Saindo da Matrix

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    • MATRIX REVOLUTIONS

      sex, 7 de novembro, 2003

      This is the end
      Beautiful friend
      This is the end
      My only friend, the end...

      Of our elaborate plans, the end
      Of everything that stands, the end
      No safety or surprise, the end
      I'll never look into your eyes...again

      (The Doors)


      Ao terminar o filme, me senti como que órfão. As perguntas do 2 ficaram ainda no ar, não havia respostas fáceis. Saí sem saber se tinha gostado ou não. Mergulhei num mutismo por 2 dias, até digerir algumas passagens do filme, ouvir outros comentários, tirar da mente os efeitos visuais e me concentrar no que quiseram passar com a história. Aliás, assim como no 2, a história peca pela falta de estrutura. As cenas são isoladas, fora de um contexto amplo, lembrando um RPG de videogame de 8-bit (vá até a Oráculo, pra pegar uma informação, depois vá até Merovingion, pra poder chegar até Neo, e depois...). Em compensação as partes de ação em Zion são de arrasar. Possuem um objetivo, um propósito dentro do filme, fazem a platéia torcer junto com os personagens. Por falar nisso, os personagens principais estavam lacônicos, contidos, diria até maquinais. O mais humano era o Smith. Teria sido proposital?

      Hoje de madrugada resolvi fuçar a internet atrás de comentários, e então entrei na "mágica" do filme. Sim, que outro filme geraria tantos e tão profundos comentários apaixonados pelo mundo? Cada pessoa coloca um pouco do seu conhecimento na tentativa de ajudar os outros a entenderem trechos do filme, e formam um grande mosaico, que É um filme construído fora do filme.

      Segundo o pessoal da Lista Voadores, pra compreender o Matrix Revolutions será preciso estudar Carl Jung, Casamento Alquímico, Individualização, Dissolução do Ego, Anima (Trinity), Sombra (Smith), Integração; e o que de mais avançado e complexo há SIMULTANEAMENTE no simbolismo da Alquimia, Gnose & Jung. Confesso que não sei nada disso, mas cheguei às mesmas conclusões que eles por outras fontes (o que prova a teoria do bolsão de Egrégora, em que o pensamento coletivo vai se somando, agrupando informações em um "lugar", e quem estiver na mesma frequência vai captar o resultante. Matrix 3 é o "lugar". O filme em si é uma "máscara", um roteiro sem pé nem cabeça, mas a mensagem subliminar que está começando a ser decifrada é que vai fazer com que a humanidade evolua, num nível insconsciente).

      Contribuirei analisando algumas cenas isoladas, sem pressa. Começarei com a cena do trem:

      Na estação de trem onde Neo está preso vê-se em letras garrafais a palavra MOBIL AVE. MOBIL é um anagrama para LIMBO, que fica nas bordas do inferno. AVE é abreviação de Avenue (Avenida). LIMBO, no dicionário, também é usado para expressar "esquecimento" e "incerteza, indecisão". Bem adequado, não?

      Neo não consegue sair do lugar, pois aquele pedaço da Matrix está em looping, ou seja, no fim do programa há um comando que aponta para o começo.

      O Train Man seria o equivalente a Caronte, o barqueiro que, na mitologia grega, levava as almas através do Rio Styx até o reino do submundo de Hades. Esta abordagem Grega tem mais a ver com a definição do espiritismo, que chama este local de Umbral, que fica num plano vibracional entre o "mundo dos vivos" e o "mundo dos mortos" (A teosofia chama-o de Plano Etérico). O fato é que, após o desencarne, a energia vital e o nosso corpo etérico funcionam como uma âncora vibracional. É preciso que essa energia seja dispersada, e por isso os espíritos ficam por pelo menos 3 dias trafegando pelas frequências mais densificadas, que as pessoas generalizam chamando tudo de "umbral". É uma Lei, que teve de ser cumprida até mesmo por Jesus, que desceu ao Hades (e não ao "inferno" católico, que seria o Geena no Grego, um lugar de punição) e retornou ao terceiro dia (Atos 2:27-31; Efésios 4:8).

      Rama Kandra, o pai da menina, é quase o nome da 7ª representação (Avatar, alguém como Jesus) do Deus Vishnu (O Cristo, dos hindus), que encarnou como Rama Chandra. O nome da esposa do Rama do filme é Kamala, que é um dos nomes do Lótus (a flor, não o carro de F-1) em sânscrito. Assim como Rama é uma encarnação de Vishnu, Kamala é a de Lakshmi, que é a personificação do lado Crístico feminino, a mulher perfeita; Vishnu e Lakshmi são inseparáveis. Quando Vishnu veio à Terra como Vamana, ela apareceu como sua esposa Kamala (também conhecida por Padma, outro nome pro Lótus. Isso me lembra Star Wars Episódio I...). Sati, a filha dos dois, na mitologia hindu é a esposa de Rudra.

      Rama é visto primeiramente no filme Matrix Reloaded, quando Neo, Morpheus e Trinity vão ver o Merovingian pela primeira vez. Rama aparece, e toca aquele sonzinho característico da Matrix. Graças ao jogo Enter the Matrix ficamos sabendo que ele estava ali para vender o código de destruição da Shell da Oráculo ao Merovingian.

      No jogo, o personagem Ghost encontra a "nova" Oráculo, que esclarece:
      Ghost: Pode me dizer o que aconteceu com você?
      Oráculo: Dois programas em quem eu confiava venderam o código de destruição da minha shell original para o Merovingian.
      Ghost: Por que eles fizeram isso?
      Oráculo: Por amor. Pela vida da criancinha deles.
      Ghost: Você sabia disso, e ainda deixou acontecer?
      Oráculo: Eu tinha de deixar.
      Ghost: Por que?
      Oráculo: Porque a criança é importante. Não posso dizer porque, mas acredite, um dia a criança irá mudar tanto o nosso como o seu mundo para sempre.




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      Cinema - publicado às 12:00 AM 2 comentários