Saindo da Matrix

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    • SOLDADO RYAN

      Versão pra garotas e EmosVersão pra macho!Layout normal Fonte grande
      sáb, 21 de agosto, 2004
      O Resgate do Soldado Ryan é uma das melhores experiências sensoriais que o cinema já proporcionou. Ele simplesmente não foi feito para a sala de estar. A história é chata, em nenhum momento convence que 8 soldados arriscariam a vida por um Matt Damon perdido no meio da guerra, mas a representação fiel das batalhas foi o que garantiu que este filme entrasse para a história logo nos primeiros minutos, o que garantiu que Spielberg ganhasse o Oscar de melhor direção. E disso Spielbeg entende: ele cresceu ouvindo as histórias do pai, e portanto o tema de seu primeiro filme caseiro seria um só: 2ª guerra mundial, com direito a aviões, jipes e explosões, engenhosamente feitas com sacos de areia!

      Esse menino talentoso cresceu, se tornou o diretor mais querido e famoso do mundo, e agora podia filmar sua versão da guerra com os mais modernos efeitos que o cinema poderia proporcionar. E ele o fez!

      O filme começa com a bandeira dos EUA tremulando, lívida e modorrenta. Somos apresentados ao cemitério e ao dramalhão do filme (que eu detesto). Mas logo somos apresentados aos 20 minutos mais espetaculares da história do cinema. Ainda me lembro da minha reação quando a porta do barco se abriu. Eu não esperava aquilo. Ninguém esperava aquilo, ainda mais de um Spielberg! A partir daí foi uma montanha-russa onde por vezes eu me abaixava atrás das poltronas (juro!) e acompanhava com a cabeça o zunido das balas tracejantes (que pareciam passar a poucos centímetros!).

      Não pensem que foi fácil fazer aquelas cenas, que apresentam um aspecto "sujo", grosseiro e tremido, como os documentários de época. Cada movimento de câmera foi planejado à exaustão, para criar um link entre as cenas e a platéia. As lentes e a velocidade do filme foram alteradas para se assemelhar às das antigas filmadoras (com ocasionais entradas excessivas de luz, como na cena das chamas na casa-mata), e as cores foram esmaecidas no computador. Os efeitos sonoros foram elevados a um novo patamar, fazendo muita gente comprar um home theater só por causa desse filme. A primeira versão em DVD foi bem básica, traz um mini-documentário sobre o que inspirou Spielberg a fazer o filme, som Dolby 5.1 e só. Mais recentemente saiu uma versão dupla, onde a única diferença é que o mini-documentário ficou no disco 2 e agora temos som DTS 5.1, que é um pouco melhor (principalmente nos graves). Em junho deste ano saiu a versão comemorativa do desembarque da Normandia, onde temos mais extras. Os atores tiveram de passar semanas num campo de treinamento com um ex-general da segunda guerra, onde dormiam em barracas, comiam as rações dos soldados na época, aprendiam a montar e desmontar um fuzil no escuro, e só eram chamados pelos nomes dos personagens.

      As cena que mais me encanta é quando tocam Edith Piaf no meio da cidade francesa abandonada, com sua voz melancólica ecoando através dos escombros. E logo depois surgem os tanques de guerra alemães, as armas mais terríveis de Hitler apoiadas pela elite das tropas germânicas. Os alemães costumavam deixar seus tanques com pouco ou nenhum óleo nas engrenagens das esteiras, para fazer aquele barulho terrível, o "som da morte", que aterrorizava as tropas inimigas (e que, no cinema, me arrepiou dos pés à cabeça).

      Algo que me chamou a atenção foi o lançamento de morteiros com a mão. Tive a oportunidade de perguntar a um soldado do exército se aquilo era possível, e ele disse que não. O morteiro tem um dispositivo de armação por deslocamento de ar, mas é preciso um GRANDE deslocamento de ar para ativá-lo (batendo no chão não ativa, tanto é que no exército eles usam um fuzil FAL disparando ar comprimido para atirar). Não é a primeira vez que Spielberg subverte a realidade pra dar mais emoção aos seus filmes. Em Tubarão o roteirista disse que era impossível a garrafa de ar comprimido explodir daquele jeito, mas aí Spielberg retrucou: "Se eu conseguir botar a platéia na minha mão com o filme, eles acreditarão em qualquer coisa que eu colocar lá".

      Ele tem razão...

      PS: Quando o filme foi lançado, em 1999, eu e Ribamar fizemos uma paródia com as fotos disponíveis. Puro besteirol.

      Cinema - publicado às 5:03 PM 3 comentários