Saindo da Matrix

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    • MATRIX REVOLUTIONS: QUEM É NEO?

      seg, 10 de novembro, 2003

      Neo, como bem colocou o Jovem Nerd, é um "Jesus 2.0". Um humano, mas com o Cristo dentro de si. Cristo para nós é a ordem Divina, é Vishnu, o que mantém a ordem das coisas. No filme Cristo é o código de Deus Ex machina de alguma forma (provavelmente genética) inserido num humano. Uma manipulação das máquinas para atingir os seus objetivos. Mas, por que Neo foi o escolhido? Porque Neo ESCOLHEU SER O ESCOLHIDO. Ele estava preparado para ser, tinha o dom, como Oráculo diz no primeiro filme. O poder de manipular a Matrix estava latente nele, como estava no menino que entorta a colher, e em Sati. Mas se ele não acreditasse em si mesmo, falharia, e ficaria pra outra pessoa ser o escolhido (Já existiram cinco antes dele). O segredo para SE TORNAR o escolhido é fazer as escolhas certas, acreditar no próprio potencial.

      Aqui o diálogo de Neo com Oráculo, no primeiro filme:
      - Acha que é o Escolhido?
      - Sinceramente, não sei.
      - Sabe o que isso diz? (apontando pra placa acima da porta) É latim. Diz: "Conhece a ti mesmo". Vou te contar um segredinho. Ser o Escolhido é como estar apaixonado. Ninguém pode te dizer se você está. Você simplesmente sabe, e não tem dúvida. Nenhuma.
      Depois:
      - Desculpe, garoto. Você tem o dom, mas parece que você está esperando por algo.
      - O quê?
      - Sua próxima vida, talvez. Quem sabe? Essas coisas são assim.

      Oráculo fazia parte do esquema. Estava ali para orientá-lo, pra que ele desenvolvesse o potencial. Pra isso, ela precisava ser "amiga" dos humanos. E ela era. Afinal, foi programada pra isso. Neo pergunta a Oráculo, no Reloaded:
      - Mas por que nos ajudar?
      - Todos nós estamos aqui para fazer o que temos que fazer.

      Mas ela tinha um plano, que era não só preparar o Escolhido para o objetivo das máquinas, mas também fazer com que ele tenha a capacidade de salvar Zion. Ela via essa possibilidade, pois foi programada pra isso, entretanto o Arquiteto só via os resultados das equações que estavam em jogo (e não as possibilidades). É por isso que no diálogo final do Revolutions o Arquiteto diz pra ela "Você arriscou muito". Por isso, no primeiro filme ela ensina o livre-arbítrio, o não-determinismo, que foi fundamental para que Neo ganhasse confiança de que PODIA mudar as coisas, quando encontrasse com o Arquiteto. Já no terceiro ela ensina o "deixe fluir", o "não lute" ("Deslize", como diz o pinguim em Clube da Luta). É o tipo de coisa desconcertante pra quem, como eu, "comprou" a mensagem do primeiro e esperava mais do mesmo. Mas o destino de Neo era esse, não adiantava espernear. No momento em que ele está no Limbo reina a confusão entre sua parte humana e a sua missão (parte máquina). O Ego diz "sobreviva", enquanto seu Dharma (sua missão de vida) aponta para a fusão com o Todo, a aniquilação da personalidade Neo. O mais interessante é que, um dia (muuuuuuuito longe ainda) todos nós iremos passar por esse dilema. É o mesmo que Jesus viveu no Getsêmane, quando sabia que tinha uma missão a cumprir, que dependia da entrega total da sua parte humana para ser assimilada pelo Pai, mas sua parte humana fraquejou. Por fim, Jesus diz: "Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia näo se faça a minha vontade, mas a tua" (Lucas 22:42). Neo, após ficar a sós, em meditação, concorda em ir para a cidade das máquinas...

      Mas Neo ainda usa o livre-arbítrio em diversas situações que surpreendem as máquinas. Por isso Oráculo não podia saber se ele se tornaria mesmo o Escolhido, nem se salvaria Zion. Neo escolheu usar a necessidade que as máquinas tinham dele como moeda de troca para alcançar a paz.

      Quando Smith pergunta a Neo por que ele continua lutando, Neo responde: "Por que escolhi". É contraditório com a idéia "geral" que o filme passa de que não há livre arbítrio? Não. Ele escolheu ser o ESCOLHIDO. Ele escolheu salvar Zion. E arcou com as consequências. Em seu blog Kaslu falou que somos todos brinquedos, manipulados; Então digo: "se somos brinquedos, vamos fazer nosso papel dignamente! Até mesmo brinquedos têm sua função e seu mérito". Ao que Fernando responde: "A escolha de um brinquedo enquanto brinquedo é ser útil ou não. Portanto estamos novamente, Acid, diante de uma escolha... ou da tarefa de entender a escolha feita."

      Aí então acontece o momento crucial do filme: Smith começa a falar como Oráculo. É a chave para que Neo perceba que Oráculo não deixou de ser ela só porque foi assimilada pelo Smith. Na verdade ela ACRESCENTOU ao Smith. Neo vê que a morte não existe, e que como ele é a força oposta ao Smith, somente se unindo a ele seria atingido o equilíbrio, o vazio (o balanço positivo = negativo). Então Neo deixa de ser reativo, para que seu destino se cumpra.

      Na página do site Omelete tem alguns comentários de leitores, que forneceram mais luz:
      "A Matrix usa a fé e confiança, muitas vezes até inspiradas em misticismos, para direcionar as atitudes das pessoas. Isso poderia explicar porque Neo é sempre esperado nos lugares em que aparece. Ele já passou por lá várias vezes e a Matrix sabe que os novos escolhidos inevitavelmente passarão pelos mesmos caminhos. É por isso que Smith soube do local da praça (Burly Brawl), pois ele se lembrava de ter estado lá antes, como vemos no diálogo com sua cópia:
      Smith 1: Tudo está acontecendo exatamente como antes?
      Smith 2: Não, não EXATAMENTE..."




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      Cinema - publicado às 12:00 AM 2 comentários