Saindo da Matrix

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    • DIA DA DIGNIDADE NACIONAL

      qui, 18 de maio, 2006

      Se você, como eu, está P da vida com toda essa desorganização, proscratinação, prisioneiros que recebem TVs compradas com dinheiro do ROUBO e do TRÁFICO pra assistir a copa, e o Ministro da Justiça defende dizendo que "eles são humanos" e o secretário de "segurança" diz que não vê problema, já que "não houve ônus para o estado" (apenas 45 policiais mortos num fim-de-semana), então MANIFESTE-SE!

      Participe da passeata de protestos do DIA DA DIGNIDADE NACIONAL, neste domingo, 21 de maio, às 15:00h. Serão feitas concentrações em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Londrina, Brasília, Juiz de Fora, Campo, Grande, Salvador, Recife, Fortaleza, Blumenau, Goiânia, Vitória, Varginha (MG), Ribeirão Preto (SP), Niterói , São José dos Campos, Itajaí e Santos. Confira o local nesta página. Caso seu estado não esteja representado, voluntarie-se a organizar!

      Entrevista com o governador de São Paulo, Cláudio Lembo:

      Folha - O senhor não se assusta com o número de mortos?

      Lembo - Eu me assusto com toda a realidade social brasileira. Acho que tudo isso foi um grande alerta para o Brasil. A situação social e o câncer do crime é muito maior do que se imaginava. Este é o grande produto desses dias todos de conflito. Nós temos que começar a refletir sobre como resolver essa situação, que tem um componente social e um componente criminoso, ambos gravíssimos. O crime organizado trabalha com a droga. A droga é um produto caro, consumido por grandes segmentos da sociedade. Enquanto houver consumidor de drogas, haverá crime organizado no tráfico. É assim aqui, na Itália, nos EUA, na Espanha. O crime se alimenta do consumidor de drogas.

      Folha - E da miséria...

      Lembo - Talvez no Brasil tenha esse componente também. O crime organizado destruiu valores. O Brasil está desintegrado. Temos que recompor a sociedade. A questão social é muito grave.

      Folha - O que o senhor pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em ambientes violentos da periferia? Que ele vai ter escola? Saúde? Perspectivas de emprego? Como afastá-lo de organizações criminosas como o PCC?

      Lembo - Acho que você tem duas situações muito graves: a desintegração familiar que existe no Brasil, e a perda... Eu sou laico, é bom que fique claro para não dizerem que sou da Opus Dei. Mas falta qualquer regramento religioso. O Brasil está desintegrado e perdeu seus valores cívicos. É ridículo falar isso mas o Brasil só acredita na camisa da seleção, que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais...Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.

      Folha - Que ficou assustada nos últimos dia.

      Lembo - E que deu entrevistas geniais para o seu jornal. Não há nada mais dramático do que as entrevistas da Folha [com socialites, artistas, empresários e celebridades] desta quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vai fazer protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras figuras da política brasileira fazer o bom jantar.

      Folha - Tomar conhaque de R$ 900 [preço de uma única dose do conhaque Henessy no restaurante Fasano].

      Lembo - Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este país.

      Folha - O senhor acha que essas pessoas são responsáveis e não percebem?

      Lembo - O Brasil é o país do duplo pensar. Conhecemos a inquisição de 1500 até 1821. Então você tinha um comportamento na rua e um comportamento interior, na sua casa. Isso é o que está na sociedade hoje. Essas pessoas estão falando apenas para o público externo. É um país que é dúbio.

      Folha - Onde o senhor responsabiliza essas pessoas?

      Lembo - Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala. A casa grande tinha tudo e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando os escravos foram libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos, como aconteceu nos EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O cinismo nacional mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa a quem doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai construir este país.

      Folha - Mas qual é, objetivamente, a responsabilidade delas nos fatos que ocorreram na cidade?

      Lembo - O que eu vi [nas entrevistas para a Folha] foram dondocas de São Paulo dizendo coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos. Querem estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. Isso não vai ter aqui nesses oito meses [prazo que resta para Lembo deixar o governo]. A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações.

      Folha - O senhor diria que elas pensam que aquele rapaz de 15 a 24 anos, que vive perto da selvageria...

      Lembo - ...pode ser o Bom Selvagem do Rosseau? Não pode.

      Folha - O endurecimento na legislação pode resolver o problema?

      Lembo - Transitoriamente pode resolver. Mas se nós não mudarmos a mentalidade brasileira, o cerne da minoria branca brasileira, não vamos a lugar algum.




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      Geral - publicado às 2:48 PM 17 comentários