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Procurei abaixo fazer um resumo simplificado de um artigo belíssimo que foi publicado no New York Times sobre a criação do Universo (que, aliás, recomendo ser lido integralmente):
Uma questão que desafia a mente dos cientistas é a origem do universo. Chegou-se ao Big Bang, com relativo sucesso e comprovação. Mas empacaram na constatação de que, no universo a temperatura da radiação cósmica é a mesma em qualquer direção que se olhe. Ora, no modelo antigo de big bang não haveria tempo suficiente no início do universo para que o calor fluísse de uma região pra outra. Então se tem estudado formas de representar a realidade atual do universo e a mais aceita atualmente é a teoria do universo inflacionário.
Nesta teoria, o universo não teria um começo definido, justamente porque não teve UM Big Bang, e sim vários, indefinidamente, como uma bolha criando outras, e onde cada bolha seria um novo big bang, um novo universo com diferentes características, e talvez até mesmo com diferentes dimensões. O nosso universo seria meramente um dentre vários.
"Caso se inicie, esse processo pode prosseguir para sempre", explica o cosmólogo Linde. "Ele pode ocorrer neste momento, em alguma parte do universo". O maior dos universos concebidos pela inflação eterna é tão inimaginavelmente grande, caótico e variado que a questão da sua origem se torna quase que irrelevante.
A explicação para a origem do universo estaria no princípio da incerteza da física quântica, onde o espaço vazio nunca pode ser considerado como sendo realmente vazio. Então o universo poderia ser resultado de uma flutuação quântica no "nada" primordial. A equação Wheeler-De Witt procura englobar todos os universos possíveis: Aqueles que existem por apenas cinco minutos, antes de virarem buracos negros; os que existem por toda a eternidade; aqueles cheios de vida; os que são completamente desertos. Os físicos chamam esse agrupamento de "superespaço".
Isso dá margem a mais uma das grandes questões: Já que ninguém pode sair do universo, quem o estaria observando? Wheeler sugere que uma resposta para essa questão seria afirmar que os observadores seríamos nós mesmos, agindo por meio de uma observação mecânico-quântica. "O passado é teoria", escreveu o cientista. "Ele não possui existência, exceto nos registros do presente. Nós somos participantes, no nível microscópico, da confecção do passado, bem como do presente e do futuro". De fato, a resposta de Wheeler para Santo Agostinho é que nós, coletivamente, somos Deus, e estamos incessantemente criando o universo.
Mas um outro mistério embutido na equação Wheeler-De Witt é o fato de ela não fazer menção ao tempo. No superespaço, tudo ocorre uma vez e definitivamente, o que leva alguns físicos a questionar o papel do tempo nas leis fundamentais da natureza. Julian Barbour, um físico independente que foi aluno de Einstein na Inglaterra, argumenta que o universo consiste de uma pilha de momentos, como cartas de um baralho, que podem ser embaralhados e reembaralhados de forma arbitrária, de forma a fornecer a ilusão de que existe tempo e história. O Big Bang seria apenas uma outra carta no baralho, juntamente com todos os outros momentos. Um passado eterno do universo.
"A imortalidade está aqui", escreve ele no livro O Fim do Tempo: "A nossa tarefa é reconhecê-la".
Essa idéia do tempo simultâneo é a mesma de quando um Budha atinge a iluminação: Não há passado, presente ou futuro. O Budha pode ver o "superespaço", ele está fora da Matrix. É aí que a ciência falha, porque simplesmente não pode conceber que alguém possa fazer isso. A criação de universos paralelos seria como múltiplos big bangs, que acontecem esporadicamente, em planos diferentes. Cada plano com suas respectivas dimensões (como na animação acima). Altura, largura, profundidade, e, talvez, o tempo. Ora, o tempo para nós, humanos, é uma sucessão de eventos. Na física já está provado que o tempo se estica com a velocidade (freqüência), passando mais devagar. A teoria dos gêmeos de Einstein (ver este post) demonstra bem isso. Então, como podem notar, a certeza sobre o que é "tempo" nos outros planos não pode ter como base a nossa idéia de tempo.
Referência: FAQ de Cosmologia (em inglês)