qua, 23 de outubro, 2002
Cruz cristã |
A cruz é o símbolo elementar mais usado em todo o mundo, unindo o princípio ativo e o passivo numa conexão dualista. Por indicar um centro tornou-se o símbolo das mais diversas mitologias. A extrema simplicidade de sua estrutura é certamente a razão de sua disseminação pelo mundo. A relação pictórica com a cruz de referência e a semelhança de sua silhueta com a forma humana transformaram-na no principal símbolo da fé cristã. Por quase 2.000 anos a presença desse sinal marca profundamente todo o ocidente. Para comprovar o quanto esse sinal pode nos causar irritação e estranheza, basta colocar a horizontal abaixo do centro (Cruz de São Pedro), que foi crucificado de cabeça para baixo. A cruz normal (ou o sinal de mais) é a personificação absoluta da simetria. Os quatro espaços internos com ângulo retos, dispostos em torno de um ponto central, fixam tão fortemente o sinal no papel, que é impossível imaginar um movimento ou uma rotação.
O homem gosta de se comparar à vertical, que constitui o elemento ativo em determinado plano e símbolo de ser vivo, que cresce pra cima. A horizontal já existe, enquanto a vertical deve ser feita. O homem está habituado a confrontar sua atividade com a passividade. No mesmo sentido, uma linha vertical existe apenas em comparação com determinada horizontal.

Cruz grega
Até a época Carolíngia a forma usual era a cruz grega ou eqüilateral. Mas com o correr do tempo o centro deslocou-se para cima, até que a cruz tomou sua forma latina. Simboliza a tendência de deslocar para cima o centro do homem, para a esfera espiritual. Essa
tendência surgiu do desejo de traduzir em ação as palavras de Cristo: "meu reino não é deste mundo". A vida terrestre, o mundo, o corpo eram, portanto, forças a serem vencidas.
Cruz Celta |
A escolha da cruz como símbolo cristão pode ter sido horrível sob o ponto de vista psicológico (pois representa o instrumento de tortura romano no qual Jesus foi assassinado), mas a razão de adotá-lo foi, primeiro, a eliminação da concorrência (do Ankh egípcio, das cruzes celtas, entre
outras) e também se apoderar de um forte instrumento canalizador de energia. A intersecção das duas linhas cria um ponto imaginário que atrai nosso olhar (tanto que é usado por matemáticos, arquitetos e geógrafos para marcar um local preciso) e, conseqüentemente, nossa atenção, enquanto estamos num momento de reflexão, concentração ou de pura fé (funciona, assim, como a Mandala hindu). Com quase 2.000 anos de absorção de energia positiva, a cruz se tornou um símbolo mental poderosíssimo.
Referência: Cruzes: Formas e significados;
Refutação sobre o símbolo da cruz (Teosofia);
Mais sobre cruzes (inglês);
Livro "Sinais e símbolos", de Adrian Frutiger (obrigado pela dica, Lótus Branca!)