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A fábula do pastoreio do boi é uma sequência de imagens bastante representativa do Zen Budismo na China (Chen). Simboliza a busca e o controle do homem sobre seu ego / duplo / desejos (o boi).

E então ele o vê ao longe, de relance, por entre as árvores. Quando corre até o boi, o perde de vista na densa floresta; Ele continua procurando, o vê novamente muito rapidamente, e o perde quanto mais se embrenha na floresta atrás dele. Até que ele consegue sair da floresta para o campo aberto e vê que o boi não se moveu do lugar onde estava pastando tranquilamente. O jovem é que, na ânsia de pegar o boi, acabou correndo sem rumo pela floresta.







Não fiquem fascinados pelo final da história. Não dá pra abandonar de vez o homem e o boi enquanto um ainda está montado e dependente do outro. O que quero passar aqui é que VOCÊ NÃO É O BOI. O jovem ficou tão dependente de uma razão para justificar sua existência (boiadeiro) que precisou desesperadamente de um boi, uma força motriz que o impulsionasse, o completasse. Você não é seu corpo, sua personalidade, seus desejos, suas emoções. E ao mesmo tempo É, enquanto você se identificar com o boi, enquanto você PRECISAR dele (e todos nós que estamos aqui ainda precisamos do nosso corpo, de nossos sentidos, motivações e emoções). E, depois de SENTIR que não é o boi, vai ter de aprender a sentir que TAMBÉM não é o boiadeiro. Mas, uma coisa de cada vez.
Então, vamos seguir os passos da parábola:
1- Precisamos primeiro trazer o boi de volta para o dono, ou seja, mostrar que você não é guiado por seus desejos, seus sentidos, que pode resistir a um pedaço de pizza ou a um rostinho bonito, se essa NÃO for sua meta. Essa auto-superação foi bastante assimilada pelos orientais, que não deixam o sono, a impaciência, o medo ou mesmo a razão interferirem com suas metas. E por isso (porque não há o impossível pra quem quer) é que o Japão é o que é.
2- Não é o boi que está perdido, e sim o jovem que SE PERDEU quando foi na floresta buscar um boi que nem sabia que se existia. E, quando o encontrou, se completou (se perdeu pra se achar).
3- Não vá com muita sede ao pote quando começar a ver o boi, ou vai acabar se perdendo no primeiro caminho que você ver. Medite e concentre-se em primeiro saber ONDE EXATAMENTE o boi está e ache o MELHOR caminho pra você ir até ele.
4- A luta com o boi é o confronto com sua dualidade. Neo contra Smith. O boi é muito mais forte, mas você tem a corda e o chicote para conseguir seus objetivos, para domar suas inclinações contrárias, através das limitações e da dor.
5- Uma vez que o boi esteja perfeitamente domado, você não vai precisar se preocupar com ele. Aí então poderá relaxar e esvaziar sua mente, e se preparar para entrar no estágio Búdico, que é a iluminação, a fusão com o seu oposto (LUZ, como na união de Neo e Smith). E, logo após, um retorno ao mundo (Matrix), que já não é o mesmo, embora seja o mesmo, mas desta vez com o boiadeiro (Neo) INTEGRADO a ele.
Há um ditado que diz que "não se pode botar os carros na frente dos bois". Isso é adaptado do conceito Budista do boi ser rústico, ignorante, mas FORTE, ÚTIL ao trabalho do boiadeiro, uma força motriz, se bem direcionada. É entendendo melhor o símbolo do boi que entendemos AINDA melhor este ensinamento de Buda:
Referência: A parábola no texto Chinês, do Sec. XII