Saindo da Matrix

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    • O MUNDO E O SONHO (O 100º MACACO)

      qua, 10 de setembro, 2003

      Alguns leitores mais atentos dirão, em relação ao post anterior: mas uma pessoa que expande seu aprendizado para milhares de outras é bem melhor para a evolução do TODO do que ela ficar enclausurada numa experiência particular na Terra. Sim, SE não existisse uma eterna troca de energias entre os seres. Todo pensamento (energia) que você irradia fica disponível para quem tiver a sensibilidade e estiver na mesma sintonia. É assim que casais de namorados "adivinham" pensamentos um do outro, é assim que uma mãe sabe quando o filho está em apuros. É comum surgirem descobertas (como o rádio e a TV) em diversos lugares simultaneamente. Já mencionei as egrégoras, que são bolsões de pensamento coletivo, etc. E isso não é exclusividade dos seres humanos, como podemos ver no exemplo da teoria do centésimo macaco (A história do livro de Ken Keyes está um tanto quanto enfeitada pra agradar a geração new-age):

      Cientistas japoneses que estudavam o comportamento dos macacos em estado selvagem tiveram a idéia de distribuir batata-doce nas praias de Kochima, uma ilhota deserta do Japão, habitada só por eles. Os macacos gostaram da batata-doce, apesar dos grãos de areia em volta. Até que uma jovem fêmea descobriu sozinha como lavar as batatas num riacho. Ela ensinou, em seguida, o truque à própria mãe. Entre 1952 e 1958, todos os macacos jovens de Kochima aprenderam, um depois do outro, a lavar as batatas antes de comê-las. Passado um tempo considerável, uns seis meses, em outra ilha, outros macacos também começaram a lavar as batatas no mar; e depois, com um intervalo de tempo menor, o mesmo ocorreu em outra ilha, e, de repente, vários macacos em todo arquipélago estavam fazendo aquilo.

      Como isso era possível, já que os macacos não atravessam o mar? Como podia ter circulado a informação, levando a essa mudança de atitudes?

      A teoria deduz que seria necessário haver um nível de consciência X, uma massa crítica de percepção, pra que ela dispare, se expandindo de modo cada vez mais rápido, e há então uma mudança de paradigma no meio onde se manifesta.

      Partindo desta premissa, foram feitos alguns experimentos, como por exemplo:
      Alguns cientistas passaram a mostrar imagens nebulosas à pessoas no mundo todo, cronometrando o tempo que a pessoa demorava para decifrar aquela imagem. Foi observado que o tempo de percepção das imagens era proporcionalmente menor quanto maior o número de grupos que já havia passado pelo experimento.

      Sabe-se também que a probabilidade de acerto na resolução de palavras cruzadas que já foram resolvidas por muitas pessoas anteriormente é bem maior do que uma que não foi publicada antes.

      Tudo o que fazemos, cada ação nossa, fica registrada no éter (os tais arquivos Akhásicos), e pode ser acessada por quem tenha o conhecimento (ou permissão). Já sabemos, pela física Einsteniana, que o tempo é uma ilusão. Um referencial particular e moldável. Então é provável que a resposta para tudo isso esteja no último diálogo do filme Waking Life:

      Em um ensaio de Philip K. Dick, sobre seu livro Flow My Tears, the Policeman Said, ele fala que 4 anos depois estava em uma festa e conheceu uma mulher com o mesmo nome que a mulher do seu livro, e seu namorado tinha o mesmo nome que o namorado do livro. Ela havia tido um caso com um delegado de polícia que tinha o mesmo nome que o delegado de seu livro. Isso o deixou muito assustado, mas o que ele podia fazer?

      Pouco tempo depois, ele viu um sujeito meio estranho em pé, ao lado de seu carro. Mas, ao invés de evitá-lo, ele disse: Posso ajudá-lo?. E o sujeito disse: Fiquei sem gasolina. Ele lhe deu algum dinheiro, coisa que jamais teria feito. Então chega em casa e pensa Ele não conseguirá chegar ao posto sem gasolina. Então volta, acha o sujeito e o leva ao posto de gasolina. Enquanto estaciona, ele pensa: Isto também está no meu livro.

      Ele resolve contar tudo isso a um padre, e o padre diz: Este é o Livro dos Atos. Ele responde: Mas eu nunca o li. Então ele lê o Livro dos Atos, e é estranhamente familiar. Até os nomes dos personagens são iguais aos da Bíblia. O Livro dos Atos se passa em 50 d.C. Então, Dick criou uma teoria segundo a qual o tempo é uma ilusão, e que estamos todos em 50 d.C. O que o levou a escrever o livro foi que ele, de algum modo, atravessou esse véu do tempo. O que viu ali foi o que acontecera no Livro dos Atos.

      Ele se interessava pelo gnosticismo e pela idéia de que um demônio teria criado essa ilusão do tempo para nos fazer esquecer que Cristo retornaria e o reino de Deus adviria. Alguém está tentando nos fazer esquecer que Deus é iminente. Isso define o tempo e a História: Uma espécie de devaneio ou distracão contínuos.

      O filme continua, e o personagem conta um sonho que teve com Lady Gregory, uma patrona irlandesa de Yeats:

      - Então, Lady Gregory vira-se para mim e diz: "Deixe-me explicar-lhe a natureza do universo. Philip Dick está certo quanto ao tempo, mas errado quanto a ser 50 d.C. Na verdade, só existe um instante, que é agora. E é a eternidade. É um instante no qual Deus está apresentando a seguinte pergunta: Você quer fundir-se com a eternidade, você quer estar no paraíso?. E estamos todos dizendo: Não, obrigado. Ainda não. Logo, o tempo é apenas o constante não que dizemos ao convite de Deus. Isso é o tempo. Só existe um instante, e é nele que estamos sempre."

      Então ela me disse que esta é a narrativa da vida de todo mundo. Por detrás da enorme diferença, há apenas uma única história: a de se ir do NÃO ao SIM.

      Quando acordei, pensei: "Aquilo não foi um sonho. Foi uma visita ao mundo dos mortos."
      - E como conseguiu finalmente sair de lá?
      - Foi como uma daquelas experiências que transformam a vida. Eu nunca mais voltei a ver o mundo do mesmo jeito.
      - Mas como é que você finalmente saiu do sonho?
      - É esse o meu problema. Eu estou aprisionado. Fico achando que estou acordando, mas ainda estou em um sonho.
      - Quero acordar de verdade. Como se acorda de verdade?
      - Eu não sei. Não sou mais tão bom nisso. Mas se é o que está pensando, você deve fazê-Io, se puder. Porque, um dia, não será capaz. Mas é fácil... Sabe, simplesmente acorde.




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      Metafísica - publicado às 12:00 AM 1 comentário