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Até 2020, faltas catastróficas de água e de energia vão se tornar cada vez mais difíceis de superar e causarão guerras ao redor do mundo. Grandes cidades européias estarão debaixo d'água, enquanto a Grã-Bretanha terá um clima siberiano. Conflitos nucleares, grandes secas, fome e tumultos generalizados acontecerão ao redor do mundo, na disputa pelos escassos recursos naturais que sobrarem.
Este não é o roteiro do próximo filme-catástrofe do diretor Rolland Emerich (O dia depois de amanhã), mas bem que poderia. As conclusões acima fazem parte de um relatório (outrora) secreto do Pentágono.
No dia 9 de fevereiro de 2004, a revista norte-americana Fortune publicou pela primeira vez uma matéria recheada de detalhes técnicos do Pentágono confirmando essa sombria previsão. O título da matéria é Climate Collapse, the Pentagon`s weather nightmare (Colapso climático, o pesadelo do Pentágono). Nela, o articulista David Stipp afirma que, em menos de uma década, o clima no mundo pode virar "como uma canoa que se inclina pouco até emborcar de repente". A previsão é que essa virada brusca ocorra entre 2010 e 2020.
Em 22 de fevereiro, o jornal britânico The Observer também publicou as informações do Pentágono, que acabaram ganhando repercussão internacional depois dessa segunda matéria, que corroborava e legitimava o já anunciado. Aos poucos, pessoas que participaram desses estudos se manifestaram confirmando-o, o que provocou a crítica de alguns setores das sociedades norte-americana e européia, que ficaram irritados com o fato de o governo dos Estados Unidos ter escondido essas informações por quatro meses, até que a imprensa as descobrisse. Entre os que confirmaram o teor do relatório estão os dois autores: Peter Schwartz, consultor da Central de Inteligência Americana (CIA) e ex-chefe de planejamento do Grupo Royal Dutch/Shell, e Doug Randall, da Global Business Network, sediada na Califórnia. Os dois prevêem já para 2005 enchentes generalizadas em algumas partes do mundo devido ao aumento sobranceiro do nível dos mares, o que será "calamitoso para milhões de pessoas". Randall acrescentou que já poderia ser tarde para previnir o desastre: "Não sabemos exatamente em que ponto estamos no processo. Poderia começar amanhã e não saberíamos antes de cinco anos".
O documento prevê que uma mudança abrupta no clima poderia levar o planeta à beira da anarquia, enquanto países desenvolveriam armas nucleares para defender e assegurar alimentos escassos, água e estoques de energia. A ameaça à estabilidade global é muito maior do que a do terrorismo, dizem os poucos os especialistas que conhecem seu conteúdo. "Rupturas e conflitos serão características endêmicas da vida", deduz a análise do Pentágono. "Mais uma vez, a guerra poderia definir a vida humana".
No dia 24 de fevereiro o Pentágono minimizou os resultados do seu próprio informe, e considerou que suas conclusões são especulativas, negando a fazer do aquecimento global um tema de política nacional prioritário (como aconselharam os autores do estudo). Conforme um dos conselheiros do Pentágono, Andrew Marshall, "o estudo reflete os limites dos modelos científicos e da informação quando prediz os efeitos de um aquecimento global abrupto". Ele acrescentou ainda que apesar de existirem suficientes evidências científicas sobre o tema, muito do que este estudo prediz é ainda uma especulação.
Segundo o The Observer, militares americanos censuram o relatório com conclusões alarmantes sobre o tema porque isso poderia prejudicar a campanha presidencial em andamento nos Estados Unidos.
Symons, que deixou a EPA em protesto por interferências políticas, disse que a supressão do relatório era outra prova de tentativa da Casa Branca em esconder a questão da mudança climática. "É outro exemplo de como este governo deveria parar de enterrar a cabeça na areia ante esta questão". De acordo com ele, a estreita ligação do governo Bush com poderosas companhias petrolíferas e de energia é vital para compreender por que a mudança climática é recebida com ceticismo no Salão Oval. "Essa administração está ignorando a evidência para acalmar um punhado de grandes companhias energéticas e petrolíferas", acrescentou.
Principais conclusões do Pentágono
Referência: Silêncio de ensurdecer