lembrei de uma coisa que parecia um sonho: vi uma cena, um rapaz, uma moça de aparência latina. Ela usava uma blusa listrada".
A irmã comenta:
- "Isso me assustou, porque o meu irmão se matou na frente da namorada. Ela foi a última pessoa que ele viu: naquele dia, ela estava mesmo de blusa listrada".

O doutor diz que um dos casos mais fascinantes que estudou foi o de um jovem de 17 anos, um violinista, assassinado na rua. Seu coração foi transplantado para um homem de 47 anos, que, de repente, se apaixonou por música clássica. Passou a ouvir música clássica por horas e horas e disse que aquelas melodias comoviam seu coração. O problema do doutor Schwartz é demonstrar que células e órgãos podem guardar e transmitir algum tipo de memória. Mas ele acredita que existe uma espécie de energia que circula pelo corpo e leva informação a todas as células. É uma energia que teria origem no coração e estaria relacionada com nossas emoções.
- "Emoção é energia em movimento, ela pode estabelecer ligações biofísicas", defende o controvertido pesquisador.


Em uma ótima entrevista à Revista Planeta, o Dr. Paul Pearsall nos fala que as células têm memória e que o coração carrega um código energético especial, que nos conecta com os demais seres humanos e com o mundo à nossa volta. De certa maneira, sua teoria explica por que muitos transplantados passam a manifestar traços da personalidade do doador. Segundo Pearsall, "o fato de que as células têm memória é uma lei básica da natureza. Mesmo os mais simples organismos unicelulares lembram como se movimentar, encontrar alimento, fazer sexo e evitar os predadores. Os cientistas chamam isso de memória da função, mas, se uma célula pode lembrar, é bem provável que muitas células juntas poderiam ter memórias mais complexas e elaboradas. As células do coração são as únicas células rítmicas. Elas pulsam mesmo quando estão fora do corpo, e quando colocadas próximas a outras células do coração, se comunicam entre si e entram juntas numa batida rítmica. As células do coração retiradas por biópsia de um paciente e colocadas num prato de laboratório vibraram mais rápido quando seu doador estava sendo testado numa esteira ergométrica, num aposento no fim do corredor, bem distante do lugar onde suas células estavam sendo observadas. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, transferiram as memórias de vermes. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia mostraram que um único elétron podia alterar as memórias de nossos genes. Existem dezenas de fascinantes descobertas em pesquisas que indicam o princípio de que estamos ligados de uma maneira que ainda não entendemos."

O coração é muito mais do que um mecanismo bombeador. Ele não está a serviço do cérebro, mas é um parceiro para formar com ele nossa organização interna de manutenção da saúde
(Paul Pearsall)

A medicina chinesa já sabia disso há alguns milhares de anos. Segundo eles, o coração é responsável por controlar o sangue, os vasos sanguíneos e a mente. Isso mesmo. Não só a atividade mental, como a consciência, ou, como eles chamam, "dotar a mente de tesouro". Quando há Ki/Qui (energia vital) em abundância no coração, isso se reflete no rosto, que possui muitos vasos sanguíneos. Um rosto brilhante e rosado revela uma pessoa sã, enquanto um rosto obscuro ou azul-purpúreo indica deficiência de Ki ou estagnação do sangue no coração.

Mas poderia um distúrbio mental afetar de forma irreversível a memória celular do coração? Vejamos o que diz o espiritismo, no capítulo 18 do livro de André Luiz (Psicografado por Chico Xavier) Missionários da Luz, que trata de obsessão e seus efeitos no organismo:

A jovem que reagia contra o assédio das sombras demonstrava normalidade física razoável. Parecia alguém que fazia todos os esforços para defender o equilíbrio da própria casa. No entanto, os outros apresentavam lamentáveis condições orgânicas. A mulher possuída tinha sérias perturbações, desde o cérebro até os nervos lombares e sacros, apresentando completo desequilíbrio da sensibilidade, além de grave descontrole das fibras motoras. Esses desequilíbrios não se limitavam apenas ao sistema nervoso, mas atingiam também as glândulas e demais órgãos em geral.
(...)
Percebendo que Alexandre estava mais disponível, comentei o que havia observado, perguntando, em seguida:
- Tendo em vista os desequilíbrios físicos que pude verificar nos assistidos, podemos considerá-los como doentes do corpo também?
- Com certeza – afirmou Alexandre -, o desequilíbrio da mente pode causar perturbação geral do corpo físico. É por isso que as obsessões, quase sempre, vêm acompanhadas de aspectos muito complicados. As perturbações da alma levam às doenças do corpo.
- Mas e se conseguíssemos afastar os obsessores definitivamente? Como ex-médico encarnado, vejo que estes doentes psíquicos não têm as doenças restritas à mente. Com exceção da jovem mais forte, os outros apresentam estranhos desequilíbrios do sistema nervoso, com distúrbios no coração, fígado, rins e pulmões. Digamos que conseguíssemos fazer com que os obsessores desistissem de seu intento. Os obsidiados teriam de volta o equilíbrio físico, retomando a saúde plena?
Alexandre pensou um pouco, antes de responder, e disse:
- André, o corpo físico é como um violino que se entrega ao músico, que, nesse caso, é o espírito encarnado. É indispensável preservar o instrumento das pragas e defendê-lo de ladrões. (...) O violino simbólico de que falamos, quando entregue às forças do mal, pode ficar parcialmente destruído. E, mesmo que seja devolvido ao verdadeiro dono, pode não ter mais a qualidade que tinha antes. Um Stradivarius pode ser autêntico, mas não poderá ser ouvido com as cordas arrebentadas. Como vemos, os casos de obsessão apresentam complicações naturais e, para solucioná-los, não podemos dispensar a colaboração direta dos próprios interessados, os obsidiados.
- Entendo! Mas, suponhamos que os obsessores mudem de idéia e se afastem definitivamente do mal, depois de atacarem o corpo dos obsidiados durante longo tempo... Nesse caso, esses obsidiados não se recuperariam imediatamente? Não teriam a saúde completa novamente?
Com a paciência que lhe é peculiar, Alexandre respondeu:
- Já vi casos assim e, quando acontecem, os antigos perseguidores se transformam em amigos, ansiosos por reparar o mal praticado. Às vezes, com a ajuda dos planos superiores, conseguem a recuperação física plena daqueles que sofreram os seus ataques desumanos. No entanto, na maioria dos casos, os obsidiados não conseguem mais recuperar o equilíbrio do corpo físico.
- E vão com a saúde comprometida até a morte? – perguntei, muito impressionado.
- Sim – respondeu Alexandre, tranqüilamente.


Referência: Tratado de Medicina Chinesa (Ed. Roca);
Documentário "Transplante de Memórias", do Discovery Home and Health;
Paul Pearsall - Memória das Células (Ed. Mercuryo)


Ler em espanhol (por Iván Lavilla)


 
Ciência, Espiritismo, Internacional - publicado às 12:15 AM 131 comentários
O REAL E OS SONHOS
sáb, 5 de abril, 2008
 



Imagem do Instituto de Astrofísica das ilhas Canárias exibe restos de antigas galáxias que desapareceram há mais de 5 bilhões de anos

Estranho como uma coisa tão "real" pra nós, aqui na Terra, já não exista mais. Você aponta o telescópio e vê aquilo lá, e continuará vendo até o fim da sua vida, mas o que vê é apenas a luz de algo que já se apagou há 5 bilhões de anos. O que é real? A luz que chega às nossas retinas, ou a informação científica? Para um índio, as estrelas que vemos no céu são reais, tão reais quanto a crença de que são os espíritos dos seus ancestrais. Mas essa "realidade" é despedaçada quando nos esclarecemos, através de preceitos científicos e comprováveis, como a velocidade da luz. Aí então abandonamos nossas crenças de outrora, herdadas de nossa cultura imediata, para abranger uma cultura global, impessoal, e com isso passamos a ser mais racionais e críticos, com o risco de nos tornarmos a ser bidimensionais, padronizados, pausterizados pelo novo saber-comum que não dominamos inteiramente, mas aceitamos por ser o "certo".

Isso me lembra o conceito de inconsciente coletivo, brilhantemente intuído por Carl Jung. Um "compartimento" comum a todos os seres humanos, onde o espaço/tempo é relativo, e que era chamado na antiguidade de "simpatia de todas as coisas". Do inconsciente coletivo pegamos "emprestados" nossas máscaras (personas), que compõem nossa personalidade. De lá também vêm os arquétipos, instintos que parecem "dirigir" a história da raça humana em maior ou menor intensidade, através dos mitos.

"A alma primitiva do homem confina com a vida da alma animal, da mesma forma que as grutas dos tempos primitivos foram freqüentemente habitadas por animais antes que os homens se apoderassem delas."
(Carl Jung)

O perigo é quando tais imagens se apoderam do consciente:

"No fundo, não descobrimos no doente mental nada de novo ou desconhecido: encontramos nele as bases de nossa própria natureza"
(Carl Jung)

O mais fantástico disso tudo é que, por ter caráter coletivo, ao olhar para o inconsciente dos "outros", estamos também lidando com a matéria-prima do nosso próprio inconsciente:

"A alma é muito mais complexa e inacessível do que o corpo. Poder-se-ia dizer que é essa metade do mundo não existente senão na medida em que dela se toma consciência. Assim, pois, a alma não é só um problema pessoal, mas um problema do mundo inteiro, e é a esse mundo inteiro que a psiquiatria deve se referir."
(Carl Jung)


Conhece a ti mesmo

"O psicoterapeuta não deve contentar-se em compreender o doente; é importante que ele também se compreenda a si mesmo"
(Carl Jung)


EROS X INSTINTO DE PODER

No livro Memórias, sonhos e reflexões, Jung nos fala um pouco de duas forças em oposição que, ao meu ver, são centrais em nossas vidas:

Surgiu-me a idéia de que Eros e o instinto de poder eram como que irmãos inimigos, filhos de um só pai, filhos de uma força psíquica que os motivava e - como a carga elétrica positiva e negativa - se manifestava na experiência sob a forma de oposição; o Eros, como patiens, e o instinto de poder como um agens, e vice-versa. O Eros recorre tantas vezes ao instinto de poder como o instinto de poder ao Eros. O que seria um destes instintos sem o outro? O homem, por um lado, sucumbe ao instinto e, por outro, procura dominá-lo. Freud mostra como o objeto sucumbe ao instinto. Alfred Adler, como o homem utiliza o instinto para violentar o objeto. Nietzsche, entregue a seu destino e sucumbindo a ele, precisou criar um "super-homem". Freud - tal era minha conclusão - deve ter sido de tal forma subjugado pelo poder do Eros, que procurou levá-lo, como um numen religioso, ao nível de dogma aere perennius (eterno). Isto não é um segredo para ninguém: Zaratustra é o anunciador de um evangelho e Freud chega a competir com a Igreja através de sua intenção de canonizar doutrinas e preceitos.

Se Freud tivesse apreciado melhor a verdade psicológica que faz da sexualidade algo de numinoso - ela é um Deus e um Diabo - não teria ficado prisioneiro de uma noção biológica mesquinha. E Nietzsche, com sua exuberância, talvez não tivesse caído fora do mundo se tivesse permanecido nos fundamentos da existência humana.

Cada vez que um acontecimento numinoso faz vibrar fortemente a alma, há perigo que se rompa o fio em que estamos suspensos. Então o ser humano pode cair num "sim" absoluto ou num "não" que também o é! Nirdvandva, diz o Oriente. O pêndulo do espírito oscila entre sentido e não-sentido, e não entre verdadeiro e falso. O perigo do numinoso é que ele impele aos extremos e então uma verdade modesta é tomada pela Verdade e um erro mínimo por uma aberração fatal. Tudo passa: o que ontem era verdade, hoje é erro, e o que antes de ontem era considerado um erro será talvez uma revelação amanhã... e isto é ainda mais válido na dimensão psicológica, acerca da qual, na realidade, sabemos pouquíssimo. Muitas vezes negligenciamos isto e estamos longe de levá-lo em conta: que nada, absolutamente nada existe, enquanto uma consciência, por restrita que seja - luz efêmera -, não o advirta.

Luz efêmera... E assim retornamos ao começo do post: luz. Folheando um antigo carderno de desenhos meus, de quando eu tinha 5 anos, achei uma frase minha desta época, que meu pai achou por bem copiar: "Quando a gente abre os olhos, o sonho se fecha". Deve ter sido meu primeiro insight quanto a realidade das coisas. Décadas depois retomo a linha de raciocínio amparado por Jung, que nos legou uma visão de sonho muito diversa da (corajosa e pioneira, diga-se de passagem) idéia de Freud: Enquanto para este o sonho é uma fachada atrás do qual seu significado se dissimula, se ocultando maliciosamente à consciência, para Jung os sonhos são natureza, e dizem o que podem dizer tão bem quanto os nosso olhos ou ouvidos, sem procurar nos enganar, e que talvez sejamos nós (consciência) que nos enganamos, por sermos míopes ou um pouco surdos pra captar a informação da forma adequada.

Será que o que por vezes conseguimos enxergar ("trazer à luz" da nossa consciência) não é apenas a luz débil de algo que brilhou intensamente e que já não existe mais?


 
Psicologia - publicado às 4:35 AM 39 comentários
NÃO BOICOTEM MAIS OS JOGOS OLÍMPICOS
ter, 1 de abril, 2008
 


É isso, pessoal. As pessoas erram, mas devem ter hombridade o suficiente pra reconhecer o erro.

Fui muito precipitado quando pedi um boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, e peço que me desculpem. Precipitado porque, primeiro, eu tomei esta decisão baseado tão somente em relatos esparsos vindos pela TV e internet, muitos deles não confirmados. Não vivo no Tibet para saber a real situação da população tibetana e sua relação com o povo chinês. Segundo, eu cometi um erro em projetar toda a minha frustração com o governo Lula no Partido Comunista Chinês. Logo se vê que não há a menor relação ideológica entre eles, afinal o governo chinês de fato se preocupa com a segurança e bem-estar dos cidadãos, com áreas públicas permanentemente vigiadas por câmeras de segurança, preocupação com o que o cidadão lê ou assiste na TV (aposto que não tem essa pouca vergonha das novelas brasileiras por lá). Enfim, um governo que REALMENTE preza pelo social.

Pelo acima exposto, não acredito que alguém tão preocupado com a cidadania e unidade do povo chinês vá fazer alguma coisa de ruim para com seus cidadãos, e como o Tibet de fato faz parte da China, acredito piamente que toda esta confusão se deu por intermédio de terroristas indo-tibetanos infiltrados na população, e não pelo pacífico povo sino-tibetano, já domesticado pela civilização trazida há mais de 40 anos. Infelizmente o Dalai Lama permitiu que a escalada de violência chegasse a esse patamar, ao declarar venenosamente que o governo chinês comete "genocídio cultural" contra o povo tibetano, o que obviamente é uma inverdade, ou não teríamos um bichinho tibetano tão bonito e fofinho como um dos mascotes da Olimpíada.

Por isso tudo, removi os posts do boicote e peço que desconsiderem todas as notícias que a imprensa marrom brasileira - patrocinada pelos EUA - publica contra a China.

Gostaria de aproveitar o ensejo para agradecer ao Consulado Geral da República Popular da China o convite para assistir aos Jogos Olímpicos, com todas as despesas pagas. Creio que esta será uma ótima oportunidade de demonstrar aos meus leitores o quanto a China está receptiva e aberta ao diálogo construtivo, com posts atualizados do outro lado do mundo, em tempo real. Aguardem a cobertura dos Jogos pelo Saindo da Matrix, que vai trazer temas esportivos e espiritualistas! Descobriremos os segredos da acupuntura, nos aprofundaremos no Tai Chi, analisaremos as traduções do Tao Te Ching e responderemos à seguinte dúvida: para os chineses, bebês fêmea têm alma?

CHINA, AÍ VOU EU!


 
Política - publicado às 4:26 AM 85 comentários