Saindo da Matrix

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    • O TRIÂNGULO

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      seg, 23 de dezembro, 2002


      Segundo Platão, toda a matéria elementar é composta de triângulos combinados. O três representa a solidez, estabilidade. Estabelece os princípios de harmonia e equilíbrio em um mundo dual.

      Por isso, é usado pra representar o aspecto Divino, através da Trindade, presente em várias culturas:

      Cristianismo: Pai, Filho e Espírito Santo
      Hinduísmo: Brahma, Vishnu e Shiva (trimurti)
      Egito: Ìsis,Osíris e Hórus
      Irlanda: Morrigan, Badb e Macha (facetas da Deusa da batalha)
      Celtas: Virgem, Mãe e Anciã (Aspectos da Mãe Terra)
      Espiritismo: Deus, princípio espiritual (Espírito) e princípio material (matéria)
      Platão: Ser (Modelo perfeito,original), devir (cópia do modelo) e receptáculo (espaço,lugar)

      São necessários dois elementos duais (e,ainda assim,complementares) para produzir um terceiro.

      Vida + Morte = Evolução
      Bem + Mal = Discernimento
      Pólo positivo + pólo negativo = Corrente elétrica
      Homem + mulher = Vida
      Luz + Trevas = Conhecimento

      Prestando atenção, quase sempre um desses componentes é visto como ruim (negativo), enquanto o outro é bom (desejável). O ser humano não escapou dessa visão distorcida da realidade, herança do zoroastrismo, que separava o bem do mal, o claro do escuro. O Zen budismo e o Taoísmo nos mostram visões complementares, como o Yin que complementa o Yang. O binário vida e morte compõem um ciclo evolutivo em que o homem vive os dois tipos de experiências, a do plano físico e as do mundo espiritual, os quais proporcionam a dinâmica que favorece a evolução.

      No hebraico o plural das palavras no masculino terminam em im, e nome utilizado para Deus (Elo-him) pode ser um sinal dessa trindade. As palavras de abertura do Gênesis dizem: "Bereshit bará Elo-him" (No princípio Deus criou); Elo-him é plural, mas bará (criou) é singular. Unidade na diversidade. Multiplicidade resultando numa só força criadora.

      Por isso Deus não pode ser descrito como algo. Usemos uma analogia: seria como dizer que o ar que respiramos é composto tão somente pelo elemento AR, ignorando toda a complexidade das cadeias de átomos, partículas agregadas e outras variáveis. Seria tomar o resultado pela causa. Existe o ar na ionosfera, mas também existe o ar nas cavernas. Tecnicamente não é o mesmo, mas também NÃO deixa de ser o mesmo. Não há separação entre o ar, apenas adaptação, num imenso degradê. Por isso não podemos dizer que seu Deus é melhor que o meu Deus, pois são manifestações do Todo, que é Deus, adequadas a uma determinada época / povo / mentalidade.


      Signo de Vishnu
      Selo de Salomão
      Maguen David

      Vishnu

      O selo de Salomão, que no judaísmo é conhecido como Maguen David (Escudo de David, em hebraico) é composto por dois triângulos: Um com seu vértice para cima, e o outro com o vértice para baixo. Sua origem - e isso quase ninguém sabe - remonta à Índia, onde tem o nome de Signo de Vishnu, que é o Deus mantenedor na trindade Hindu. Era utilizado como amuleto contra o mal, e esse significado se perpetuou, como atestam os nomes "selo" e "escudo" do Hebraico. No Kabbalah (ou na Cabalá, como queiram) vemos que os dois triângulos representam as dicotomias inerentes ao homem: o bem e o mal, o espiritual e o físico. É mais um aspecto do positivo/negativo que se unem, como no símbolo do Yin/Yang.

      O Maguen David também significa a Onipresença de Deus. Suas seis pontas correspondem às direções do microcosmo: norte, sul, leste, oeste, o céu e a terra.


      O pentagrama data do período de 3.500 aC, na Mesopotâmia, e era usado como um símbolo do poder Real, que se estendia pelos quatro cantos do mundo. Entre os hebreus o símbolo estava relacionado com a Verdade e representava o Pentateuco. O mais interessante é que o pentagrama foi usado como um amuleto contra o mal, e a própria Igreja Católica (na figura do seu fundador, Constantino) utilizou-se dele para simbolizar as 5 chagas de Jesus, na Idade Média. Já o Pentagrama invertido representa a queda do homem, e por isso é muito utilizado no SatanYsmo.


      Esquema grego do homem como microcosmo, desenho de Cornelius Agrippa

      Desenho de Da Vinci com os signos sobrepostos

      O Pentagrama representa o microcosmo (aspecto humano) e o Selo de Salomão o macrocosmo (aspecto Divino). Leonardo Da Vinci sabiamente interpenetrou estes signos dentro do homem no seu desenho "Estudo de proporções". Obviamente os signos não estão desenhados, mas sugeridos apenas a quem os conhecessem, pois naquela época seria considerado uma heresia. Ele nos remete ao pensamento de Protágoras "o homem é a medida de todas as coisas" e ao "Sois Deuses" do Velho Testamento.

      Referência: Rui Vaz da Costa: A vida no planeta Terra;
      Platão: Timeu e Crítias (A Atlântida);
      Pentagrama;
      Maguen David;
      Signo de Vishnu;
      Protágoras;
      Cornelius Agrippa;
      A alquimia do Selo de Salomão;
      Obrigado pela inestimável colaboração, Dani!!

      Holismo - publicado às 9:10 AM Sem comentários