Saindo da Matrix

  • .
  • <<DALAI LAMA NO BRASIL  Página principal  DALAI LAMA NO BRASIL>>

    • Categorias

      • Budismo
      • Ciência
      • Cinema
      • Cristianismo
      • Espiritismo
      • Filosofia
      • Geral
      • Hinduísmo
      • Holismo
      • Internacional
      • Judaísmo
      • Metafísica
      • Pensamentos
      • Psicologia
      • Sufismo
      • Taoísmo
      • Ufologia
    • Arquivos

      Página inicial

      Últimos comentários


    • BUDISMO

      Versão pra garotas e EmosVersão pra macho!Layout normal Fonte grande
      sáb, 29 de abril, 2006

      O budismo começou graças aos esforços de um homem: Siddhartha Gautama. O cara foi um príncipe que viveu por volta de 563 a.C. até 483 a.C. Nasceu em berço de ouro, no clã dos Sákya (ou Kshatriya, ou Xátria), onde foi bajulado pelo pai, que o cercou de todos os confortos, criando praticamente uma Matrix dentro da Matrix. Como os Sákyas eram uma casta guerreira (ou seja, viviam para lutar) Siddhartha era especialista em artes marciais e tinha haréns das mais belas mulheres... voluptuosas... todas de trajes sumários... ... hã, onde eu estava, mesmo? Ah, sim, o que poderia ter se tornado mais um filhinho de papai nos rodapés da história acabou se tornando o primeiro homem a sair da Matrix (muito antes de Jesus ou Sócrates darem as caras por essas bandas).


      "Será que eu sou o Neo sonhando que sou Siddhartha, ou serei eu uma borboleta sonhando que sou um príncipe?" A resposta não está longe...
      Sua mente curiosa sempre estava observando as coisas ao seu redor, e o mais importante: questionando-as! Ainda pequeno foi a um passeio com o pai. Deteve-se particularmente na frente de um campo sendo preparado para a semeadura. De repente, viu no solo revolvido um verme ser devorado por um pássaro que lá descansava. Alçando vôo, este pássaro foi atacado em pleno ar por uma ave de rapina. Com o pássaro nas garras, a ave voou, mas uma flecha foi disparada, atingindo o peito da ave de rapina. Siddhartha manteve-se por algum momento em transe, sem entender. Depois, ficou chocado pelo que acabara de assistir, enquanto procurava uma resposta plausível para a indagação: "O que leva os seres vivos a se matarem entre si?". Este fato o fez lembrar que sua mãe morrera quando ele nasceu. Não conseguia entender a tragédia que assolava a vida de todos os seres. "Ninguém estava livre do sofrimento", pensou. Mesmo com todo o luxo e distrações, vez ou outra os olhos do príncipe perdiam o brilho e o pensamento dirigia-se para os problemas da vida, que continuava afligindo-o. Sua natureza profundamente introspectiva o levou a ser apelidado de Sákyamuni (o sábio silencioso dos Sákyas). Freqüentemente se afastava da companhia de seus amigos e família para se sentar calmamente nos jardins que circundavam o palácio.

      Um dia resolveu sair de casa sem avisar ao pai, sem as pompas de costume, acompanhado somente com o seu fiel escudeiro, Channa, pelas ruas estreitas de Kapila. Então ele conheceu a cidade como realmente era, sem os enfeites e as festas. Conheceu a pobreza, a velhice e a morte. Conheceu também um monge mendicante, que tinha a cabeça raspada e vestia apenas um manto amarelo. Foi na serenidade desse monge que Siddhartha percebeu que existia uma saída de todo esse sofrimento, que conduzia ao despertar. Quis então descobrir o segredo dessa serenidade e doá-la ao mundo. Ele refletiu que os ignorantes, embora fadados a ficarem velhos, doentes e morrerem, desprezam e abominam aqueles que estão passando por esta situação. Se todos nós passaremos por tudo isso, não é correto que tenhamos repulsa ou desprezo pela velhice, pela doença ou morte de outrem. Quando passou a pensar desse modo, desapareceu de Siddhartha todo o orgulho que sentia pela sua juventude, saúde e vida.

      Aos 29 anos, decidiu abandonar de vez o palácio e partir para o mundo em busca do conhecimento que o libertasse do sofrimento e conduzisse à serenidade. Abandonou também toda a riqueza, todas as roupas caras, ficando tão-somente com uma roupa velha do cocheiro e uma cuia para pedir comida. Procurou então a serenidade nas religiões da época. Esforçava-se em aprender e dominar todas as técnicas meditativas, por mais difícil que fosse o caminho. Mas não encontrava a resposta para suas indagações. Praticou o ascetismo - onde se busca alcançar a iluminação pela mortificação do corpo - por seis anos. Enquanto meditava, ouviu um barqueiro que passava no rio ensinando música à seu discípulo; dizia que as cordas de um instrumento, se muito frouxas, não emitiam um som adequado, e se muito esticadas, elas arrebentavam. Naquele momento ele percebeu que nem a riqueza nem as mortificações físicas eram o caminho para se alcançar a liberação. Passou, então, a se alimentar moderadamente, o que causou a repulsa de seus colegas ascetas. Diz a lenda que Siddhartha permaneceu por vários dias meditando em Zazen sob a sombra de uma figueira, nas margens do rio Nairanjana.

      Quando estava prestes a alcançar seu objetivo, seus demônios internos o atormentaram de todas as formas possíveis: fome, sede, luxúria, descontentamento, distrações e prazeres. Siddhartha perseverou, e então foi tomado por visões de incontáveis exércitos de demônios atacando-o com as mais terríveis armas. Mas, por causa de sua meditação indestrutiva, ele pôde converter a negatividade em harmonia e pureza, e as flechas lançadas contra ele se transformaram em flores. Belíssimas mulheres apareceram para distraí-lo ou seduzí-lo (luxúria). Também animais ferozes (medo). Mas tudo isso foi em vão para tirar Sakyamuni de sua meditação. Sentado em um estado de total absorção, ele alcança todos os graus de realização incluindo total onisciência, adquirindo o conhecimento de todo o seu ciclo de mortes e renascimentos. Finalmente, o "demônio" tentou tirá-lo de sua meditação pelo ataque ao ego. Rugiu: "Quem pensas que és? Com que direito procuras pela Suprema Iluminação? Quem é tua testemunha?" Gautama silenciosamente estendeu a mão direita para tocar a terra, que estremeceu e gritou de suas entranhas "Eu sou tua testemunha".


      ...


      1 minuto de silêncio... me emociono a cada vez que leio isso... é uma imagem tão forte, a de que você está tão liberto, tão correto e seguro de si que o próprio mundo está do seu lado, que até Jesus usou-a em Lucas 19:37-40, assim como está na filosofia do Aikido.

      Notem que em nenhum momento tem Deus na história. Tanto que o budismo é criticado por ser uma religião ateísta. Mas não é: ela não O nega, apenas é indeferente a esse respeito. E nem religião é, sendo sim uma filosofia, como o espiritismo. O budismo não coloca Deus no meio como forma de legitimação, de poder ou manipulação. É tudo entre você e o mundo que o cerca. Por isso ele é tão prático, tão voltado ao AGORA, porque não é uma preparação para o além-túmulo, como as outras religiões, e sim para a conduta com o seu semelhante.

      Finalmente, na manhã de lua cheia de dezembro, no momento em que olhava o planeta Vênus brilhando no céu oriental, ele obteve a perfeita Iluminação. Percebeu então que toda a realidade é uma só. Que, no Cosmos, todos os seres estão harmoniosamente unidos. Que nada existe por si mesmo, nem pode a natureza de alguma coisa ser conhecida senão conforme se relaciona com o Cosmos. Com a luz do Cosmos, a consciência se torna iluminada. E então, aos 35 anos, Siddhartha tornou-se Buda. E disse assim de sua experiência:

      "Existe uma esfera onde não é terra, nem água, nem fogo, nem ar... que não é nem este mundo e nem outro, nem sol e nem lua. Eu nego que esteja vindo ou indo, que permanece e que seja morte ou nascimento. É simplesmente o fim do sofrimento. Essencialmente todos os seres vivos são Budas, dotados de sabedoria e virtude, mas como a mente humana se inverteu através do pensamento ilusório, não o conseguem perceber".

      (Buda, O cara!)

      Todos os seres humanos, sejam eles inteligentes ou estúpidos, masculinos ou femininos, feios ou bonitos, são perfeitos e completos tal qual são. Isto significa que a natureza de cada ser é intrinsecamente sem defeito, perfeita, sem diferença de qualquer outro Buda ou Mestre Cósmico. Entretanto o homem, inquieto e ansioso, vive uma existência conturbada por causa de sua mente, que traz uma pesada camada de ilusão, o que gera o estado de confusão. Temos, portanto, de voltar à nossa perfeição original e ver o TODO, o Cosmo, através do prisma da nossa pureza e santidade primordiais. Afinal, "o homem nasce em perfeição de alma, porém em ignorância mortal, e somente dessa ignorância deve o homem ser redimido e salvo". E é exatamente isso que todos os budistas procuram alcançar - nesta vida e em outras. "Por meio de esforço e método, é possível alcançar a iluminação nesta vida" afirma o lama nepalês Dzawa Rimpoche (o atual Dalai Lama). "Mas, se você não conseguir fazê-lo, a morte não é o fim. Você terá, ao renascer, todas as sementes plantadas na vida anterior".

      A reencarnação é provavelmente o único dogma metafísico do budismo, isto porque essa crença já estava intrinsecamente enraizada na Índia. Mas, como o budismo está sempre do lado da verdade, o próprio Dalai Lama falou que, "se a ciência estiver um dia 100% certa disso, nós aceitaremos".

      A idéia principal do budismo prescinde qualquer crença ou adoração a Buda, pois foi baseada na lógica. Buda formulou a Lei da Organização Dependente:

      "Havendo isto, há aquilo; quando isto se origina, aquilo se origina. Sendo assim, havendo a ignorância, há o nome-e-forma. Havendo o nome-e-forma, há os seis órgãos de percepção, há o contato; havendo o contato, há a percepção; havendo a percepção, há o apego; havendo o apego, há o desejo; havendo o desejo, há a existência; havendo a existência, há o nascimento, há a velhice, a morte, a preocupação, a tristeza, o sofrimento, o pesar e o desespero. Assim, pois, surge o sofrimento."

      Como podem ver, todas as coisas estão encaixadas, inter-relacionadas e interagindo, e uma coisa dá origem à outra, e essas coisas estão sempre mudando, nada permanece para sempre. Tudo é impermanente e, se as pessoas se apegarem demais às coisas vão sofrer, porque essas coisas vão mudar, passar e se acabar. A causa do sofrimento é o apego, seja a um objeto, a um pensamento ou idéia, a uma condição social, à fama, etc. E isto é uma lei universal; a esse encadeamento, esse conjunto de leis cósmicas que estão entrelaçadas e formam um fluxo pelo qual seguimos, os hindus chamam de Dharma. É seu Dharma morrer, pois você nasceu. O que você veio fazer é chamado de Artha, sua meta de vida, o que você deve fazer. E Karma é a ação que você faz.

      Buda ensinou que é preciso trilhar o caminho do meio. Evitar os extremos da vida, o prazer desmedido ou o sofrimento inútil. Compaixão irrestrita é a meta de todo budista. Não somente pelos seres humanos, mas por todos os seres vivos. A sabedoria é a outra grande meta. O dr. Georges da Silva diz: "sem sabedoria somos tolos de bom coração, sem compaixão somos intelectuais frios e insensíveis". Para alcançar a iluminação é preciso unir as duas coisas. Esse é o objetivo da conduta ética. Buda dividiu em oito ramos o caminho para a iluminação, e para se ter uma conduta ética é preciso ter em mente três primeiros princípios:

      1. Visão correta. Não cobiçar, e nada desejar. Jesus já dizia: "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso." (Mat 6:22-23)

      2. Ação correta. Não matar, não roubar, não usar de violência e ser sábio em relação à sexualidade;

      3. Vida correta. Nada disso adianta se no seu trabalho você prejudica os outros, sejam esses outros pessoas, animais ou a própria natureza.

      A disciplina mental correta
      Em todas as tradições do budismo, a meditação ocupa um lugar fundamental. É através dela "que se alcança o desenvolvimento mental e a visão interior", afirma o dr. Georges. Para conseguir a disciplina mental, é preciso exercitar outros três princípios:

      4. Esforço correto é exercitar a autodisciplina para evitar pensamentos maus ou nocivos e desenvolver estados mentais positivos e saudáveis; É aplicar sua energia em coisas produtivas e benéficas.

      5. Atenção correta. "O budismo é uma religião do aqui e do agora", avalia Arthur Shaker, da Casa de Dharma. Precisamos aprender a desligar o piloto automático e prestar atenção a todas as nossas ações, nossas palavras, nossos pensamentos.

      6. Concentração correta. "Qualquer religião ou prática sem concentração torna-se frágil", avalia o dr. Georges da Silva "e, na oração, as palavras tornam-se inúteis". Nossa mente está sempre dispersa, quando conseguimos concentrá-la em um único objetivo ela se torna poderosa, ensina ele. Em todas as tradições do budismo, a meditação ocupa um lugar fundamental. É através dela "que se alcança o desenvolvimento mental e a visão interior", afirma o dr. Georges da Silva.

      A introspecção ou sabedoria
      "Todas as coisas são precedidas pela mente, guiadas pela mente e criadas pela mente. Tudo o que somos hoje é resultado do que temos pensado. O que pensamos hoje é o que seremos amanhã; nossa vida é criação de nossa mente. Se um homem fala ou age com uma mente impura, o sofrimento o acompanha tão de perto como a roda que segue a pata do boi que puxa a carroça", diz Carlos Lessa, citando o Dhammapada, uma escritura budista. Para alcançar a sabedoria devemos seguir os dois últimos princípios do Caminho de oito vias:

      7. O pensamento correto, que surge quando você desenvolve as qualidades do desapego, da compaixão e da não-violência.

      8. Compreensão correta quer dizer compreender não com o intelecto, mas com a visão interior ou intuição.

      O eu é o mestre do eu; que outro mestre poderia existir? Puro ou impuro cada um o é por si mesmo; ninguém pode purificar outrem. Sede vós mesmos vossa bandeira e vosso próprio refúgio. Não vos confiei a nenhum refúgio exterior a vós. Apegai-vos fortemente à verdade. Que ela seja vossa bandeira e vosso refúgio. Aqueles que assim o fizerem atingirão a meta suprema.

      (Buda)

      O budista verdadeiro não cultua Buda; ele é apenas uma meta. Não é Buda no céu e ele aqui na Terra. Buda é o nosso espelho. É o que nós SOMOS mas ainda não ESTAMOS, devido à nossa ignorância ou incapacidade. O budista também não se preocupa com nome-forma (numa-rupa), e a maior prova disso foi quando o atual Dalai Lama foi perguntado se ele não temia que o próximo Dalai Lama seja apontado pelos chineses, ele levantou a mão para o alto com desdém e disse, rindo: "Sinceramente, eu não ligo". Esse é mesmo um budista...


      Referência: A história completa de Siddhartha Gautama;
      O que procurar e o que não procurar no Budismo;
      Semelhanças entre o budismo e o cristianismo;
      Dharmanet (Textos budistas);
      Matéria da Revista Época - Dalai Lama: o budismo pop

      Budismo - publicado às 4:42 PM 14 comentários