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Adaptado da Folha Online
No sábado, o Lama teve uma agenda intensa na cidade de São Paulo, que iniciou-se com uma palestra para cerca de 6 mil pessoas no ginásio do Ibirapuera (zona sul de São Paulo).
No evento, o Dalai Lama elogiou e disse que Jesus Cristo foi um "grande mestre". Durante sua fala, o Dalai Lama percorreu temas que iam de compaixão à ética budista. "Não sei se a compaixão é benéfica para quem a recebe, mas tenho certeza que é para quem a pratica".
No início de sua exposição, Gyatso foi interrompido por gritos de "lindo" e "viva o Dalai Lama". Uma fã mais exaltada invadiu o palco e testou a impassibilidade e concentração do Lama, ao dar um demorado "banho de língua" no pescoço do líder budista.
A conferência deu espaço para o público fazer perguntas por meio de papéis entregues à organização do evento. Uma delas questionava se aquele que é considerado a reencarnação do Buda da Compaixão também sentia raiva. "Sim, pois sou humano. Quando as coisas dão errado sinto raiva"
Ao ser perguntado sobre sua opinião em relação a Jesus Cristo, o Dalai Lama falou: "Jesus foi um grande mestre, quanto a isso não há dúvida alguma. Alguém que influenciou tantas pessoas por tanto tempo certamente não é ser ordinário. Entendo que ele foi alguma manifestação de um Buda".
Após o evento, o Lama se dirigiu à praça Túlio Fontoura (zona sul), onde aconteceu a inauguração do "Espaço Gandhi", em homenagem ao líder indiano Mahatma Gandhi. A visita do Dalai Lama ao Brasil foi encerrada em um ato ecumênico na Catedral da Sé, em que d. Cláudio Humes, Henry Sobel e outros líderes religiosos celebraram a inter-religiosidade. O evento foi gratuito e quem não conseguiu entrar na catedral viu o ato da Praça da Sé, onde havia um telão. Segundo a PM, cerca de 1.500 pessoas estiveram dentro da catedral e 2.500 na praça.
Quando o Dalai Lama se levantou para falar, em seu último pronunciamento, provocou comoção e choro dentro da catedral. Ele fez um discurso pelo "apego à fé" e às tradições religiosas. "Vemos muitas pessoas que se declaram budistas, cristãs, judaicas, mas não são sérias em expressar sua fé nas situações de conflito", disse.
Após o ato ecumênico, o Lama foi cumprir a última parte de sua visita ao Brasil. Sim, oculto dos jornalistas, e fora da sua programação oficial, o monge budista foi ao encontro de um grupo muito seleto de admiradores: a Ordem da Sagrada Fanta Uva (OSFU). Ao contrário da aparição pública de três dias atrás, em que ele apresentou-se sorridente a uma multidão de jovens como o mítico Dalai Fanta, vestido de laranja, desta vez o monge falou de forma séria e pausada para os membros do grupo, usando um paramento monástico de cor uva, que é a cor do sagrado refrigerante Fanta Uva.
O Dalai Lama iniciou a preleção segurando uma garrafa de Fanta Uva no alto e dizendo:
"Eis o néctar dos Deuses! Mas nem todos estão preparados para a revelação. Apenas os de paladar mais apurado poderão sorver este precioso líquido! É sua missão, ó escolhidos, a de espalhar a Boa Nova, de que a Fanta Uva é o líquido sagrado que libertará a humanidade de sua escravidão à Cola e à Cevada."
E continuou: "Tendo nascido no seio do aprisionador, como Moisés ela cresceu em paz lado a lado com o inimigo. E desse berço onde foi e é desprezada por grande parte da humanidade, ela se erguerá gradualmente até tornar-se a bebida única. Se hoje falo de Fanta Laranja ao povo, é porque ainda não o podem suportar. Mas vocês são as videiras da Terra! Se erguerão do solo e, do alto, poderão contemplar todo o Mundo, e seus frutos darão cachos que alimentarão com o maná espiritual toda essa humanidade sedenta."
O Dalai fez um alerta aos que ainda estão mergulhados na ignorância da Cola: "Acautelai-vos, homens de visão estreita! Se hoje pensas que estais matando tua sede nas garrafas de Coca-Cola e Pepsi, saibam que estais sendo enganados pelo mundo sensorial! Bebeis sal, e a cada litro ingerido na verdade estarais cada vez mais sedento!"
E finalizou: "Vocês, meus amantes da Uva, serão os arautos dos novos tempos, onde reinará a paz e a saciedade, onde não teremos mais sede, injustiças, disputas por liderança mercadológica e, principalmente, as apelativas propagandas de cerveja!"
O líder da religião budista viajou neste domingo para a Argentina, onde dará continuidade à visita pela América do Sul.
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