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Primeiro que o título acima ia ser bastante adequado para o que ia acontecer comigo ao tentar chegar no cinema (no Recife antigo), pois não sabia qual das duas ruas eu devia tomar: uma que eu jurava ser a do cinema, toda escura e com dois caras suspeitos lá embaixo; outra cheia de malas bebendo no meio da rua. E eu com minha roupa padrão da Seaway, preferida por 10 entre 10 bandidos. Por sorte consegui chegar inteiro. Bem, mas vamos ao que interessa:
Se a intenção foi fazer um filme onde Tom Hanks fosse um "cara mau", então o diretor falhou miseravelmente. Nem se dessem um tiro no pé de Tom Hanks ele conseguiria fazer uma cara feia! Com aquele jeito de bebê chorão ele mata as pessoas à queima roupa e eu ainda fico com pena dele! A história é muito boa,tem suas reviravoltas (foi baseada numa HQ homônima de grande sucesso, que por sinal foi baseada no manga japonês Lobo Solitário),mas não espere uma história de gângster agitada, com muitos tiros e correria.
Sam Mendes (diretor de Beleza Americana) é antes de tudo um poeta, gosta de apreciar os pequenos detalhes que compõem a vida das pessoas, suas motivações, suas incertezas e suas nuances psicológicas... enfim, ele é viado. Mas isso não torna o filme chato, de forma alguma. Ele conduz bem a história, com um pouco de humor, um pouco de ação, movimentação excelente de câmera e a maravilhosa atuação dos atores secundários (Tom Hanks eu nem falo, pois ele faz uma atuação correta e sem brilho, como sempre).
Paul Newman certa hora dá um olhar tão intimidador pra um garoto que quem ficou intimidado fui eu! Stanley Tucci como Frank - o segundo-em-comando da quadrilha - está de encher os olhos, e me fez parar e pensar: "esse cara é um mafioso profissional". Falando de coadjuvantes, não poderia esquecer Jude Law. Interpretando um fotógrafo estilo Folha de Pernambuco, rouba todas as cenas em que aparece. Ele tem um olhar de sádico-tarado-psicopata tão natural, mas tão natural que até agora estou na dúvida se foi feito pra o personagem ou se é uma característica do ator. E o jeito dele andar e se portar não são caricatos, mas é estranho e perceptível. O cara todo é estranho! Vôte!
