Saindo da Matrix

  • .
  • <<PARÁBOLA ORIENTAL  Página principal  PLATÃO E O TIRANO>>

    • Categorias

      • Budismo
      • Ciência
      • Cinema
      • Cristianismo
      • Espiritismo
      • Filosofia
      • Geral
      • Hinduísmo
      • Holismo
      • Internacional
      • Judaísmo
      • Metafísica
      • Pensamentos
      • Psicologia
      • Sufismo
      • Taoísmo
      • Ufologia
    • Arquivos

      Página inicial

      Últimos comentários


    • O EVANGELHO DE TOMÉ (parte 3)

      Versão pra garotas e EmosVersão pra macho!Layout normal Fonte grande
      qua, 27 de abril, 2005

      Continuamos com trechos do Evangelho Apócrifo de Tomé, comentados pelo maravilhoso filósofo Huberto Rohden em seu livro O quinto Evangelho. Desta vez vamos enfocar o aspecto do "Reino de Deus", ou "Reino de meu Pai", que Jesus disse que veio instaurar aqui na Terra. Uma leitura atenta da Bíblia já demonstra que o "Reino" é metafísico, e que sua execução não depende só da vontade de Jesus ou de Deus, mas da transformação interior da alma de cada um para que o "Reino" possa nela fazer morada. Não tem nada a ver com "aceitar Jesus" ou batizar-se. Aliás, poderíamos trocar a palavra "Reino" (um tanto em desuso, já que a monarquia acabou) por "Força" e dá no mesmo!

      Eu, como a maioria das pessoas, tinha a impressão de que apreender os ensinamentos de Jesus era menos relevante do que aceitar Jesus (seja lá o que isso fosse). E eu não ia aceitar nada por imposição. Graças a milhares de anos de dogmas, acreditava, como a maioria, que Jesus era a salvação e quem o seguisse estava salvo. Só que eu não aceitava essa "salvação in a box", e nunca realmente atentei para o fato de que Jesus em nenhum momento fala que se pode comprar ou adquirir a salvação por intermédio de alguém, seja através da religião, ou dele mesmo. Não atentei que essa imagem foi construída por Paulo de Tarso.

      A mudança em mim ocorreu repentinamente, como um raio. Bastou eu botar os olhos na seguinte frase do Evangelho de Tomé:

      3 - Jesus disse: Se vossos guias vos disserem: o reino está no céu, então as aves vos precederão; se vos disserem que está no mar, então os peixes vos precederão. Pois bem, o reino está dentro de vós, e também fora de vós. Se conseguirdes conhecer a vós mesmos, então sereis conhecidos e compreendereis que sois filhos do Pai vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis em pobreza, e vós mesmos sereis essa pobreza.

      O choque foi tão profundo que eu a imprimi e coloquei na porta do armário, para vê-la todo dia. Era algo que estava no meu íntimo há muito tempo, mas que não tinha ainda encontrado o "fermento" pra crescer. E ali estava o detonador... Talvez isso não signifique muito pra vocês, que têm hoje acesso a tantos escritos esotéricos, mas em 1999 isso me pegou de surpresa. Eu estava tão revoltado (ou, às vezes, sedado) pela mediocridade ao meu redor que não atentava para o fato de que eu (querendo ou não) convivia com ela e (assim) fazia parte dela. Percebi que eu podia SIM me livrar dessa "pobreza" seu EU mudasse, se EU crescesse. Então adotei o lema "por uma vida menos ordinária" e passei a investir mais em mim, e, como resultado direto, surgiu esse blog (como já falei antes: o aprendizado é mais pra mim do que pra vocês). Eu ganho, todos ganham, e juntos conseguiremos crescer, evoluir, mesmo estando no país dos Big Brothers.

      22 - Jesus viu crianças de peito a mamarem. E ele disse a seus discípulos: Essas crianças de peito se parecem com aqueles que entram no Reino. Perguntaram-lhe eles: Se formos pequenos, entraremos no Reino?
      Respondeu-lhes Jesus: Se reduzirdes dois a um, se fizerdes o interior como o exterior, e o exterior como o interior, se fizerdes o de cima como o de baixo, se fizerdes um o masculino e o feminino, de maneira que o masculino não seja mais masculino e o feminino não seja mais feminino - então entrareis no Reino.

      Rohden: O Mestre não espera que seus discípulos sejam crianças, mas que sejam como crianças. O que a criança faz por primitiva ignorância, deve o homem espiritual fazer por avançada sapiência. A criança ignorante age por vacuidade, o homem sapiente age por plenitude. Vistos por fora, a criança e o sapiente são muito parecidos, mas por motivos diametralmente opostos, pois os extremos se tocam.

      O homem unilateralmente erudito é, quase sempre, um homem cheio de complexos e complexidades, artificialismo e arrevezamentos curvilíneos. Por outro lado, o homem de sabedoria onilateral, de experiência profunda e vasta, é sempre um homem simples e benévolo, um homem de atitude lhana e retilínea.

      No Universo e na humanidade tudo é bipolarizado; mas no homem-ego essa bipolaridade tem caráter de contrariedade, ao passo que no homem-Eu essa bipolaridade se transforma numa harmoniosa complementaridade. De maneira que o dois, sem deixar de ser dois, aparece como um perfeitamente unificado.

      23 - Disse Jesus: Eu vos escolherei, um entre mil, e dois entre dez mil. E eles aparecerão como um só.

      Rohden: O homem sensorial é pluralista.
      O homem mental é dualista.
      O homem espiritual é unista ou monista.

      Pelos sentidos o homem percebe o Universo como uma imensa diversidade sem a menor unidade.
      Pela inteligência, o homem analisa o Universo como uma dualidade entre causa e efeito.
      Pela razão espiritual o homem intui o Universo como uma Essência Una e Única que se manifesta em existências múltiplas.


      21 - Disse Maria a Jesus: Com quem se parecem os teus discípulos?
      Respondeu Jesus: Parecem-se com garotos que vivem num campo que não lhes pertence. Quando aparecem os donos do campo, dirão estes: Deixai-nos o nosso campo. E eles desnudam-se diante deles e lhes deixam o campo.

      Rohden: Maria - a mãe de Jesus, ou alguma das outras Marias do Evangelho - quis saber com quem se pareciam os discípulos de Jesus, e o Mestre deu a maravilhosa resposta acima: O verdadeiro discípulo do Cristo se parece com alguém que vive num campo alheio, exatamente como a alma humana que não vive em sua pátria, mas num campo de imigração terrestre, onde tem de passar alguns decênios para colher experiências através do corpo material, que lhe foi emprestado por seus pais. Este mundo é de outro dono, como afirma o próprio dono quando diz: "Eu te darei todos os reinos do mundo e sua glória, porque são meus e eu os dou a quem eu quero"; e Jesus confirma as palavras do anticristo dizendo; "O dominador deste mundo, que é o poder das trevas, tem poder sobre vós". A alma humana, que veio de outras regiões foi enviada temporariamente para o campo alheio desta terra, não por punição, mas para ulterior evolução.

      Ultimamente, um grupo de cientistas atômicos da Universidade de Princeton, publicaram a sua Cosmo-visão, ou "Gnose", em que declaram que sem uma "resistência" entre espírito e matéria não é possível a evolução do espírito, que, em forma individual se chama alma. Resistência é dificuldade, sofrimento, fator indispensável para a evolução.

      Depois de certo tempo, os donos do campo Terra expulsam da sua propriedade o imigrante alma, e ela deixa o campo do mundo, sem levar nada, totalmente desnuda no seu Eu espiritual; devolve aos donos do campo até o material do seu corpo, que da terra recebera.

      Se Didymos Thomas, o autor deste Evangelho, não tivesse escrito nada senão estas palavras, seria suficiente para incluí-lo entre os grandes iniciados cósmicos da humanidade.

      Todo o verdadeiro discípulo do Cristo se considera um emigrante do Além e imigrante do Aquém; não se apega fanaticamente ao campo alheio do mundo material, nem o rejeita acerbamente; mas serve-se dele benevolamente para sua evolução ascensional, como um meio para colher experiências na longa jornada através das muitas estâncias que há em casa do Pai celeste. Graças a ti, Maria, que deste oportunidade a Jesus para dizer tão maravilhosas palavras a seu discípulo Tomé.


      21- Por isto vos digo eu: Se o dono da casa sabe quando vem o ladrão, vigia antes da sua chegada e não o deixará penetrar na casa do seu reino para lhe roubar os haveres. Vós, porém, vigiai em face do mundo; cingi os vossos quadris com força para que os ladrões não encontrem caminho até vós. E possuireis o tesouro que desejais. Sede como um homem de experiência, que conhece o tempo da colheita, e, de foice na mão, ceifará o trigo. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

      Rohden: Estas palavras são a continuação da parábola precedente sobre a criança inocente em campo alheio. Os donos do campo terra são ladrões profissionais e procuram sempre roubar-vos os tesouros do reino da alma. Por isto, deveis estar sempre alerta, para que o mundo profano não penetre no santuário do vosso espírito.

      Estar de quadris cingidos é estar prontos para a viagem, dispostos para partir a qualquer momento para regressar do exílio terrestre à pátria celeste, com rica colheita de experiências. Então tereis seguro o tesouro que adquiristes durante a vossa estada no campo alheio da terra.
      Tende a visão da vossa maturidade, e não queirais permanecer em terra alheia quando é chegada a hora da vossa partida para regressar à querência do Além.

      Morrer é tão natural como nascer e viver.


      57 - Jesus disse: O Reino do Pai é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. De noite, porém, veio seu inimigo e semeou erva má no meio da semente boa. O senhor do campo não permitiu que se arrancasse a erva má, para evitar que, arrancando esta, também fosse arrancada a erva boa. No dia da colheita se manifestará a erva má. Então será ela arrancada e queimada.

      Rohden: É esta a conhecida parábola do joio no meio do trigo, no Evangelho de Mateus. Advertência é sempre esta: Deus não quer que os maus sejam separados dos bons durante o período evolutivo dos dois. Os maus têm o mesmo direito de serem maus como os bons têm o direito de serem bons. As leis cósmicas não exterminam os maus por amor aos bons, mas deixam crescer os dois um ao lado do outro, até a total maturação deles.

      Por que?
      Porque a separação entre bons e maus não deve ser feita por interferência alheia; ela é feita por eles mesmos como conseqüência da sua evolução interna, positiva ou negativa. São os próprios bons e os próprios maus que fazem a separação definitiva; não há nenhum fator externo que intervenha; nenhum Deus externo manda os bons para o céu, nem manda os maus para o inferno; céu e inferno são o produto automático da própria evolução humana. Tanto o bem como o mal culminam no Infinito, seja no Infinito positivo do Todo, seja no Infinito negativo do Nada. Os bons se integram no Eterno Existir; os maus se desintegram no eterno Inexistir.

      As leis cósmicas agem com absoluta matematicidade. É o próprio homem que, por seu livre arbítrio, se integra ou se desintegra, se realiza ou se desrealiza. Nenhum suposto Deus externo é necessário para isto, como ensinam certas teologias. O Deus interno, ou o anti-Deus interno do homem é o autor do céu ou do inferno, da vida ou da morte.

      Esta parábola como se vê, não identifica a sorte final dos bons e dos maus; esta sorte final é diametralmente oposta uma à outra. O que a parábola afirma claramente é que a decisão final depende do homem e não de Deus. Aqui poderíamos repetir as palavras do poeta-filósofo inglês: "Eu sou o senhor do meu destino, eu sou o comandante da minha vida".


      49 - Disse Jesus: Felizes sois vós, os solitários e os eleitos, porque achareis o Reino. Sendo que vós saístes dele, a ele voltareis.

      Rohden: O mundo proclama felizes os homens sociais e ruidosos. O homem ego detesta o silêncio e a solidão, porque é para ele ausência e vacuidade - ao passo que a sociedade ruidosa é, para o profano, presença e plenitude. Muitos são os chamados, poucos os escolhidos e muitos são os vocados, poucos os evocados.

      As eternas leis cósmicas são essencialmente hierarquizantes, verticalizantes, servindo-se de grandes multidões para realizar uma pequenina elite. Não interessa às leis cósmicas a massa quantitativa, mas sim a elite qualitativa. A elite conduz, a massa é conduzida. A elite é alma, a massa é corpo.

      Todos vieram do Reino; todos fizeram o seu egresso, poucos realizarão o seu regresso, porque poucos conscientizam o ingresso. Quem não conscientiza o seu ingresso não realiza o seu regresso ao Reino. O egresso do Reino é obra de Deus, o ingresso em si e o regresso ao Reino são obra do homem. Deus creou o homem o menos possível, para que o homem se possa crear o mais possível.

      A auto-creação do homem pelo ingresso místico é a suprema razão de ser do homem aqui na terra. Esse ingresso em si só é possível graças à resistência que o espírito encontra em face da matéria e sua vitória sobre a matéria.

      Onde não há resistência não há sofrimento.
      Onde não há sofrimento não há evolução.
      Onde não há auto-realização não há regresso ao Reino.

      Cristianismo - publicado às 7:25 PM 43 comentários