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PREPAREM SEUS FILHOS PARA A VIDA!
qua, 30 de agosto, 2006
 


Pais são criaturas esquisitas. A maioria é completamente despreparada pra cuidar de um filho. Não estou falando de prover educação, sustento, carinho, mas da parte metafísica mesmo, que é a formação de um ser humano, que vai atuar (e mudar) o mundo no qual vivemos. É um ser humano, com suas nuances psicológicas e muitas vezes uma maturidade que supera (dada as devidas proporções) até mesmo a dos próprios pais!

E como eles lidam isso? Minha experiência têm mostrado dois tipos de pais: Os "superatenciosos" - que ficam escrutinando cada passo dos filhos, botando rédeas, proibindo, criando regras - e os que "não estão nem aí". Geralmente os superatenciosos (e isso não é um elogio) tiveram uma educação rígida, típica das famílias dos anos 30 ou 50, e não perceberam que o mundo mudou "um pouquinho" nos últimos 50, 70 anos... Tentam segurar os filhos junto a eles pelo simples fato de serem pais (ou seja, não tentam CATIVAR o filho) e invadem arbitrariamente o mundo deles pra extrair informações (ao invés de PARTICIPAR do mundo dos filhos). Quanto mais tendem a apertar o filho, mais ele vai escapar entre os dedos, como areia. E a tendência é que em casa o pai tenha um filho, e na rua outro totalmente diferente. Essa falta de contato com o VERDADEIRO filho pode levar a desagradáveis surpresas, como ter de buscar o rebento na delegacia, ou descobrir que ele está a quilômetros de distância de onde ele tinha dito que ia...

O oposto disso são os pais que não estão nem aí. Geralmente vieram da geração "anos 70", porralouca, que brigaram no passado com os pais retrógrados e agora se vêem na situação deles... Muitos nem queriam ter filhos, mas aconteceu, e aí? O jeito é criar, e de preferência do jeito que eu gostaria de ter sido criado... Como eles foram muito pressionados, isso significa dar uma total liberdade de criação. Dependendo das companhias que o filho tenha, isso pode resultar na mesma surpresa dos pais superatenciosos: de ter de pegar o filho na delegacia, ou mesmo no IML...

Nos dois casos de pais temos uma tendência em comum: superproteção. No primeiro caso, a superproteção é para que o filho tenha os valores familiares que ELES tiveram (não importando se o Muro de Berlim caiu, ou se o Homem foi ao espaço), como voltar pra casa cedo, trazer o namorado pra almoçar no domingo, etc, ou para que os filhos sofram as mesmas pressões que eles sofreram dos seus pais (ou seja, repetem o esteriótipo do pai durão, da sogra chata, etc). Vão assim propagando a Matrix, de forma que eles nem mais sabem de onde surgiram tais comportamentos (transformados que são em dogmas).

No caso dos pais "nem aí", a superproteção revela-se mais como uma fuga das responsabilidades, ou seja: "eu te dou tudo o que você quiser, só não me perturbe". Mimam os filhos com os melhores brinquedinhos que a tecnologia pode comprar, criando assim "marias-mole", pessoas despreparadas para os desafios da vida. É tenebroso sair na rua e ver pessoas que não conseguem andar um quarteirão sem que seja de carro!! Gastam fortuna em academias, batem perna nos shoppings, mas não conseguem andar na rua! São mentalmente incapacitados para encarar situações adversas, porque elas SEMPRE tiveram o que queriam, quando queriam! Será que os pais não pensam nisso?

Um aviso a quem tenha se aventurado por estas linhas e tenha (ou venha a ter) filhos: Se inspirem na personagem de Sarah O'Connor, do filme O Exterminador do Futuro II, e criem seus filhos como combatentes. Não com armas, mas com INFORMAÇÃO. O futuro é negro, quem conhece a história sabe que a aparente calmaria antecede a tempestade, e as nuvens que estão se delineando apontam para um futuro de transição, no qual não teremos as mordomias às quais estamos nos acostumando, e onde será preciso CRIATIVIDADE para criar as novas ferramentas e superar os obstáculos. Nossas vidas são atualmente baseadas no silício e no petróleo. Todas as tentativas de sair desse modelo são suprimidas ou desmotivada$. Iraque e Afeganistão foram só o começo. Quanto mais o preço do barril subir, mais acirrada irá ficar a disputa... e, num mundo globalizado, com certeza sofreremos as consequências do nosso despreparo.


 
Pensamentos - publicado às 2:51 PM 45 comentários
HACKER PROCURA UFOS NA NASA E É PRESO
ter, 29 de agosto, 2006
 


O hacker britânico Gary McKinnon, 36 anos, será extraditado aos Estados Unidos por ter acessado os computadores do Pentágono e da Nasa. Se for considerado culpado, sua pena pode chegar a 70 anos de prisão mais multas em torno de US$ 1,75 milhão.
Seu crime? Baixar documentos confidenciais, instalar um programa que tornou "inoperante" o distrito militar de Washington, destruir 1,3 mil contas informatizadas e se apropriar de 950 senhas.
Sua motivação? Procurar dados que pudessem provar a existência dos OVNIs (objetos voadores não-identificados).

Essa foi a notícia divulgada nos sites brasileiros em 2005. Agora, a pergunta "Será que ele achou o que procurava?" não foi feita em nenhum momento. Até agora. Numa entrevista reveladora à Spencer Kelly, publicada pela revista Wired e pela BBC (abaixo é um resumo do que encontrei de bom nas duas versões), Gary fala do que achou por lá:

Kelly: Qual foi a sua motivação?
McKinnon: Eu estava em busca de tecnologias escondidas, jocosamente referidas como tecnologias alienígenas. Enquanto países são invadidos por causa de petróleo e velhos pensionistas sequer podem pagar suas contas de combustível, governos secretos sentam em cima de tecnologias como a energia-livre (também conhecida como Energia Ponto Zero).

Kelly: Você achou algo na sua busca por evidências de OVNIs?
McKinnon: Certamente que sim. Há o chamado The Disclosure Project. É um livro com testemunhos de 400 pessoas das mais diversas, de controladores de tráfego aéreo civil e militar à responsáveis por lançamento de mísseis nucleares. São testemunhas muito críveis, e falam que sim, há energia livre, há antigravidade, e são tecnologias alienígenas em sua origem, e que nós capturamos naves alienígenas e fazemos engenharia reversa nelas.

Kelly: Como o incidente de Roswell em 1947?
McKinnon: Acho que esse foi o primeiro e que houveram outros. Essas testemunhas nos deram sólidas evidências.

Kelly: Que tipo de evidências?
McKinnon: Uma expert em fotografia da NASA disse que havia um prédio de Nº 8 no Johnson Space Center, onde eles regularmente apagam digitalmente OVNIs das imagens de alta-resolução dos satélites. Eu invadi a NASA e pude acessar esse departamento. Eles tinham enormes imagens em alta-resolução nos seus arquivos. Minha conexão de 56k (isso foi há anos) era muito lenta pra baixar essas imagens. Enquanto tentava, eu tinha acesso remoto ao computador deles e, ajustando minha tela pra cores em 4-bit e baixa resolução, consegui ver brevemente uma dessas imagens. Era um objeto em forma de cigarro, prateado, com domos geodésicos em cima, embaixo, nos lados e nas duas pontas. Estava flutuando no espaço, com a Terra abaixo dele. Não havia soldas visíveis nem parafusos. Nao havia referência quanto ao tamanho do objeto e a foto foi tirada provavelmente por um satélite. Esse objeto não parecia feito por humanos ou com qualquer coisa que tenhamos criado.

Kelly: Não podia ser a obra de um artista?
McKinnon: Não sei... pra mim, foi mais do que uma coincidência. Essa mulher disse: "Isso é o que acontece, neste prédio, neste Space Centre". Eu fui nesse exato lugar e vi exatamente o que ela disse!

Kelly: Você tem uma cópia disso?
McKinnon: Não. O visualizador funciona quadro a quadro. É uma aplicação Java, então nada é salvo na sua máquina, ou se é, é apenas um quadro.

Kelly: Então você tem esse quadro?
McKinnon: Não. Eu fui descoberto e desconectado, então perdi a imagem. Mas também consegui planilhas de Excel. Uma era intitulada "Non-Terrestrial Officers". Ela continua nomes e postos de pessoas da Força Aérea dos EUA que não são registradas em mais nenhum lugar. Também continha informações sobre transferências de navios para navios, mas eu nunca vi o nome desses navios em nenhum outro lugar.

Kelly:Não poderia ser um tipo de jogo de estratégia militar ou o desenvolvimento de situações hipotéticas?
McKinnon: Os militares querem ter domínio do espaço. O que achei poderia ser um jogo... é difícil dizer com certeza.

Kelly: Alguns dizem que sua motivação sobre UFOs é uma distração para mascarar atividades nefastas.
McKinnon: Eu estava procurando por essas informações antes e depois de onze de setembro. Se eu quisesse distrair alguém, não escolheria a ufologia, já que ela me expõe ao ridículo.


Pois é... só sei que extraditaram uma pessoa de seu país e querem prendê-la por 70 anos simplesmente por invadir o computador errado... MUITO errado... Com certeza não era o PC onde os militares brincam de jogos de guerra.


 
Ufologia - publicado às 2:48 AM 45 comentários
PERDÃO
qui, 24 de agosto, 2006
 


Mês passado fiz mais um tratamento com Cromopuntura, pra ver se alivio mais minha depressão - que tem muito a ver com preocupações, sejam elas familiares ou coisas que abrangem o povo brasileiro como um todo - ao botar o que me incomoda pra fora.

Pedi pra colocar a dose máxima, o que fez das minhas semanas de julho e agosto um inferno onde eu tenho brigado até com a minha própria sombra. Graças a Deus o blog saiu do ar nessa época e vocês não precisaram me aturar. O resultado é que agora tenho me sentido muito mais leve, e estou tomando até um floral de Minas (o "Calmin") pra relaxar.

Durante minhas semanas de pura ira (somadas ao meu inferno zodiacal) dei de cara com um flanelinha quando tentava relaxar na Praia de Maracaípe. Se tem uma coisa que eu detesto são flanelinhas exploradores. Não os confundo com os flanelinhas que realmente trabalham, ajudando a pessoa a estacionar em locais difíceis, empurrando carros pra caber mais outros, etc. São sim os que ficam em locais movimentados, FINGEM que ajudam a estacionar, quando não é preciso, e cobram (adiantado) valores altíssimos. São verdadeiros marginais disfarçados de trabalhadores, agindo como gangsters. E, se tem uma coisa que detesto mais do que flanelinhas exploradores, são pessoas que me ameaçam... Então, ao estacionar próximo à praia, encontrei a junção das coisas que mais detesto: um flanelinha explorador e ameaçador.


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Pensamentos - publicado às 2:11 PM 66 comentários
OSHO: HOMOSSEXUALIDADE
qui, 17 de agosto, 2006
 


"Encontro-me muito atraída pelas mulheres e muito raramente profundamente por um homem. Isso me incomoda um pouco."

Você está atraída por mulheres: perfeitamente bem. Vá fundo no relacionamento com mulheres. Se você criar uma ansiedade disso, você não será capaz de ir fundo no relacionamento com uma mulher. Se você se aprofundar no relacionamento com mulheres, meu entendimento é que mais cedo ou mais tarde você irá descobrir que esse relacionamento não pode ser muito realizado, porque duas mulheres são semelhantes. E um relacionamento precisa de uma certa tensão para ser realizado, uma certa polaridade para ser preenchido. Duas mulheres apaixonadas, ou dois homens apaixonados, terão um bom relacionamento, isso porém, não será muito apimentado. Será um pouco triste, monótono, um pouco enfadonho.


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Hinduísmo - publicado às 6:06 PM 108 comentários
UM POUCO DE (TRISTE) HISTÓRIA
ter, 15 de agosto, 2006
 


Estou profundamente triste com essa guerra no Oriente Médio entre Israel e o Hezbollah (também conhecido como "árabes em geral"). Guerras sempre são cruéis e estúpidas, mas geralmente encontramos um lado pra apoiar, outro pra chamar de vilão e protestar contra ele em praça pública... Mas não nesse caso. É muito fácil tomar partido do lado mais fraco, como a imprensa vem fazendo, e esse lado é nitidamente o Líbano, que não tinha lá muito a ver com o Hezbollah mas cuja população está pagando o pato pela omissão que permitiu que esse grupo terrorista (mais ou menos como o PCC) usasse a fronteira deles pra atacar Israel. Mal, muito mal, Líbano...

Quem é que gosta de tomar mísseis Katiucha na cabeça sem fazer nada? Aposto que qualquer outro país faria o mesmo... só que destruir indiscriminadamente prédios residenciais e atacar comboios de refugiados não é bem o que qualquer país chamaria de retaliação justa. Mal, muito mal, Israel...

Só que o Hezbollah não tem uniforme, não tem nacionalidade, não tem cara de bandido. Está inserido no meio da população e usa-a como esconderijo. Mal, muito mal, Hezbollah...

Mas, ao mesmo tempo que tenta combater os terroristas explodindo os civis junto com eles, Israel está criando toda uma nova geração de combatentes libaneses, civis que outrora eram neutros em relação a Israel, e que agora têm motivo DE SOBRA pra sentirem ódio mortal e se alistarem do lado que combate os invasores (no caso, o Hezbollah).

Onde esse ódio todo começou? Provável resposta: Primeira Guerra mundial. Com as humilhações impostas pela Europa Ocidental à Alemanha, por conta dos obscenos pagamentos de guerra aos vencedores (Tratado de Versalhes), a moeda alemã teve de ser brutalmente desvalorizada, até não valer mais nada. Chegou uma época em que o preço era medido pelo PESO das notas! Fome pipocava. Mulheres trocavam seus corpos por comida. Estrangeiros, banqueiros e industriais se esbaldavam com a desvalorização do dinheiro e a economia destroçada. Muitos desses (ou pelo menos os mais visíveis para a população revoltada) eram judeus. Por que judeus? Por que eles são competentes e inteligentes para os negócios, oras. Um povo sem terra, sem posses fixas, precisando fugir ou migrar de um país pra outro por conta das perseguições, obviamente desenvolveu uma cultura baseada no capital e nos negócios, especialmente ouro, que é portável e aceito no mundo todo, todos os dias do ano. Pois os alemães viram no judeu um vilão. Não só o judeu, mas o francês, o inglês, todos os que impuseram as humilhantes e continuadas sansões à Alemanha derrotada. Foi nesse caldeirão de revolta e desgosto que cresceu Adolf Hitler, que representou como ninguém as aspirações do povo alemão daquela época (ou você acha que ele chegou ao poder por acaso?). Como disse antes, todo alemão daquela época tinha uma rusga com judeus, entre OUTROS povos. Mas Adolf tinha um ódio visceral (não muito bem explicado até hoje... desconfia-se que a mãe dele tenha tido um caso com um judeu, mas pouco se sabe do passado familiar de Hitler). E atiçou artificialmente essa rusga do povo até transformá-la em ódio puro, promovendo coisas como o pretenso "documento" O Protocolo dos Sábios do Sião, estudos pseudo-científicos que "provavam" a superioridade da raça ariana (enquanto os judeus eram considerados uma sub-raça propensa a trazer doenças e retardo mental a quem se misturasse com ela) e qualquer coisa que fizesse os judeus parecerem perversos. Usando a máquina de propaganda para fazer uma verdadeira lavagem cerebral no povo, encrustrou nos soldados que os judeus eram menos que humanos, e daí toda a atrocidade cometida indiscriminadamente contra eles na 2ª guerra, que já conhecemos muito bem (assistam A Lista de Schindler, que mostra o que aconteceu de verdade, e olhe que ainda deixou de mostrar coisas bem piores!!). Ao desarmar toda a população da Alemanha, Hitler tornou a perseguição aos judeus um trabalho fácil para a máquina de guerra alemã.

O extermínio sistemático de judeus e a expansão dos territórios ocupados pela Alemanha na Europa fizeram com que os judeus perdessem seus lares e vagassem sem destino pelos outros países. Afinal, não existia um território judeu naquela época (Israel tinha deixado de existir 1.900 anos antes), muito embora houvesse desde 1917 um projeto para assentar o povo judeu na Palestina, que era administrada desde o fim da 1ª guerra pela Inglaterra (que tem a mania de administrar os territórios dos outros... Pergunte aos argentinos).

Mas, como os judeus perderam sua terra? Primeiro, veremos no Velho Testamento (a única fonte de consulta restante) como eles a conseguiram:

O patriarca dos hebreus, Abraão, morava na cidade de Ur, na Caldéia, e recebeu a ordem de Deus: "Deixa teu país, tua parentela e a casa de teu pai, para o país que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome; sê tu uma bênção!" (Gênesis 12:1-2). Obediente, Abraão foi à Canaã (onde hoje se localizam o Estado de Israel e a Jordânia) e seus filhos e netos constituíram a base do povo judeu, os "filhos de Israel". O nome Israel (que significa "aquele que luta com Deus") vem da luta que o neto de Abraão, Jacó, teve com um anjo de Deus. Os 12 filhos de Jacó deram origem às 12 tribos de Israel.

De acordo com a Bíblia, José, um dos filhos de Jacó, foi vendido como escravo pelos irmãos e levado para o Egito, então dominado pelos hicsos. Junto aos hicsos, o escravo José ganhou prestígio e tornou-se figura importante no governo do faraó. Por esta época, uma grande seca obrigou os hebreus a deixarem a Palestina. Liderados por Jacó, eles chegaram ao Egito por volta de 1700 a.C. Só que, com a expulsão dos hicsos, em 1580 a.C., os hebreus perderam seus privilégios e foram escravizados pelos egípcios. O território que era de Israel ficou centenas de anos "sem dono", e as tribos de Cananeus e Filisteus se fixaram naturalmente por lá.

Liderados por Moisés, os hebreus fugiram do Egito, e (segundo a Bíblia, no livro Êxodo) conduziu a marcha de 40 anos (!) através do deserto para voltar a conquistar a terra prometida (Canaã). Obviamente não encontraram moleza, pois os Cananeus não iriam simplesmente embora só porque o antigo dono (que eles nem conheciam) voltou. Brigas e mais brigas se seguiram, com todas as atrocidades contidas no Velho Testamento "autorizadas" ou mesmo ordenadas por Deus. Tais guerras duraram vários séculos, e o povo hebreu sofreu e fez sofrer pra caramba.

Pra resumir, em 70 d.C. os hebreus foram expulsos de Jerusalém, pois se negaram a render culto ao imperador romano, Tito, e organizaram revoltas. Nesse período Jerusalém foi destruída. Esse acontecimento ficou conhecido como diáspora (dispersão dos judeus pelo mundo). Em 136 da nossa era, os judeus foram definitivamente expulsos da região (segunda diáspora) pelo imperador Adriano. Novamente a terra ficou "sem dono", e os Palestinos se fixaram naturalmente na região.

E voltamos à Segunda Guerra Mundial. Com o fim da guerra, a pressão para que os judeus tivessem seu próprio lar (iniciada em 1896) atingiu níveis gritantes, que permitiram em 1948 à recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU, cujos poderes do ocidente sobre o oriente eram nitidamente superiores) estabelecer definitivamente os judeus no território palestino, dividindo-o em dois. A título de compensação, os palestinos receberiam mensalmente uma quantia em dinheiro para se manterem (especialmente porque Israel ficou com a maior parte do território e acesso ao mar, enquanto os palestinos ficaram partidos em três pedaços SEM COMUNICAÇÃO, o maior deles banhado pelo Mar Morto... que é literalmente MORTO). Os árabes não gostaram nada disso, e no mesmo ano eclodiu a Guerra da Independência, onde uma liga militar de cinco exércitos de países árabes invadiu a região destinada a Israel, por não concordarem com a partilha de território tal como havia sido delineada pela ONU (e também visando ganhar algum território pra eles).

Humilhados e atacados na 2ª guerra, os judeus desta vez estavam determinados a não se deixarem vencer novamente. E, com apoio bélico e financeiro (hoje estimado em $3 bilhões ao ano) dos EUA, foram à luta. Como já devem ter percebido, quando os judeus pegam em armas tendem a exagerar um pouco, e, liderados pelo general Ariel Sharon, não só venceram os inimigos em 1948 como também em 63, e desta vez tomaram para si pontos estratégicos dos territórios palestinos. "Questão tática de defesa", devem ter dito. Mas, o que deveria ser temporário e negociável, como uma área isolada e neutra, se tornou - na manobra mais condenável e indesculpável de todo o conflito - áreas de ocupação, com assentamentos judeus (casas com famílias) permanentes em pleno território palestino (especialmente as poucas terras produtivas que eles tinham), numa clara afronta à soberania Palestina acordada pela ONU (vejam o mapa). Como os EUA possuem direito de veto na ONU (ou seja, mandam naquela porcaria), Israel nunca sofreu sanções por isso.

O bloqueio das cidades e das aldeias palestinas provoca até hoje um desemprego sem precedentes, que atinge 50% da população! Isso gera mão-de-obra barata, pra quem pode pagar... Ou seja, na prática os palestinos são as empregadas domésticas dos israelenses, humilhados da mesma forma que os alemães foram em 1920, e vivendo em guetos, como os judeus de 1940... (Tsc tsc tsc. As pessoas não aprendem mesmo com a história...) Quando o mesmo Ariel Sharon, então primeiro-ministro Israelense, percebeu a M&$%@ que é ter esses assentamentos, tentou remover ALGUNS e fazer um muro dividindo as fronteiras. Os protestos dos colonos israelenses foram tão intensos, a pressão política e social tão grande, que o general "durão" teve um piripaque, entrou em coma e está vegetando até hoje. Bad karma...

Obviamente os países árabes assistem tudo isso com grande tristeza e revolta, afinal, mais do que uma opressão territorial, eles encaram também como uma opressão religiosa (e é aí que mora o perigo!). Daí para recrutar guerrilheiros nos países árabes doidos pra se juntar a facções como o Hezbollah e o Hamas é um pulo! Eles estao certos? MAS DE FORMA NENHUMA!!!! Mas, quem (como, ou o quê) vai convencê-los do contrário, quando há tanta injustiça acontecendo e o mundo fica calado?

A coisa é tão gritante, que Michael Moore, no livro Stupid white man: Uma Nação De Idiotas, deu uma sugestão a Yasser Arafat (então líder palestino) pra acabar com a guerra, e é com ela que eu encerro o post, que procurou ser isento, mas justo (na medida do possível) em um assunto onde não há heróis nem vilões:

Quero propor algo tão revolucionário que vai enlouquecer qualquer direitista israelense e fazer todos os pacifistas daquele país correrem para ficar do seu lado.

Minha proposta não é novidade alguma. Não envolve exércitos, dinheiro ou resoluções da ONU.
É ridiculamente barata. Já foi experimentada várias vezes em muitos países — E NUNCA FALHOU. Não requer ódio ou armas. Na verdade, é toda baseada na inexistência de armas. É a chamada desobediência civil não-violenta em massa.

Funcionou para Martin Luther King Jr. — seu movimento antiviolência provocou um fim abrupto à segregação nos Estados Unidos. Funcionou para Gandhi — ele e seus compatriotas indianos colocaram o Império Britânico de joelhos, sem disparar um tiro sequer. Funcionou para Nelson Mandela — ele e o Congresso Nacional Africano acabaram com o apartheid sem uma revolução violenta.
Se funcionou para eles, acredite em mim, pode funcionar para você.

Claro, você ainda pode vencer por meio da violência. Os vietnamitas provaram que podiam derrotar a nação mais poderosa do mundo. E, olhe para nós — passamos oito anos atirando nos "Redcoats" e emergimos do tiroteio como um grande país! Então parece que a matança realmente funciona. O único problema é que, depois que ela termina, você fica com a cabeça meio confusa e demora um pouco para aprender a depor as armas (225 anos se passaram e nós ainda não aprendemos). Mas, se você quiser tentar a abordagem não-violenta, não só menos pessoas vão morrer — você vai conseguir seu país!

É assim que funciona:
1. Apenas acomodem seus traseiros. Simples assim. Vocês deitam seus corpos — em geral uns poucos de milhares deles estendidos na estrada já são suficientes — e não se mexem nem revidam quando tentarem removê-los. Em vez de deixar Israel fechar as fronteiras de Gaza e da Cisjordânia, vocês as fecham. Marcham pacificamente até o ponto de encontro e ficam lá. Nenhum israelense vai poder chegar aos assentamentos. Nenhum israelense vai poder transportar bens e recursos naturais da sua terra para Israel. Não há veículo israelense que eu saiba que seja capaz de atravessar montanhas de pessoas (nem mesmo pneus para neve funcionam!). Claro, eles podem tentar, e uma parte de seu povo ficará ferida ou morrerá. Ainda assim, não se movam. Apenas sentem-se. O mundo estará observando — especialmente se vocês abraçarem o maravilhoso mundo das relações-públicas e avisarem a mídia sobre seus planos. (Confie em mim, a CNN vai atender ao seu chamado) E no final haverá muito menos palestinos mortos do que se você continuar com a sua estratégia.

2. Convoquem uma greve geral. Recusem-se a trabalhar para os israelenses. A economia deles é baseada no trabalho semi-escravo oferecido por vocês. Acabem com isso. Quem vai fazer todo o trabalho de merda se não forem os palestinos? Outros israelenses? Duvido! Eles precisam de vocês e da sua disposição em se matar por salários irrisórios. Reparem como os acordos serão fechados rapidamente quando todos os árabes se recusarem a trabalhar. Claro, eles vão tentar acabar com vocês. Vão cortar sua água e sua comida, fechar suas estradas — mas vocês precisam ficar firmes. Estoquem matérias-primas, ataquem de forma não-violenta e nunca desistam. Eles desistirão. Há alguns anos, mais de um milhão de israelenses compareceram a uma manifestação do "Paz Agora" em Tel Aviv. Foi uma visão surpreendente. E significa que vocês palestinos têm um milhão de aliados — um terço do país — na nação que consideram sua inimiga. Um milhão de "inimigos" virão em sua ajuda se vocês protestarem de forma não-violenta. Tentem! Entre o seu povo e o deles, vocês superarão o número de israelenses que querer jogar os palestinos no mar.

Infelizmente, sei que sua inclinação é continuar a derramar sangue. Acha que isso vai trazer sua libertação. Não vai. Vai transformá-lo naqueles que agora matam seu povo. E, se você ainda não percebeu uma coisa sobre Israel, vou dar uma pista mais clara: eles não irão a lugar algum. Pelo amor de Deus, homem. Seis milhões de judeus foram massacrados pela civilização mais avançada do mundo. Você acha que eles vão deixar um punhado de pedras e carros-bomba impedirem sua sobrevivência? Eles vivem num mundo em que estão isolados e sozinhos. Não desistirão até que você ou o resto da Terra aniquile seu último cidadão. É o que você quer? Que o último judeu desapareça do planeta? Se for isso, você precisa de ajuda especializada — e terá de passar por cima de mim antes de tocar em mais uma criança israelense.

Mas se, como eu suspeito, você preferir a paz e a quietude em lugar da guerra e do exílio, então deve depor as armas, deitar-se no meio da estrada e... esperar. Sim, os israelenses espancarão muitos dos seus. Arrastarão suas mulheres pelos cabelos, atiçarão os cães para cima de vocês, e poderão até queimar suas casas (além de outros truques que aprenderam conosco, norte-americanos). VOCÊS NAO DEVEM REVIDAR! Acredite em mim: quando as fotos de seu sofrimento nas mãos desses brutos espalharem-se pelo mundo, haverá tal clamor que o governo israelense não terá mais como continuar com a opressão.

Bem, ai está. Se você quiser, eu me juntarei ao seu protesto não-violento. É o mínimo que posso fazer depois de ajudar a financiar as balas e bombas que vêm assassinando seu povo.

Sinceramente,
Michael Moore


 
Política - publicado às 12:03 AM 50 comentários
LIVRO: O PODER DO MITO
dom, 13 de agosto, 2006
 


Ganhei o livro O poder do Mito, de Joseph Campbell. Obviamente, vou compartilhar com vocês o meu aprendizado com ele.

Campbell foi professor, escritor e especialista em mitologia e religião comparada. O cara fazia exatamente o que eu gosto de fazer aqui, que é achar um denominador-comum no "sistema", ler o código-fonte da vida, e repassar isso às pessoas. Obviamente ele fazia isso com muito mais capacidade e desenvoltura (mas me aguardem, que quando eu crescer quero ser que nem ele!). Entre as milhares de pessoas fascinadas e influenciadas por suas narrativas está o charlatão George Lucas, que admitidamente chupou o roteiro de Guerra nas Estrelas dos estudos de Campbell sobre a jornada do herói. Aliás, foi graças a Lucas que em 1988 surgiu a série de TV "O poder do mito", que foi um estrondoso sucesso nos EUA e deu origem ao livro (que é bem mais do que uma transcrição do vídeo). Outra influência indireta se deu no best-seller "O código da Vinci", com suas referências ao "Sagrado feminino" (também na série e no livro).

Parei de ler, embasbacado, ainda na introdução, por conta de uma citação linda que compara hinduísmo e cristianismo:

Uma história particularmente apreciada por Campbell falava de uma mulher aflita que se dirigiu ao santo e sábio hindu Ramakrishna, dizendo: "Ó, Mestre, não sei se amo a Deus". E ele perguntou: "Não há nada, então, que você ame?" Ela aí respondeu: "Meu pequeno sobrinho". E ele lhe disse: "Eis aí seu amor e dedicação a Deus, no seu amor e dedicação a essa criança".

"E aí está", disse Campbell, "a suprema mensagem da religião":

Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes
(Mateus 25:40)


Referência: Resuminho do livro;
Vários trechos


 
Filosofia - publicado às 12:51 AM 31 comentários
THERE AND BACK AGAIN...
sáb, 12 de agosto, 2006
 


Enfim, voltei.

Para os que ficaram conjecturando sobre os motivos do site ter ficado fora do ar e do meu sumiço, só posso dizer que teve de tudo um pouco. Política, ataques dos agentes da Matrix, sexo, diversão, raiva, frustrações, desafios, férias e saco cheio com o mundo. Mesmo.

Mas para vocês o que interessa é o site, e acho que a espera valeu a pena, pois ele voltou com novo visual e agora hospedado em um novo servidor (aparentemente mais rápido!). Carlos Reche aceitou o desafio supremo de fazer o Saindo da Matrix sair das tabelas, e fez um brilhante trabalho (confesso que eu duvidei que algum mortal pudesse fazê-lo) codificando todo o layout - que antes era feito em complicadas (e antiquadas) tabelas - em CSS (Cascading Style Sheets), proporcionando assim leveza e elegância a um layout outrora lento e pesado. Após tentar resolver alguns problemas de incompatibilidade entre os navegadores, parecia que o site estava pronto para voltar ao ar. Mas meus olhos brilharam, concebendo um plano diabólico que visava botar em prática tudo o que eu queria há anos para o site mas não tinha o CSS para fazê-lo... Então, já não dispondo dos préstimos do valoroso Sr. Reche (a quem serei eternamente grato), tive de aprender por engenharia reversa a me utilizar de todo um arsenal de códigos pra criar o novo visual do Saindo da Matrix!!

(som de fanfarra)

Você se pergunta: Mas o que é que eu ganho com esse tal de CSS? É de comer?

(som de tambores rufando)

Como vocês devem ter notado, agora há 4 novos ícones na barra de título dos posts! E com eles a página principal pode ser vista de quatro maneiras diferentes! Baseado num artigo que mostra que homens e mulheres reagem a layouts de forma diferente, resolvi agradar gregos(as) e troianos(as) e fazer o site para todos os gostos. Tem o estilo dark (mas ao mesmo tempo relaxante) do layout padrão (o ícone com o "t" pequeno), todo em tons de azul (ótimo pra relaxar ou ficar depressivo). O ícone com o "T" grande é para pessoas com deficiência de visão, ou pra quem lê muito e quer descansar a vista com fontes gigantes. Temos também a contraparte feminina, com tons pastel, coisinhas "cute", pra quando as minhas adoradas visitantes abrirem o site fazerem "ahhhhhhh que foooooofooooo". Basta clicar no ícone com a rosa. Agora, se você é uma pessoa mais arrojada e não tem tempo pra perder com essas frescuras de layout, anjinho, corzinha, então o ícone do punho fechado é o mais recomendado pra você. O sistema guarda (se você habilitar cookies no seu navegador) qual layout você escolheu e vai mostrá-lo sempre quando você acessar o site. O resto do blog ainda está com o visual antigo, mas no futuro vou implementando aos poucos os novos estilos à todas as páginas.

Você se pergunta: E eu lá quero saber se o site é vermelho ou azul? Eu só entro nessa porcaria por causa dos textos!

(um sapo coacha. os grilos cantam. alguém tosse)

Bem, o CSS não foi só pra enfeite. Ele facilita sua vida na hora de imprimir os textos. Basta clicar em "visualizar impressão" e você vai ganhar o texto todo filtrado, com fonte serifa (boa pra leitura) de bandeja pra você! No futuro pretendo ter os comentários da caixinha roxa também exibidos no modo impressão!!

Você se pergunta: Sim, mas e os textos?

(um vento gélido corta o ar. som de portas e janelas se fechando)

São três da manhã, tenho me matado de trabalhar até de madrugada todo dia nos últimos dias pra botar esse site no ar, e você ainda quer algum texto esotérico? Vou dormir. Bye!


 
Geral - publicado às 3:37 AM 43 comentários