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Os tipos de mediunidade
Médium é aquela pessoa que sente, em qualquer grau, a influência dos espíritos, mas comumente usamos o termo para denominar aqueles que recebem e transmitem comunicações dos "mortos". O médium é o intermediário entre duas dimensões: a espiritual e a material. A mediunidade é uma faculdade natural, inerente ao ser humano, independente de sua crença religiosa, podendo-se dizer que TODOS são, em maior ou menor grau, médiuns. Existem vários tipos de mediunidade, em cada pessoa se manifestando de forma diferente, mas podemos categorizar algumas:
Efeitos físicos: pessoas que possuem facilidade em desprender grandes somas de energia anímica (algo como o Ki, só que mais densificada), que possibilita aos espíritos manipularem estas energias de forma que possam ser produzidos fenômenos materiais, como movimentação de objetos, ruídos, batidas, e até mesmo a materialização de espíritos e objetos.
Sensitivos: Sentem a presença dos espíritos através de arrepios, choques, dor ou alguma outra resposta do corpo. Ao desenvolverem essa sensibilidade, podem até identificar se o espírito é bom ou ruim.
Audientes: são capazes de ouvir as vozes das entidades. A boa conversa depende de uma presença boa; um "mau" espírito pode trazer transtornos ao seu ouvinte. Sabe aqueles doidos ou bêbados que vemos no meio da rua, discutindo ou conversando aparentemente sozinhos? Pois é. Pode tem alguém (ou muitos) junto a eles, sejam companheiros de loucura desencarnados ou inimigos de outras vidas. Esses inimigos não têm a menor intenção de mostrar a alguém que são entidades desencarnadas (às vezes nem se dão conta do fato!), e querem mesmo é que a pessoa passe por louca. Remédios, nesses casos, funcionam como paliativo, considerando que são entorpecentes que diminuem a atividade cerebral, bloqueando a mediunidade (assim, o paciente passa um tempo ser ver ou escutar nada "do além"). Os médiuns audientes dão ótimos palestrantes, pois escutam tudo o que os espíritos têm pra dizer e apenas repetem.
Psicofonia e Inspiração: Existem aqueles que falam por "inspiração Divina", e pode-se notar isso mais claramente nas igrejas carismáticas, onde pessoas humildes fazem palestras acima de suas capacidades intelectuais. O que há é uma "ajuda externa", um fluxo de idéias e palavras que é "inserido" no cérebro do médium, como um "pacote" de informações. Pode-se notar, principalmente nas palestras espíritas, que há ligeiras pausas para se concentrar, e depois voltar a falar uma torrente de palavras, como se estivesse fazendo o download de um vídeo pela internet. O espírito não precisa necessariamente tomar o corpo da pessoa, apenas atua magnetizando o cérebro para que se estabeleça a comunicação mente-a-mente. O médium acaba utilizando as próprias palavras, o próprio jeito de falar, e não raro, o espírito se vale da própria experiência do médium pra passar sua mensagem da melhor forma. Esse "método de inspiração" também é usado não só na fala, como na escrita. Nos dois casos, o médium está plenamente consciente, e jura que o resultado foi produto de sua mente. E de certa forma foi mesmo, pois o que a pessoa fez foi captar a essência e trabalhar a forma, como um artista faz com o barro. Sabe-se quando isso acontece ao, tempos depois, você ler um texto seu e se espantar ao ver que nem parece que foi você que fez; e então achar que nesse dia estava "inspirado".
Clarividentes: Possuem a faculdade de ver os espíritos. Essa visão é propiciada não pelos olhos, e sim pela alma, o que torna possível a alguns cegos desenvolverem esta sensibilidade. Há pessoas que vislumbram coisas do passado ou futuro. No primeiro caso, podem ver espíritos andando pela casa ou certos acontecimentos chocantes que NÃO são mais espíritos, e sim uma forma mental que foi formada justamente pela força mental que foi desprendida naquela ação do espírito. Isso não é o que se poderia chamar de "dom". É um fardo pesado, pois, quando os espíritos percebem que alguma pessoa a viu, vão até ela, pra dar recado pra parentes, desabafar ou simplesmente pra perturbar. Há muita gente internada em sanatórios por não saber lidar com isso...
Incorporadores: Há os que perdem a consciência e se deixam comandar livremente pelos espíritos (que assumem todas as funções do corpo do médium) e aqueles que estão apenas sob influência deles. É importantíssimo que o cérebro em que o espírito atue tenha muita "matéria prima" pra que o espírito possa passar sua mensagem. Imagine o cérebro de um analfabeto como uma sopa de letrinhas: um A aqui, um E ali, e o espírito vai ter um trabalhão pra juntar tudo e fazer uma palavra. Agora imagine que o médium já tenha um vocabulário básico disponível: chega-se no "balcão", pega-se a palavra pronta e a coloca na frase. Agora imagine se o médium dispuser de muitos sinônimos, uma mente fértil, aberta a novas idéias, e com outras línguas já "pré-instaladas" no cérebro, não fica bem mais fácil? É por isso que os espíritos recomendam que o médium estude, evolua, leia bastante, para que haja um eco, uma sintonia, pois não se pode operar um corpo humano sem ter que lidar com as limitações dele. Segundo Divaldo Pereira Franco, grande palestrante espírita, Chico Xavier (um homem simples, sem muito estudo) teve desenvolvido o dom da psicografia graças às suas outras vidas, onde fora um amante das letras, mas ainda assim ele ralou muito nesta vida para assimilar o linguajar dos espíritos. No começo escrevia as mensagens sempre com um dicionário à mão. Para melhor escrever livros, é preciso familiarizar o médium com o ambiente e os personagens.
Curadores: São capazes de curar (com a doação intensa de energias benéficas, que Oráculo chama, com razão, de amor) com um toque, uma prece, um olhar, e sem qualquer medicação. É uma faculdade espontânea, não havendo necessidade do médium estar preparado por estudos de medicina ou formas de magnetização. São as benzedeiras, as pessoas que dão passes, e quem trabalha com Reiki, que na verdade não deixa de estar doando sua energia (mas, bem... não quero me envolver em discussões infrutíferas).
Psicografia: Nesse caso ou os espíritos ditam as mensagem para o médium escrever ou assumem o controle apenas do braço, ou ainda incorporam, o que facilita mais o trabalho dos espíritos (pois o médium não "atrapalha"). Divaldo Pereira Franco nos conta que, enquanto o Espírito escrevia, ele tinha a sensação de que podia ver, como em um cinema, cenas dos acontecimentos, e até mesmo sentir as emoções dos personagens, como se fosse com ele. Ao despertar encontrava nas páginas escritas uma síntese de tudo o que vira. É importante que o médium deixe sua mente livre para que o espírito possa trabalhar, pois mesmo inconscientemente pode haver interferências, como nos conta Divaldo:
Chico Xavier também experimentou o mesmo "cineminha" enquanto psicografava seu primeiro romance: O livro Há 2 mil anos, com as memórias do seu guia espiritual Emmanuel. Chico via todas as cenas, como se estivesse ao mesmo tempo dentro e fora de um filme. Emmanuel explicou: "Você está sob certa hipnose, e está vendo o que eu estou pensando, mas não sabe o que eu estou escrevendo".
Nos primeiros anos de psicografia Chico sentia uma pressão na cabeça - como se um cinto de chumbo comprimisse seu cérebro - e um peso no braço direito, como se ele se transformasse numa barra de ferro e fosse arrastado por forças poderosas. Era uma reação involuntária a um controle externo do corpo. Dois anos depois os sintomas cessaram, quando ele aprendeu a "deixar fluir".
Registros Históricos
A faculdade mediúnica se manifestou ao longo do tempo e está registrada na nossa história, de forma muitas vezes deturpada. Eram muito comuns as consultas às Pitonisas (ou Oráculos) que, através de substâncias alucinógenas (seja o vapor do vulcão Vesúvio, ou beberagens) ficavam vuneráveis à influência de uma entidade desencarnada, que podia então dar a sua mensagem, atuando como médium.
Um exemplo interessante da mediunidade está na Cabalá extática. Abraão Samuel Ben Abulafia foi a figura mais poderosa dos cabalistas extáticos. Sua formação era bem mais filosófica que rabínica, e sua doutrina foi toda inspirada na obra Morê Nevuchim (O guia dos perplexos) e no Sêfer Ietsirá (Livro da Criação).
Um pequeno texto ilustra como ele preparava a si e a outros para receber as revelações do Divino:
Referência:
Tipos de mediunidade no espiritismo; Características da mediunidade
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