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O encontro da nova consciência, em Campina Grande, foi muito bom, como esperado. A cidade é perfeita para o evento: grande e espaçosa, com suas ruas impecavelmente asfaltadas e limpas, mas ainda mantendo o estilo simples do interior, bem arborizada, com pessoas que ainda dão boa-tarde quando passam na rua.
Engraçado que antes de ir eu estava criticando os cristãos evangélicos por fazerem um evento paralelo, saindo do tema (que é a união de todas as religiões em uma só família). Mantenho a crítica, mas o papelão mesmo quem fez foram os espíritas, que organizaram (também) um evento separado, e o pior, PAGO! Foi o único grupo espiritual que cobrou pra participar das palestras!
Infelizmente grandes nomes dos outros anos, como Hermógenes, Pierre Weil e o Pastor Nehemias Mariem não puderam comparecer por problemas de saúde. Mas a grande abrangência de assuntos e palestras serviu para amenizar essa terrível perda. Temas como xamanismo, islamismo, esperanto, RPG, animes, cinema, e até mesmo encontros de ateus e grupos específicos como as "profissionais do sexo de campina grande" caracterizaram a liberdade de pensamento presente no evento, mas, em comparação com 2001, notei que o encontro ganhou mais temas, mas perdeu no aprofundamento em certas questões, como teosofia e principalmente ufologia (não havia nenhum representante! Nem sequer os ex-ufólogos apareceram... devem ter sido abduzidos).
Mas me encontrei mesmo foi no sufismo, quem diria. Fui para a primeira palestra com um espírito crítico e analista, e saí de lá como um profundo admirador da filosofia religiosa islâmica. Se todo o evento tivesse se resumido a essas três palestras sobre sufismo, já teria saído de Campina Grande satisfeito. A doutrina Sufi já havia despertado minha admiração aqui no blog, mas a vivência da prática meditativa chamada ZIKR me trouxe lembranças e sentimentos que estavam (muito bem) velados na minha alma (embora o sufismo não acredite em reencarnação, há coisas que o coração diz que não podem ser desditas por nada nem ninguém).
Mônica Buonfiglio deve ter sido a personalidade mais marcante do evento. Ela realmente é uma figura muito carismática. Mas a palestra mais desconcertante (e, pra mim, engraçadíssima) foi mesmo sobre Cabalá. O título era "Entendendo a Cabala pela senda da intuição humana em relação ao cosmo". Uaaaaaaau! Eu esperava alguém entrando no palco com gelo seco e uma estrela de David piscando no peito, mas o palestrante Rubens Ascher calmamente (e com jeito enfadonho de quem não aguenta mais ser questionado sobre esse assunto) falou que a cabalá significa apenas "transmissão de conhecimento", ou seja, alguém ensinando algo a alguém, e que aquele negócio da relação nome/números era apenas um passatempo que os judeus fazem quando estão entediados. Acho que todo mundo saiu de lá meio que "Meu mundo de Sofia caiu!" hehehe
O clima geral do evento (e palestrantes) era de EXTREMA preocupação com o planeta. Não preocupação ecológica localizada (matas, rios) mas com o TODO, o sistema Mãe Terra. A impressão geral era a de que atingimos um ponto onde não há mais retorno, e só podemos vigiar e aguardar o que iremos receber de volta da natureza. Tivemos uma palestra sobre previsões 2005, recheada de coisas interessantes, com dois astrólogos, a Mônica Buonfiglio, um cigano e uma mãe de santo. Mas isso é assunto para outro post.